Capítulo 17 : Libertado

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Harry passou horas de seus dias tentando ativamente não pensar em Snape. Ele tinha um trabalho mais fácil quando não via o homem, mas às vezes nos piores momentos as memórias vinham, seu corpo se lembrava do toque das penas, dos dedos acariciando seus cabelos, o gosto de menta e ele se perdia, como se o mundo de repente deixasse de existir.

Sua mente ainda se rebelava contra a ideia. A única parte sóbria dele que insistia nisso era loucura, que certamente havia uma explicação razoável que poderia ser culpada de que ele não estava de fato loucamente atraído por Severus Snape. A magia do homem poderia ter sido a solução mais fácil, poderia ter explicado tudo, exceto aqueles momentos em que não havia nenhuma magia, apenas um rosto pálido perto de sua coxa, lábios secos a centímetros dos dele que ele queria tanto provar. Não explicava por que ele queria pressionar as costas de Snape, forte e necessitado, por que ele queria aqueles dedos longos ao redor dele, aliviando a tensão de seu corpo.

Harry foi de aula em aula, estudou, escreveu dever de casa, comeu. A noite lentamente se transformou em manhã, os dias se arrastaram, e o único momento em que ele se sentiu acordado foi quando pôde ver Snape, mesmo que por apenas um piscar de olhos, mesmo que a vários metros de distância. Já fazia muito tempo desde que a corça veio buscá-lo, e sua única esperança de um encontro pessoal eram as noites habituais de domingo.

Snape poderia ter dado a ele um pedaço de papel sobre a hora do próximo encontro e a senha para o escritório do diretor. Ele poderia ter enviado uma coruja, ou mesmo outro aluno ou um membro do corpo docente.

Mas é claro, Snape não era um homem comum e, portanto, naquele domingo, no início da tarde, Harry se viu em uma sala de aula vazia perto do Salão Principal, onde havia seguido um passarinho preto.

Harry ficou na sala mal iluminada e observou o pássaro circular ao seu redor até pousar em seu ombro. Harry pressionou sua cabeça contra as penas macias, seus olhos fechando com contentamento. Seu corpo reagiu ao pequeno toque imediatamente, agarrando-se a ele como se Snape fosse o ar fresco que lhe foi negado.

O pássaro mudou, se transformou, Harry podia sentir o calor de um corpo atrás dele, o peso de uma mão ainda em seu ombro.

"Eu posso sentir que você está me observando, Sr. Potter," Snape disse em uma voz calma e suave que zumbia ao redor deles na sala de aula vazia. "Seus olhos me seguem no corredor, eles me inspecionam quando eu ando, quando como, quando eu falo. Mesmo quando eu me tranco, posso sentir seu olhar em mim."

Estremecendo, Harry tentou não se mover. Ele suspeitou que não seria apenas seu olhar em Snape, se dependesse apenas dele.

"Eu fiz alguma coisa para merecer sua suspeita?" Snape questionou ainda em voz baixa, falando devagar como se medisse cada palavra. Ele parecia quase ansioso. "Talvez eu tenha ultrapassado uma linha que nunca deveria ser cruzada?"

Arrepios percorreram os braços nus de Harry e ele engoliu em seco. Ele poderia dizer sim e então tudo pararia. Depois de todos esses meses de aulas, Snape ainda estava perguntando a ele, ' Isso te incomoda' e Harry ainda não tinha uma resposta melhor do que uma simples mentira.

"Não." Harry sussurrou com uma voz fraca.

Snape não cruzou nenhuma linha, mas Harry estava dançando sobre eles, desgastando-os, demolindo-os até que ninguém pudesse dizer que eles estavam ali.

"Isso significa," Snape perguntou baixinho perto dele inesperadamente, fazendo-o respirar fundo, "que você ainda confia em mim?"

Unrestrained - SnarryOnde histórias criam vida. Descubra agora