Não importa o quanto tentemos seguir adiante e o quanto desejamos nunca olhar para trás. Uma hora ou outra, o passado sempre volta à tona.
[sequência de bad idea]
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O celular vibra em meus mãos, me distraindo, e o nome do Jeffrey brilha no visor. Eu bufo, pensando que deveria ter bloqueado seu número da última vez. Mas aquilo poderia ser uma ótima oportunidade, porque se eu não fui claro antes, estava prestes a ser mais do que isso dessa vez.
Deslizo para atender, nenhum um pouco cortês:
— Eu me lembro muito bem de ter te demitido, Jeffrey.
— Harry, graças a Deus! — sua voz reverbera do outro lado, aliviada, mas ainda sim agitada. — Harry, me escuta. Eu entendo, tá legal? Você tem todo o direito de ficar chateado. Quer dizer, eu fodi tudo, eu sei. Mas, merda... eu fiz tudo isso pensando no seu futuro! Não pode dizer que não deu certo.
Eu realmente daria tudo para socar a sua cara nesse momento. Como ele tem coragem de dizer isso?
— Chateado? Eu estou puto pra caralho, Jeffrey! — me exalto, mas na mesma hora confiro ao meu redor. Eu estava do outro lado da calçada, encostado em um carro estacionado, tentando ser o mais discreto possível. Do outro lado da rua, o aglomerado na frente da escola já estava consideravelmente lotada de pais. Por isso, trato de baixar o tom, e, entredentes, eu continuo: — E eu nunca vou te perdoar por ter fodido a minha vida. Você ouviu? Nunca, Jeffrey.
— Tudo bem, eu acho que mereço isso. Mas, querendo você ou não, eu sou seu empresário, Harry, e preciso dizer que pausar sua turnê bem agora vai ser um tiro no pé! Todo o investimento, seus fãs... As pessoas não vão entender. Tente pensar mais um pouco, com mais cautela, eu te...
— Eu já pensei, Jeffrey. E eu preciso recuperar os 8 anos de vida da minha filha, que você escondeu de mim durante todo esse tempo — não o deixo finalizar. — Na verdade, isso não é mais um problema seu. Você não é mais o meu empresário. E, a propósito, vai se foder!
Desligo a chamada, enfiando o celular no bolso. Na hora, o sinal ecoa, anunciando a saída dos alunos. É questão de segundos até a fachada da escola ser tomada por mini criaturinhas com suas mochilas nas costas, que se afogam nos braços dos pais. Observo um garotinho correr na direção do pai, que se agacha a tempo de tomá-lo para um abraço. Em seguida, eles se afastam, e o homem bagunça seus cabelos, fazendo o menino reclamar. Eu os acompanho dar as mãos, e caminhar pela calçada, lado a lado, enquanto parecem conversar. Presumo que seja sobre o dia do garotinho na escola. E a cena me enche de um sentimento bom que eu nunca tinha planejado sentir.