Part II | C : 7

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AVISO NO FINAL DO CAP. PFV LEIAM COM ATENÇÃO! ❤️

O futuro batia à sua porta, mas ela tinha medo de abrir e encontrar os mesmos fantasmas disfarçados de promessas novas. Curar-se não era uma linha reta; era um labirinto onde o alívio e a angústia dividiam o mesmo espaço no peito. Ela odiava o quanto o passado ainda tinha poder sobre o seu ritmo, transformando cada passo em direção ao amanhã em uma negociação violenta consigo mesma. Sentia a urgência de viver o que estava por vir, mas a memória da queda era um eco constante, um aviso cruel de que baixar a guarda tinha um preço alto. Era um paradoxo sufocante: a mente clamava por paz, mas o coração, calejado e arisco, ainda operava em modo de sobrevivência, tratando a própria calmaria como uma armadilha iminente.
- Yasmim Santos.

JESSIKA S.

SEIS MESES DEPOIS.

As primeiras semanas após meu retorno da Suíça, fiquei em casa. Temendo sair e encontrá-lo, temia a lembrança dele. Foram quinze dias de isolamento absoluto - a ideia de sair causava certa aversão e agonia.

Levou dois meses para que eu sentisse segurança em ir ao mercado mais próximo, até mesmo retornar às consultas com a psicóloga, a qual aceitou gentilmente em me atender de forma remota.

O tempo era meu inimigo e também meu aliado, pude sentir o alívio se instalando e a sensação de liberdade, de não sentir a escuridão me rondando, pronto para me engolir e me levar a uma nova tentativa de autodestruição.

Aos poucos minha vida foi se estabelecendo, voltei a trabalhar com meus pais e fazer novos doces para atrair mais clientes - o apartamento que havia comprado, para evitar que ele surgisse, vendi o mais rápido possível, o valor dei aos meus pais como presente de casamento, onde usaram uma porcentagem para fazer uma viagem a dois e aproveitar o tempo juntos em algum lugar do Brasil.

Tomei iniciativa em morar na casa que ganhei dos meus ex sogros, a equipe contratada para refazer toda a casa e seu interior, deixou idêntico ao que era antes, porém, a sensação de quando vi pela primeira vez, não existia. Nada seria como antes.

A primeira coisa que fiz ao sentir que conseguia deixar as paredes do quarto e a casa dos meus pais, foi ir até uma clínica estética, onde, depois de algumas avaliações e sessões dolorosas, as cicatrizes em minhas costas são quase inexistentes, levaria mais alguns meses até sumirem por completo. Tudo isso não apagaria as memórias, mas me trouxe conforto em usar roupas adequadas para o calor absurdo que vem fazendo.

Pela manhã, tomei café no pequeno jardim nos fundos da casa. O sol aquecia minha pele e o vento fresco acalentava a sensação dolorosa que vez ou outra sou refém - infelizmente, trabalhar a mente para esquecer, ou deixar algumas lembranças intocadas, era uma tarefa extremamente exaustiva.

Não importa o quanto o meu dia seja preenchido por rotinas, quando a noite chega e me vejo sozinha em casa, tudo volta e o medo acompanha, juntamente a tantas outras emoções que desejei que sumissem para sempre.

Dele nunca soube de absolutamente nada. Sumiu como se não tivesse existido, o que me foi libertador, e em momento algum senti vontade de procurá-lo e espero que daqui em diante, ele não faça questão alguma de me procurar também.

Depois de limpar a cozinha e a louça do café da manhã, deixei a bolsa e a chave do carro em cima da mesa, teria de estar na cafeteria as nove, portanto, fechei e tranquei todas as janelas, acionei o alarme antes de sair, seria maravilhoso aproveitar o dia, todavia, tinha trabalho a ser feito ao menos na parte da manhã.

VELARK | PART I E IIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora