Sobrevivência

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Estava escuro, e algumas árvores se mexiam, uma garota jovem, fugia desesperada. Ela se escondeu atrás de uma árvore e esperou por alguns segundos. Vários galopes passaram as suas costas, a garota se agaixou mais um pouco tentando se esconder. A luz do luar iluminou o rosto da garota, era Amilan, havia vários cortes em seu rosto, sua boca estava seca e parecia que não se hidratava a dias.

O cabelo bagunçado e sua roupa toda rasgada, parecia que estava fugindo de algo ou alguém a semanas, ela se levantou devagar para olhar por onde os cavalos tinham passados, e viu que havia apenas ela, a floresta e os animais, Amilan suspirou profundamente, e avançou mais a dentro do matagal, desceu um morro, e viu um riacho, correu desesperada em direção a ele, enclinou seu corpo juntou suas mãos e bebeu.

Ela sugavam a água para dentro de sua boca seca, permaneceu ali por alguns minutos. Juntou sua mão novamente e lavou seu rosto ferido. Amilan se levantou e inspirou o ar suave que as plantas e o riacho exalavam. A garota olhou para o céu e viu milhares de estrelas e se sentiu desolada.

Ela deu um passo para trás, girou seus calcanhares quando tomou um susto com um ser parado a sua frente, ele era alto, vestia uma roupa de couro preta, encapuzado, um Ozis.

Ela olhou para escuridão de seu rosto, estava parado imóvel com uma espada na mão e a outra nas costas. Os dois ficaram parados por um tempo se olhando, Amilan levantou suas mãos fechadas em posição de luta, determinada enfrentar ele, demonstrando coragem mesmo estando extremamente exausta.

Sem exitar ela partiu para o ataque, tomou um impulso em sua perna e chutou com força o abdômen do inimigo, ele caiu de costas mas logo deu uma cambalhota.

Se levantou e correu em direção a Amilan, levantou a espada para cima e avançou pra cima da garota, mas antes que a espada pudesse bater em si, com um reflexo apurado ela segurou a lâmina com as próprias mão em um ato de defesa, já que estava desarmada.

O adversário fez força, projetando sua espada contra ela, as mãos de Amilan que seguravam a lâmina, começaram a escorrer sangue. Sem tirar seus olhos do Ozis, e sem expressar fraqueza, ela sentiu a raiva pulsar em suas veias, era a sua força contra a do ser.

Deixou o instinto de sobrevivência tomar conta de seu corpo, e quebrou a lâmina da espada do Ozis com as próprias mãos, a espada caiu no chão em duas, e a entidade agarrou Amilan pelo ombro e enfiou vários socos e joelhadas em sua barriga.

Sentindo sua mão arder por causa do veneno da espada, ela dominou sua mente impedido de sentir a dor. Em questões de segundos ainda recebendo os golpes do Ozis, ela inclinou seu braço pra trás e enfiou um soco em seu queixo tão forte que o homem voou alguns metros. Ela sentiu um gosto de sangue em sua boca e cuspiu.

O Ozis se levantou novamente e Amilan sentiu mais raiva ainda. Quando ela olhou para seu rosto viu que sua máscara estavam rachada, forçou seus olhos para enchegar algo por trás, mas apenas viu um vácuo.

Ela levantou suas mãos e percebeu que o corte por onde saia sangue agora expelia um líquido preto e as veias de suas mãos pulsarem um preto assustador. Ela olhou chocada para os ferimentos, sacudiu suas mãos mas elas não fizeram o que Amilan queria, começaram a ficar imóveis e duras, ela não sentia mas o movimento dos pulsos, a garota tinha ficado tão perplexa com a perda de suas mãos que nem notou que o Ozis se aproximou dela sorrateiramente e lhe devolveu outro soco no rosto.

Amilan caiu no chão, tentou mexer seus braços mas eles não se mexeram, estavam paralisados, ela tentou lutar com o resto de seu corpo mas foi inútil.

O Ozis se aproximou por cima do corpo dela, pegou violentamente pelos seus cabelos e obrigou Amilan ficar ajoelhada. Ela olhou com um profundo ódio, raiva e fúria para o demônio, tentando machucá-lo de alguma forma nem que fosse pelo seu olhar.

Ele se posicionou a frente dela. Amilan inclinou a cabeça para trás e olhou para as estrelas pela última vez, e um sentimento conhecido surgiu novamente, seu último desejo era ver uma borboleta, qualquer que fosse, era seu último desejo antes de morrer.

Ela levantou a cabeça e olhou para o Ozis, ele puxou sua segunda espada das costas, segurou o ombro de Amilan, e atravessou sua lâmina cruelmente sobre o coração dela. Ela não sentiu dor, não sentiu nada. Apenas um gosto pior de sangue surgir em seu paladar. O Ozis puxou a lâmina de volta e jogou o corpo sem vida da garota no chão, como se ele não valesse mais nada.

Em movimento rápido, Loki acordou da cama desesperado com a mão apertando seu peito, seu corpo estava todo suado, e seus cabelos negros estavam úmidos, Loki demorou entorno de uns vinte minutos para assimilar que aquilo tinha sido um pesadelo. Sentiu uma pequena dor aguda no lugar onde tinha sido realmente esfaqueado. Ele inspirou sugando o máximo de ar possível, e expirou o ar assoprando.

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