Capítulo 2 - A cidade grande

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Janeiro de 1988

Eu fiquei o mês inteiro tentando aproveitar o máximo os meus últimos dias na fazenda.
Era tão difícil ter que deixar toda uma vida para trás. Claro que dezesseis anos não pode-se dizer que é muito tempo, mas isso tudo fazia parte dos melhores momentos da minha vida.
No meu ultimo dia na fazenda resolvi dar uma volta com o Tom, enquanto cavalgava fui conversando com ele sobre a minha partida, ele parecia saber exatamente o eu lhe falava, piscava os olhos tristonhos, deixei uma lágrima cair. Chegando no celeiro vi Cristhyan se aproximar. Desci do Tom e fui ate ele e ele me puxou
- Vem cá maninha me dar um abraco!

- voce não vai sentir falta Cris? - Sussurrei com a cabeça encostada em seu peito.

- Claro que vou, mas acho que vou gostar mais de lá, e voce também.

Eu sorri o abraçando mais forte.



Washington, janeiro de 1988

Ao chegar em Washington, percebi o quão era diferente, tantos barulhos, buzinas, pessoas passando pra la e para cá, sempre apressadas. A casa nova até que era legal, mas achei estranho pois na fazenda as casas mesmo sendo longe uma das outras os vizinhos procuravam sempre ir cumprimentar os novos vizinhos. Aqui acho que nossos vizinhos nem perceberam que tem gente nova ao lado.

Minha mãe bateu na porta do quarto enquanto eu arrumava minhas coisas.

- Entre mamãe! - Eu sabia que era ela, pois era a única que batia na porta mesmo estando aberta.

- Filha podemos conversar?

- Claro mãe.

- Querida eu sei que não gostou de ter vindo, mas eu e seu pai... - Antes que ela terminasse eu continuei: - "So querem meu bem..." eu ja sei disso. Não precisa se sentir culpada, eu amo a senhora e o papai, não gosto daqui, mas eu vou me acostumar.

- Que bom ouvir isso filha. - Disse ela segurando minha mão.

.....

No meu primeiro dia de aula me senti a Super-estranha, mas fiquei admirada pois nunca tinha visto uma escola tão grande e bonita. Procurei minha sala, cheguei ja tinha muita gente na sala, tantos olhares, que vergonha! Acho que não conseguiria nunca conhecer todas aquelas pessoas, na minha antiga escola eu conhecia todos, afinal era pequena, e não tinha tanta gente assim. Essas pessoas não param de me olhar será que sou a única novata?

A professora entrou na sala fechando a porta atrás dela, eu esperava que ela não fizesse todos se apresentarem e foi exatamente o que ela fez.

- Me chamo Mency Connor pra quem não me conhece, mas me chamem de Sra. Connor por favor, vou ser a professora de vocês de Literatura, agora quero conhece-los. - ela apontou o dedo indicador para a primeira garota que estava na primeira fila mas proxima a ela, e disse: - Você?

- Sara Lee. - respondeu a garota.

- Stra. Lee nos fale um pouco sobre você. A turma quer conhecê-la...

- Eu... bem... - A garota parecia estar nervosa. Até eu ficaria assim, essa professora tinha um ar de durona, chega a dar medo.
Ela continuou falando e eu estava tão perdida nos meus pensamentos que nem vi que ela ja estava no próximo aluno.

- Você? - Ela apontou para um garoto que estava sentado na segunda fila.

- Álex Sanders, eu tenho dezesseis anos, sou daqui mesmo, vim transferido de outra escola.

- okay. E Você? - Ela apontou para outro garoto da mesma fila. Eu supus que ela so estava perguntando de quem era novato.

- Raphael Chappel. - Ele disse, sua voz era tão doce e tão calma e pude ver que ele era muito bonito, na verdade acho que nunca vi um garoto tão bonito, mas demostrava ser tão tímido, sem olhar para os lados, somente para frente, cabelos lisos, loiros, olhos azuis iguais ao mar...

- Você? - ouvi a Sra. Connor, olhei e ela estava olhando para mim.

- Quem? Eu? - Eu perguntei vendo que ela estava olhando em minha direção.

- Não, a garota que acabou de acordar! - Disse ela ironisando, so que eu nao me dei conta, e comecei a procurar a tal garota olhando para toda a sala, e todos ficaram rindo de mim, eu não sabia se ficava envergonhada, ou se ria com eles para disfarçar, mas era impossivel disfarçar esse mico, que ódio, queria ser abdusida agora para um planeta distante onde eu possa enfiar minha cabeça num buraco e ficar lá pro resto da vida.

- Chega! - falou mas uma vez a Sra. Connor, fazendo a turma ao poucos pararem de sorrir de mim. Então ouço outra voz vindo do fundo da sala:
- É voce sim gatinha, presta mais atenção deixa pra viajar outra hora.

A voz era de um garoto, eu olhei pra trás rapidamente e vi que ele sentava-se na última carteira, ele estava praticamente deitado, sentia-se super a vontade daquele jeito, que folgado! pensei.

E mas uma vez ouvi a Sra. Connor:
- Você vai nos falar seu nome mocinha? estamos esperando!

- Sim, claro! me chamo Thífanie Dolz, eu não sou daqui, sou de Tucson ao norte do Arizona, é uma cidade pequena sabe. - Enquanto eu falava olhei para o Raphael e vi que ele estava me olhando, e eu corei.

- Seja bem vinda Senhorita Dolz. - Disse ela me interrompendo, antes que eu pudesse terminar de falar. -  Espero não vê -la mas dormindo em minhas aulas. - Ela continuou.

A garota sentada ao meu lado disse sussurrando:
- Bem Vinda!
Ela tinha cabelos castanhos lisos e curtos, pele clara, devia ter minha idade.

Eu sorri timidamente para ela, e ela fez o mesmo. A aula toda foi um tédio, no recreio, a garota que falou comigo na sala veio falar comigo:
- Oi, sou Erica, tudo bem?

- Oi, estou bem sim, obrigada!

- Thífanie não é? - Ela perguntou e eu confirmei com a cabeça e ela continuou. - O que esta achando da escola?

Um horror! Pensei, para um primeiro dia de aula, queria sumir.

- legal! - Eu disse por fim.

- Vem cá. - Ela saiu me puxando pelo braço. - aposto que não sabe nem onde fica o banheiro feminino.

Ela me levou pra conhecer a escola inteira. Estávamos voltando para sala, quando vi ele, o garoto que chamou minha atenção, ele é simplesmente perfeito, alto, cabelos castanhos claros encaracolados, olhos castanhos claros, e eu pensando que Raphael era bonito, mas esse, ele era realmente lindo! Erica me viu olhando para ele.

- O nome dele é Mike. - Ela interrompeu meus pensamentos.

- Oi, o que disse?

- O garoto que voce nao para de olhar, ele se chama Mike. Disse ela apontando discretamente.

- Ah sim, é que ele...

- É um gato não é? Isso é obvio, mas a fama dele não é boa não. - Ela disse balançando a cabeça.

- Como assim não é boa?

- Ele é um daqueles garanhoes da escola, gosta de pegar todas, e se acha o máximo.

- Então ele é um idiota? - Eu disse.

- Completamente! - Disse ela me puxando pelo braço para entrarmos na sala de aula.

O EnviadoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora