... estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.
— Clarice Lispector.
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JÉSSIKA SCARLETT
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Depois da aparição maldita do homem que deveria ter me deixado em paz, o medo e o anseio para acabar com toda a possibilidade que ele tenha em controlar minha vida, trouxe atos pouco analisados. Levei pouco tempo para reservar passagens para Zurique, o restante foi organizar documentos e malas, a todo momento agi no automático, sem me preocupar com nada e nem ninguém além de mim mesma.
No caminho para o aeroporto, flashes da noite anterior vinham sem pausa. Lembrar dele era um inferno, suas ações sentenciadas sem que eu tivesse meios de me defender. Quando acordei, ainda estava desorientada pela bebida batizada, não quis procurar saber como ele chegou e como conseguiu acesso ao meu apartamento - nada importava, nada além do meu cansaço e das marcas visíveis e invisíveis que carrego por sua causa.
Ao desembarcar na Suíça, a realidade vinha devagar, recordo da psicóloga buscando formas de não permitir que eu siga adiante com o propósito da primeira sessão. Se ao menos ela soubesse de toda a verdade, acredito que mesmo assim, jamais seria conivente com o suicidio de alguém.
Entrei no taxi e esperei quase um minuto para minhas malas serem guardadas e o carro seguir para o hotel em que estou hospedada. Pensei que como encerramento, poderia usufruir de um bom lugar e do dinheiro exorbitante em minha conta bancária.
Seria a última vez.
Pesquisei bem antes de escolher o hotel Vitznau, mediante as imagens e descrições, senti certa paz e por este motivo, reservei o quarto que me daria a visão privilegiada do lago Lucerna.
A paisagem era de tirar o fôlego, era difícil estar em um lugar digno de descanso e ter em mente que tudo se encerraria em breve, poderia sim voltar atrás, todavia, não me vejo liberta da sombra que ele havia se tornado, enquanto viver, estarei sempre com medo do seu próximo passo.
Na suíte, deixo a mala perto da cama e caminho com cuidado para não quebrar nada, abro as portas da sacada e permito o ar fresco entrar. Respirei fundo algumas vezes, enquanto meu celular vibrava, anunciando uma nova mensagem da minha mãe, meu coração acelera e a culpa começa a circular de modo sufocante.
Depois do banho e pedir o almoço, respondo as mensagens e deixo o celular em modo avião, precisava pensar, precisava recapitular e talvez reconsiderar a decisão que me levará a ruína e trará dor inimaginável aos meus pais. Os únicos que tenho e que me amam, me deram apoio e amor sem ter a mínima consciência do que passei nas mãos do homem que deveria ter morrido.
O descanso era preciso, no entanto, optei por conhecer um pouco o hotel antes de ir a igreja, algo que não fazia a tempo suficiente para me sentir indigna de estar em um ambiente sagrado.
Uma das gerentes me acompanhou e apresentou alegremente todas as áreas internas e externas, contando a história do hotel com tanto ânimo que apenas fiquei em silêncio, absorvendo as informações e pontuando apenas o que me trouxe curiosidade.
Levou um bom tempo que não percebi passar, depois de agradecê-la, informo a recepção para que tragam o carro alugado, queria conhecer melhor os arredores, portanto, a igreja ficaria para o dia seguinte. O manobrista trouxe o modelo Aston Martin DBS vermelho sangue, foi minha escolha antes do embarque, afinal, se fosse para morrer, pelo menos deveria usufruir do que o dinheiro pode oferecer.
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VELARK | PART I E II
FantasiaSebastian Velark. Um homem poderoso. Por trás de uma bela aparência e um corpo de arrancar suspiros de muitas, há algo tremendo, maligno e demoníaco. O que ele quer ele tem e não importa o que tem que fazer. Se for preciso matar, então que seja. "Ma...
