3. Encontros estranhos

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Quando descobri que poderia viajar para qualquer lugar do mundo sem sair de casa não parei mais de escrever. Era incrível dar vida a cenários e personagens que eu tanto amava. Dessa forma, eu também poderia visitar minhas amigas e minha prima que eu não via desde que me mudei de cidade. Eu sentia muita saudades delas. A maior parte do meu tempo eu passava cuidando do meu terceiro irmão, o Thiago. Nem Luiz nem Rodrigo moravam mais conosco e nossa mãe passava a tarde toda trabalhando, por isso, éramos só nós dois. Meus únicos passatempos eram escrever e ouvir música.

Em uma tarde enquanto eu escrevia, uma imagem se formou em minha mente e lá se fixou: Um rapaz moreno claro, com cabelos longos, que usava um macacão como nos anos 90. A princípio, ele ficou parado, sem nenhuma expressão. Depois, ele começou a imitar cada movimento meu. O que achei engraçado no início, tornou-se irritante. Tentei me livrar da imagem, mas por mais que eu tentasse, a imagem não sumia. Foi assim a tarde toda. Pensei que eu estava enlouquecendo até que aquele rapaz desapareceu com o por do sol, para meu alívio.

A noite quando adormeci, sonhei que eu estava no carro de um estranho. Ele estava triste e eu estava com raiva. Ele segurou a minha mão, disse que me amava e me pediu para fugir com com ele. Eu balancei a cabeça e disse que não podia, que estava comprometida com outra pessoa e que talvez, fosse melhor terminarmos. Ele insistiu para que eu não fizesse aquilo e saiu do carro, deu a volta e abriu a porta para mim. Eu desci do veículo e o segui até um hotel. Me entreguei aquele homem, mas ao contrário dele, não senti absolutamente nada. Eu não tinha certeza de porque estava ali, só sabia que queria que aquilo acabasse logo porque cada carícia e cada beijo me deixavam enjoada.

Despertei e levei algum tempo para me convencer de que fora só um só um sonho. Foi tão real que eu ainda podia sentir a presença daquele homem. Apesar de não gostar daquele sonho, eu fiquei com pena do homem porque ele realmente parecia apaixonado por mim. Me virei e fechei os olhos, voltando a dormir.

Na manhã seguinte, quando voltei da feira, o mesmo rapaz que vi em minha mente no dia anterior voltou, mas dessa vez, ele não estava sorridente. Parecia revoltado. Não me senti bem em sua presença e fiz o que pude para me distrair e ignorá-lo. Quando ele se foi, respirei, aliviada.

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A chave do portão costumava ficar sempre no mesmo lugar, mas sempre que nossa mãe chamava por nós para abrirmos o portão para ela, a bendita chave não estava no lugar aonde a deixávamos. Procurávamos por ela, feito doidos, sob as ameaças da nossa mãe, mas não importava o quanto a procurávamos, ela só aparecia quando desistíamos e estávamos a ponto de quebrar o cadeado, e ela sempre aparecia no mesmo lugar onde a deixamos antes. Mamãe achava que escondíamos a chave de propósito, até que um dia, vovó veio nos visitar e foi a vez de nossa mãe sofrer, procurando pela chave só para depois, encontrá-la no mesmo lugar.

Elas nos contaram que um homem morreu assassinado em uma briga no salão que costumava ser um bar, que fazia parte da casa, mas eu não tinha tanto medo de fantasmas e acreditava que aquilo só podia ser obra dos Elementais. Para descobrir se eu estava certa, uma vez quando a chave sumiu, eu disse que sabia que eram os Elementais e que acenderia três velas para eles se devolvessem a chave. A chave foi devolvida. Eu acendi as velas e a chave parou de sumir.

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Nos mudamos para a área central. A nova casa era simples, mas tinha um jardim que a tornava charmosa. Logo que coloquei meus pés na propriedade, senti algo estranho e pensei que ela seria assombrada. De uma forma estranha, parecia que havia alguma coisa viva e sombria nos arbustos. Eu confesso que levei algumas semanas para me sentir a vontade no jardim.

Minha mãe, agora, ia trabalhar de manhã e voltava por volta das cinco da tarde. Eu me deitava na sala todas as manhãs e dormia no sofá por algumas horas, mesmo que minha mãe não gostasse muito. Em uma manhã, como de costume, eu me levantei e fechei para fechar o portão para a minha mãe. Quando ela se foi, eu deitei no sofá e quando já estava pegando no sono, ouvi a voz de minha mãe me chamar. Me levantei, apressada e fui correndo abrir o portão, mas quando eu o abri, não havia ninguém. Fui para a calçada e olhei para os dois lados. Não havia ninguém nas ruas. Eu voltei para a casa. Aquela não foi a única vez que ouvi aquela voz. Ela sempre me chamava quando minha mãe não estava em casa, e sempre vinha do lado de fora do portão, até que passei ouvi-la quando minha estava em casa, e lembro que uma vez, ela me chamou e disse:

— Eu vou entrar.

Achando que era a minha mãe, eu disse:

— Entre.

Quando ninguém passou pelo portão, eu senti um arrepio. Me lembrei que minha avó sempre falava para não responder quando uma voz chamasse por mim, e eu respondi. Desde então, sempre que a voz me chamava, estava no jardim e eu tinha tanto medo de ir para o jardim ao anoitecer.

Quando minha mãe me presenteou com um novo livro sobre ninfas, eu senti um misto de alegria e medo ao me dar conta de que de todos os Elementais, as ninfas eram as que estavam mais próximas dos humanos, habitando as árvores e arbustos. Pensei que talvez aquela voz pertencesse a uma ninfa, afinal, tinha uma árvore na calçada e ela poderia ter se mudado para a do meu jardim. Enfrentei o meu medo e me esforcei ao máximo para deixar de ver as plantas como um monte de mato inútil e ganhar a confiança das ninfas porque eu queria confirmar se elas eram reais. Em uma noite, eu tive essa confirmação.

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⏰ Última atualização: Jun 08, 2021 ⏰

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Coração de Bruxa (Sendo Reescrita)Onde histórias criam vida. Descubra agora