Depois da noite anterior apenas surgiram mais e mais dúvidas infinitas em minha mente. Antes de ir pra a torre da grifinória busquei um Harry bêbado e dançante com Cho, e o levei comigo. Entramos e por preguiça de irmos aos dormitórios, dormimos expremidos no sofá que tinha na comunal.
Na manhã seguinte, a primeira coisa que eu fiz foi me levantar e chamar Harry para irmos para os dormitorios. Ele foi para o masculino e eu para o feminino, já entrando no banheiro para tomar um belo e relaxante banho, que tirasse um pouco daquela dor de cabeça insuportável.
Era sábado então, não teríamos aula. Seguindo esse raciocínio deitei em minha cama e abri o witch mail vendo que de alguma forma, ontem eu havia mandado uma mensagem bêbada para sunflower:
"Cara sunflower,
Acho que todos nós temos segredos, enfim eu fico pensando por que ainda não me assumi de vez. Talvez seja por que não parece justo, que só os gays tenham que assumir. Por que heterossexualidade é a norma?
Será que em um universo alternativo, heteros se assumirem seria como:
- Mãe, sou hetero!
- MEU JESUS, ISSO É PECADO!! RETIRE O QUE DISSE.
Ou talvez eu não tenha me assumido por que falta pouco pra faculdade e parte de mim quer se apegar ao eu que as pessoas acham que sou mais um pouquinho. E talvez na faculdade eu seja Bi com orgulho, eu prometo.
Não sei por que estou prometendo isso.
Com amor,
Redrose."
Ao terminar de ler, senti uma vergonha forte me atingir mas a ignorei.
Mais tarde fui ao salão principal onde as pessoas de várias casas estavam reunidas. Me sentei comendo o meu café da manhã e conversando com as outras pessoas.
- Oque vocês vão fazer no Natal?- perguntou uma lufana loira.
- Eu vou para uma mansão de campo da minha família, sem telefação no meio do nada.- disse Pansy orgulhosa de si.
- Eu vou ficar na minha casa mesmo, minha mãe irá preparar um daqueles seus banquetes incríveis.- falei, salivando só de pensar na comida gostosa.
- Weasley, será que eu posso falar com você?- disse Cho com uma expressão ameaçadora. Eu me levantei e a segui ate um lugar reservado.
- Oque você quer?- perguntei impaciente.
- Olha, eu vou ter que vazar seus e-mails. Você não está me ajudando!!- disse ela em um tom ameaçador que me fazia querer quebrá-la em pedaços.
- Mas- antes que eu pudesse concluir meus pensamentos, Potter entrou no local um pouco distraído.- Harry, quer ir ao três vassouras mais tarde comigo e com a Cho?- Falei querendo socar a face da garota mencionada.
- Claro, por que não?- respondeu animado.- Agora, Chang poderia nos dar licença por um momento?- falou ele e o urubu asqueroso saiu do local, nos deixando a sós.
- Oque aconteceu, Harry?- perguntei exitante.
- Bom, Draco está no salão principal e eu estou me escondendo.- disse ele me puxando para o armário de vassouras.- Você vai me fazer companhia enquanto ele não sai de lá.
- Como vamos saber que ele saiu?
- Não vamos, quando eu disser que acho que a barra ta limpa nos iremos sair daqui.- Concluiu e eu dei uma risadinha baixa. A cara do Harry, fazer coisas impulsivamente sem pensar em detalhes ou consequências.
Ficamos um bom tempo no local apertado, apenas jogando conversa fora e aquele momento me fez sentir mais culpada ainda.
Harry poderia estar aos amassos com o garoto que ama, mas meu medo estava impedindo isso. Eu estava impedindo isso. Estava impedindo a felicidade do meu amigo. Parte da culpa era de Chang. Mas se eu não fosse tão insegura quanto me assumir, ela não teria como me chantagear. Então a culpa era toda minha, por ser fraca demais.
Mais tarde, saímos do armário um pouco atordoados. Havíamos perdido um pouco a noção de tempo e ficado dentro do cômodo por algumas horas, pelo sol que rasgava fortemente os olhos de qualquer um que ousasse encará-lo, devíamos ter ficado pelo menos umas 2/3 horas ali.
- Sem Draco?- perguntei a ele que assentiu calado, passando pouco a minha frente mas eu sabia que ele me esperava. Passamos por alguns lugares que pareciam sumir diante da minha visão focada para chegar a grifinória. Quando chegamos ao quadro da mulher gorda, ele murmurou a senha afogado em desânimo.
Sentamos no sofá, e eu ofereci o colo para ele se deitar e eu fazer cafuné em seu cabelo afin de lhe confortar.
Ele aceitou, deitando sua cabeça em minha perna.
- Eu escrevi uma coisa, pra dizer pra ele.- Potter disse parecendo ainda mais triste com a afirmação.
- Sério? Que fofo, Hazz. Posso ver?- perguntei curiosa pra ver o que ele tinha feito e ele me entregou um papel amassado com garranchos ilegíveis.
"Acho que acabei me apaixonando profundamente.
Aprendi a amar cada aspecto do seu ser. o jeito que você gosta de passar a mão no seu cabelo mas odeia que alguém tente o tocar, o jeito que você tenta me irritar sem motivo...
Acho que fico encantado até com o jeito que você anda.
Eu escrevi isso, pois é dificil pra mim descrever sentimentos tão extraodinarios como o amor, ainda mais cara a cara.
Não sei colocar amor em palavras, afinal quando ouço a palavra "amar", lembro-me do seu nome. Gravado nas paredes de meu cérebro como grafite em papel.
Eu sei que há muitas complicações em ficarmos juntos...
Mas e se eu dissese que espero por você, você acreditaria?
Pois eu o faria, esperaria por mais milhões de anos se esse fosse o seu desejo.
O amor não é nada se não houver riscos.
O amor não é nada se não te consumir completamente, então deixe-me aconchegar em seus abraços e prometa que ficará comigo do alvorecer ao anoitecer."
Enquanto lia, lágrimas deixaram meus olhos. Eu tinha ferrado com tudo por causa de uma garota babaca.
- Ele nem chegou a ler, e já me deixou. Ainda bem que eu não o entreguei antes.- Disse Potter e mais uma vez senti meu coração se desestruturar, quebrando em pedaços pequenos impossíveis de remontar.- Eu achei que tínhamos tido um momento na aula de poções, quero dizer... não é todo mundo que valsa ao som de rewrite stars em um campo de girassóis sem ter algum sentimento envolvido...né?
- É, acho que não.- Respondi com minha voz trêmula causada pela culpa de o fazer passar por isso.
- Eu posso tá sendo emocionado, mas eu realmente gosto do Draco e faria de tudo por ele. Me arrisco dizer que voaria no meio de chamas ardentes por ele.- falou com a voz se quebrando, ele já estava a beira de chorar naquele momento. E eu o deixei chorar, pois já não sabia o que fazer.
Ele acabou dormindo em meu colo e eu fiquei lá mexendo em meu smartwitch para poder ocupar minha mente.
Estava vendo algo no hogwartook quando recebi finalmente um e-mail de sunflower.
"Querida Redrose,
Me arrisco dizer que você estava bêbada quando me enviou essa mensagem, mas eu não a julgo.
Entendo o que quer dizer sobre se assumir na faculdade, mas acho que esses e-mails me inspiraram.
Irei contar para minha família sobre mim.
- Com amor,
Sunflower"
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Com Amor, Ginny.
RomansaEstava pensando no que aconteceu desde o início da minha jornada. Eu estava perdida, escondida, com medo de ser quem eu sou. Comecei a trocar e-mails com uma garota encantadora. O meu grande acerto, se formos pensar. Acho que não era o intuito mas...
