Capítulo II

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Após a euforia da despedida eles começam a procurar seu quarto pelos imensos corredores — 60, 60 cadê o 60? — Murmura Wei Ying se localizando pelos números que tinham todas as portas — Ah, é aqui — diz ele abrindo uma porta e entrando, Huaisang logo atrás de si — Oi muito prazer, Wei Ying — diz ele comprimentando os dois colegas de quarto que já estavam acomodados em suas camas. Enquanto isso Huaisang aproveitou pra discretamente se apossar da cama beliche de cima provocando Wuxian. Enquanto os dois bricavam entre si os homens que estavam no quarto se olharam se pergutando o que tinha acontecido com seus companheiros originais de viagem.
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— Esse é seu convés de passeio particular, deseja mais alguma coisa? — diz um dos servos tripulantes apresentando o lugar para Wen Chao, que logo o dispensa negando ajuda. Ele faz seu caminho de volta para a suíte e para na porta observando Lan Zhan arrumar várias pinturas — Ah, por favor não vem com essas pinturas a dedo de novo é um desperdício de dinheiro — diz ele bebericando seu copo de uísque. Lan Zhan suspira e diz sem levantar seu olhar — Elas são fascinantes... é como um sonho. Há verdade mas não há lógica. — Debochando Wen Chao diz — Qual era mesmo o nome do artista? — Lan Zhan responde vagamente não querendo adentrar uma discussão — Alguma coisa Picasso.. — ele diz e pega uma das pinturas a levando para outro cômodo encerrando o assunto ali.

— Humf, Alguma coisa Picasso? Não vai ter sucesso! Não vai, acredite. — diz ele se aproximando de Wen Zhuliu que chegara ali mais cedo para ajudar na organização — Pelo menos foram baratos — resmungou.
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Na tarde seguinte..

Wei Ying e Huaisang estavam na proa do navio admirando o vasto oceano, quando Wuxian o sacudiu de repente apontando para a água e dizendo — Olha, olha, olha!! Ali!! Está vendo?! — Ele diz animadamente mostrando a Huaisang um grupo de golfinhos que nadava à frente do navio como se apostando uma corrida. Os dois estavam aproveitando o momento, Wei Ying subiu na grade para ter uma vista melhor, enquanto Huaisang dizia brincando — Wei Xiong, acho que já estou vendo a estátua da liberdade! bem pequena é claro... — Ele demonstra o tamaninho com os dedos, fazendo Wei Ying rir.
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Wangji estava sentado a mesa do almoço com Wen Chao, sua mãe e mais algumas pessoas da nobreza conversando sobre o navio e trocando elogios entre si. Entre as pessoas na mesa estava Wen Qing uma mulher a quem sua mãe se referia como sendo uma "nova rica" pois sua família havia encontrado uma mina de ouro, mas ele não tinham um nome influente antes disso.

Wen Chao pergunta o que Lan Zhan quer comer, mas antes que ele tenha a chance responder ele decide pedir um bife de ovelha. Lan Zhan realmente não queria estar ali naquele momento sentado a mesa com aquelas pessoas, sua mãe inclusa. Wen Qing vendo aquilo diz de forma irônica — Vai querer cortar a carne para ele também Sr. Chao? — Ele apenas a olha secamente decidindo que não valia comprar briga com alguém que considerasse inferior.

Wen Qing novamente se pronuncia, mas dessa vez se dirigindo à um dos homens na mesa, que era responsável pelo projeto do navio — Quem foi que pensou nesse nome, Titanic? — Ele responde orgulhosamente — Na verdade fui eu mesmo, eu quis me referir ao tamanho, não somente ao tamanho físico, mas a estabilidade, o luxo e acima de tudo, a força.

— Já conheceu o Dr. Freud, Senhor Ismay? — Wangji diz suas primeiras palavras daquela tarde — As ideias dele sobre a preocupação dos Alfas com o tamanho das coisas podem ser de seu interesse — Disse ele arrancando algumas risadas discretas das pessoas ali sentadas. Sua mãe lhe repreendeu com o olhar, dizendo friamente em seguida — O que é que deu em você? — Após isso Lan Zhan pede licença e se retira da mesa.

— Eu peço desculpas — Diz sua mãe na tentativa de quebrar o silêncio constrangedor que se instaurou na mesa — Ele tem uma personalidade forte, espero que consiga lidar. — diz Wen Qing provocando Wen Chao que responde secamente — É melhor eu começar a me interessar pelo que ele lê de agora em diante, não é mesmo Senhorita Qing?

Lan Zhan se sentia tão sufocado perto de pessoas assim, nada parecia real, aquelas conversas fúteis e elogios vazios para acariciar o grande ego que tinham, ele sentia como se tivesse se perdido em um lugar tão distante que nunca se encontraria de novo,  tinham vezes que não conseguia manter essa fachada de ômega perfeito e cometia um deslize, como aconteceu agora. Era como se seu eu interior de tempos em tempos aparecesse para fazer mini protestos à realidade em que estava vivendo, mesmo sabendo que isso não mudaria nada.
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Wei Ying estava sentando em um dos bancos ao redor do navio, enquanto desenhava um homem que estava segurando sua filha nos braços lhe mostrando os pássaros no céu. Perto dele Huaisang trocava palavras com um rapaz que acabara de conhecer sobre o local onde o navio foi construído e outras coisas aleatórias.

Ele estava adicionando os últimos detalhes ao desenho quando ouviu alguns latidos, ele se arrepiou levemente finalmente prestando atenção ao seu redor e ao avistar alguns cães ele quase cai pra trás e se esconde atrás de um dos bancos dizendo baixo — Malditos safados da primeira classe trazem esses bichos aqui pra vir fazer cocô — os outros dois que assistiam a cena se dobravam de rir. O jovem que conversava com Huaisang falou depois de recuperar o fôlego — Eu pensei que você fosse um Alfa , mas você está com medo de alguns cães? — Wei Ying deliberadamente o ignora soltando um suspiro e colocando a mão no peito após de sentar novamente, ele procura por seu caderno de desenhos quando percebe que o jovem está com a mão estendida lhe devolvendo o caderno que tinha caído — Eu me chamo Jiang Cheng —Diz ele lhe entregando o caderno. Wei Ying o olha nos olhos e oferece sua mão dizendo com um sorriso — Wei Ying, prazer. Jiang Cheng logo pergunta — Ganha dinheiro com seus desenhos? — Wei Ying ergue o pescoço pra responder mas se distrai olhando alguém logo atrás do Jiang. Provavelmente aquela era pessoa mais bonita que ele já viu na vida.

Vendo que o Wei não respondia, ele seguiu seu olhar, encontrando um belo ômega que vinha andando até chegar na grade do andar superior e logo se apoiando ali com os braços cruzados, olhar perdido no horizonte.

— Olha cara melhor esquecer, deve ser mais fácil ver anjos voando do que se aproximar dele — diz ele numa tentativa falha de fazer com que Wei Ying acordasse de seu transe.

Sentindo o olhar de alguém sobre si, Lan Zhan vira o rosto e encontra um jovem lhe encarando fixamente, ele desvia o olhar, está acostumado com pessoas o olhando o tempo todo. Depois de alguns segundos porém ele continua se sentindo observado e olha naquela direção de novo e se surpreende em ver o rapaz ainda lhe encarando, o mesmo olhar intenso, dessa vez ele segura o olhar por alguns instantes até ser interrompido por Wen Chao que apareceu por trás de si puxando seu braço — Eu estava te procurando querido, pode me dizer por que fez aquilo? Espero que esteja orgulhoso Lan Zhan — O ômega puxou seu braço de volta dizendo — Você está me machucando! — Wen Chao se dando conta que tinham pessoas ao redor e não querendo causar uma cena o deixou ir, e seguiu logo atrás dele.

Wei Ying que observava a cena franziu o cenho mas não fez nada pois tão rápido quanto chegaram, em poucos segundos os dois desapareceram navio a dentro.

Continua..

Titanic - Wangxian Onde histórias criam vida. Descubra agora