Capítulo 44 - Don't forget that

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Cheryl POV

Cinco meses. 152 dias. 3600 horas. 2160000 segundos. Nunca fui muito boa em matemática, para ser sincera essa era uma das matérias que eu sempre tirava nota baixa na escola, mas depois que sua vida gira em torno do tempo você começa a contar os segundos, minutos, horas... As horas viram dias, os dias viram semanas, as semanas viram meses, os meses viram anos e os anos vão passando, vão te massacrando, vão pisando em você de um jeito que você não consegue nem mais levantar do chão.

Primeiro mês: Provavelmente foi um dos piores, não que os outros tenham sido fáceis, mas aquela angústia de não saber o que estava acontecendo e não ter como ajudar me matava a cada dia, entrar naquele quarto e ver Toni deitada em uma cama de hospital não estava me fazendo bem. Eu chorava todos os dias quando sentava ao seu lado e pegava sua mão, tentando encontrar algum sinal de que ela estava ali comigo, mas a única resposta que ganhava era o barulho das máquinas.

Segundo mês: Não foi muito diferente do primeiro, o sentimento de impotência era o mesmo, mas eu percebi que tinha duas crianças que estavam tão confusas e apreensivas quanto eu, principalmente Sophi. Era lindo ver Dany, mesmo com a pouca idade, dando conforto e tentando a todo custo distrair a minha pequena, sua irmã, eles não sabiam disso ainda, mas tinham uma ligação tão forte que ia além de qualquer entendimento. Eles foram minha base para aguentar o que estava passando. Sophi que estava sendo cuidada por Jug, vinha ver a mãe todo dia e ficava conversando com ela também, deitava em seu ombro e chorava pedindo para que voltasse logo para ela. E isso me fazia sentir cada vez mais impotente.

Terceiro mês: O baque. Lembra do que eu falei que o tempo pisa tanto em você que levantar não é mais uma opção? Eu estava sem forças e completamente perdida e Deus escolheu aquele momento para complicar ainda mais minha vida e piorar o estado de Dany. Segundo Toni e Betty ele teria mais alguns meses graças a cura que elas inventaram para retardar o procedimento, acontece que não retardou o necessário e em mais um dia que era para ser "comum", lá estava eu naquele observatório mais uma vez temendo de novo pela vida de não só uma, mas das duas pessoas que eu mais amava. Sim, Sophi era extremamente necessária naquela cirurgia de risco, já que ela era a ponte para a cura do meu filho. Eu não queria submetê-la a algo tão complicado, sendo que o que ela estava passando não era nada fácil. Mas lhe explicamos toda a situação e ela prontamente, entendendo os termos como uma verdadeira amante da Medicina, concordou em salvar meu filho. Meus filhos. Era um Deja vu muito filho da puta, se quer saber... E como para comprovar o que eu estou dizendo, lá estava Betty mais uma vez provando que ela era um anjo que Deus mandou para a minha vida com a missão de salvar a vida daqueles que amo e me permitir desfrutar de uma felicidade plena depois de tanto sofrimento.

Quarto mês: É, a cirurgia foi um sucesso e agora Daniel e Sophia estavam se recuperando muito bem, principalmente Dany já que a sua situação era mais complicada, diferente de sua mãe que continuava na mesma situação. Eu praticamente vivia no hospital, meus amigos faziam de tudo para que eu me alimentasse corretamente e para que eu não me afundasse cada vez mais como da vez que Toni "morreu", mas o que eu poderia fazer? Eu não deixava as pessoas se aproximarem, estava me fechando cada vez mais e dividia meu tempo apenas entre cuidar dos meus filhos e observar Toni e conversar com ela. A única que conseguia quebrar minhas barreiras era Betty, acho que esse era o mínimo que eu poderia fazer por ela já que ela fez tanto por mim. Ela estava cada vez mais integrada na equipe médica do hospital, amiga de todos e salvando vidas pra lá e pra cá, ela sempre arrumava um tempo de passar no quarto de Toni para avaliar como ela estava e conversar alguns minutos comigo. Fomos nos aproximando tanto que posso afirmar que sua presença se tornou algo essencial em minha vida.

Quinto mês: Não que eu estivesse conformada, claro que ainda restava esperança dentro de mim e eu lutava com todo o meu ser para continuar acreditando, mas estava difícil... Sempre que podia sentava com Betty e Derek para tentar entender melhor o estado de Toni, mas nem eles entendiam direito o que estava acontecendo já que os exames só poderiam ser feitos quando ela acordasse, ou seja, estávamos todos a espera de um milagre. Dizem que quando você deposita toda a sua fé em algo e acredita naquilo com todo coração, não tem força negativa ou empecilhos que te impeçam de alcançar o que tanto deseja. Eu depositei toda a minha fé em Toni, meu coração estava completamente imerso no tsunami que era aquela situação. E finalmente, Deus me escutou e concedeu o milagre que tanto esperávamos.

Remember Me - versão CHONIOnde histórias criam vida. Descubra agora