Capítulo 1 • ❝Viagem e suas consequências❞

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Capítulo 2 — Viagem e suas consequências.

10 de fevereiro, 2021,

Xiao Zhan abaixou a cabeça, completamente indeciso. Ele já havia passado por momentos bastante difíceis antes, não teve uma vida fácil, sinceramente, mas... Agora, ele estava tendo a pior fase da sua vida.

Estava vazio, depressivo e tudo o que mais queria era sumir.

Mas não podia.

Fraco, sua mente sussurrou. A voz dele o fazia querer chorar, gritar e espernear. De medo, de ódio.

Mas então... Escapar? Xiao Zhan tinha certa noção de que a intenção dos seus irmãos de ir para Gusu era para que escapassem dele. Mas... Parecia impossível, escapar do outro, se ver longe daquele monstro, quando tudo que a mente de Xiao Zhan o mostrava, era flashback horríveis e dolorosamente horrendos de tudo que passou.

Como fugir de algo que estava inteiramente e completamente o torturando em sua mente?

Ele estava cansado, exausto. Se sentia perdido e completamente sem rumo.

Contudo, ele confiava em seus irmãos. Se eles o estava dizendo que ele estaria seguro em Gusu, então... É para lá que iriam.

— Irmãos...

Os dois o olharam, esperançosos. Seus olhos brilhavam de antecipação, os dois queriam protege-los e leva-lo até o local, se o irmão não quisesse, seria uma escolha que afetaria não apenas a ele, mas todos os três.

Entretanto, eles não ligavam para isso. Não vendo o estado sofrido daquele que aqueles que ambos mais amavam no mundo.

Eles eram o trio mais unido do mundo todinho, todavia, Xiao Zhan estava perdido em um mar de sofrimento, culpa e de autopunição.

Por mais que tentassem com todas as forças, eles não conseguiam salvá-lo. Era Xiao Zhan que deveria ter o primeiro passo, só ele conseguiria. E os dois irmãos sabiam, esse era o problema. Ele não se sentia merecedor de um futuro.

— Nós vamos para Gusu.

Zhuocheng e Xuan Lu se sentiram aliviados pela primeira vez em meses. Eles sabiam que estariam seguros ali, assim como teriam sempre a certeza de que Xiao Zhan estaria sendo bem cuidado. Eles teriam ajuda, e era exatamente isso que precisavam.

Zhan tentou sorrir ao ver que os seus irmãos o olhavam. Não adiantou muita coisa, seu coração estava vazio e sua mente um turbilhão de sentimentos muito grandes para que conseguisse sorrir e tudo que resultou foi um puxar de lábios que mais parecia uma careta dolorosa.

Mas os seus irmãos sabiam que valia o esforço.

Fazia quatro dias, quase uma semana, que o do meio estava no quarto. Naquela situação que quebrava o coração dos irmãos.

Era a primeira vez que ele tentava sorrir. Foi a primeira em dias que ele se mexeu e parou de chorar. Primeira vez que ele falou com os irmãos. Primeira vez em que ele falou alguma coisa ao invés dos pesadelos que o faziam gritar a noite.

Eles estavam torcendo e pedindo a todos os deuses e divindades que conheciam para que quando chegassem em Gusu, conseguissem fazer aquele Xiao Zhan alegre, divertido e espontâneo sair daquela casca quebrada e defeituoso.

Infelizmente, essa jornada estava apenas começando.

[...]

Zhuocheng tinha a sua bagagem de mão e a do seu irmão nas costas — a bagagem dos dois eram as próprias mochilas — enquanto sua passagem e identidade estava nas mãos, apenas a espera de entrar no jatinho particular deles.

Lu estava com a sua bolsa em uma mão e as sua passagem e do seu irmão na outra. 

Eles não arriscariam pegar um transporte público, em que alguém correria o risco de reconhecer um dos três. Nenhum dos irmãos gostaria que as suas identidades fossem descobertas, afinal, os dois precisavam esconder Xiao Zhan de todos. E o todos significa que até mesmo aqueles que deveriam ser considerados próximos também não saberia aonde nenhum dos três estavam indo.

Não podiam correr o risco dele o descobrir. Xiao Zhan mais do que nunca precisava estar seguro. Os irmãos precisavam que ele estivesse.

O corpo de Xiao Zhan ainda estava debilitado e levemente frágil, o medico que o atendeu — em casa, porque não queriam causar suspeitas ou alardes que acabassem alertando a mídia e, consequentemente, ele, aonde Xiao Zhan estava – o disse que ele ainda deveria ter duas semanas de repouso intenso e que não deveria de jeito nenhum pegar peso.

O psicólogo encarregado da família o liberou já tinha dois dias para que pudesse fazer uma viagem. Song Jiyang apenas o disse que caso sentisse algo — falta de ar, tivesse outro ataque de pânico — ele deveria o ligar imediatamente.

A não ser os próprios irmãos, Jiyang e Haoxuan, marido do primeiro citado e grande amigo de Xiao Zhan, que inclusive, ajudou Zhuocheng e Xuan Lu a o acharem, mais ninguém sabia.

Os únicos que tinham o direito de saber estavam mortos.

Xiao Zhan não considerava uma mochila como algo pesado, mas Zhuocheng e Xuan Lu não o deixaram falar nada e apenas negaram diversas vezes qualquer ajuda que ele tentava dar, apenas o lançaram um olhar raivoso que o fez recuar instantemente.

Xiao Zhan não contaria a ninguém que ele recuou porque sua mente lhe pregou peças e o que ele tinha visto ao invés do olhar dos irmãos, era o olhar raivoso e odioso do monstro.

Jiyang o avisou que ele teria alguns lapsos de memória, que o fariam lembrar do que aconteceu enquanto estava com ele. Era normal enquanto lutava contra traumas que você lembrasse de algo que aconteceu e travasse, se sentisse assustado ou tivesse lembranças – sejam elas físicas, em que você podia sentir, sonoras, em que você ouvia o que havia acontecido ou sensitiva, em que você sentia as mesmas sensações de quando ocorreu.

E ilustrativas, quando você via. Podia ser em meio a um transe ou em sonho – pesadelo.

Xiao Zhan, entretanto, nunca contou, que a voz do monstro não aparecia ocasionalmente para ele. Ela nunca havia saído. As palavras duras, as sensações, a dor, elas nunca o deixaram.

'Eu vou estar com você para sempre, meu coelhinho, mesmo que tenha que ser em pesadelos'.

Zhuocheng e Xuan Lu apenas torciam para que desse tudo certo na viagem. E as suas consequências pudessem ajudar Xiao Zhan referente aos traumas.

Eles fariam tudo ao seu alcance para que voltasse a ser feliz, mesmo que soubessem que Xiao Zhan não achasse que pudesse.

Como ele mesmo disse, cascas não se consertam.

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