Escrito por Victor Oliveira
Hunters Capítulo 10: Shun Hiroshi
Japão – Tóquio – 02/07 – 6h – Sede da filial de Tóquio de caçadores
Eu estava andando pela recepção da sede a procura do meu mentor mas não o encontrava. Será que ele ainda não chegou? Me sentei em um sofá da recepção para esperar e vi Hiroshi vindo pelo corredor, ele me viu e me cumprimentou.
— Oh, Olá Miyuki.
— Oi Hiroshi, você viu o Victor? Eu ainda não o encontrei pra aula de hoje. E então? Vamos continuar com o caso?
— Victor está no cemitério com a Mizuki. Ele não vem hoje. Sobre o caso, precisamos do Victor pra interrogar o nosso criminoso. Eu não consegui faze-lo falar...
— Por que eles dois estão no cemitério, principalmente a essa hora?
— Tecnicamente caçadores fazem o próprio horário, então Victor sempre acorda bem cedo e normalmente chega aqui antes de muita gente. Mizuki mora com uma guardiã legal que a educa como caçadora então ela também acorda bem cedo. Hoje é dia 02 de julho, dia que ambos visitam o túmulo de seus respectivos pais. Mizuki visita o túmulo do pai e da mãe enquanto Victor visita o túmulo do pai... Ah, o Vic mandou eu te entregar isso! — Ele me entregou um papel todo dobrado.
— Obrigada... — Peguei o papel e comecei a desdobrar. era uma carta. Estava escrito: “Ei baixinha, hoje não vou aparecer pra te dar aula então considere esse dia livre. Aliás, você deveria aproveita-lo para conhecer melhor seus companheiros no caso. Começa com o HiroHiro! Espero não nos vermos hoje. Tenha um bom dia!” — Sem sombra de dúvidas foi o Victor que escreveu.
— O quê está escrito?
— Que eu tenho o dia livre... O quê você vai fazer hoje?
— Eu não sei... Sem o Victor não tem como continuar com o caso então é bem provável que eu pegue algumas missões pra bater em vagabundo enquanto espero o dia passar.
— Parece divertido, eu posso ir junto?
Ele me olhou com os olhos meio arregalados por um segundo, depois voltando ao normal ele olhou pro teto pensativo — Hm... Acho que não tem problema, mas mantenha distância dos inimigos e ataque com seu gelo! Tenho receio de nos atrapalharmos se lutarmos juntos no corporal contra muitos adversários...
— Okay. Eu aceito suas condições. Você é bastante atencioso, não é?
Ele começou a corar e disfarçou olhando pro lado com uma tosse falsa — Cof cof... É o meu trabalho, é claro que eu sou atencioso com o meu trabalho!
Enquanto isso – Japão – Tóquio – Em um cemitério não identificado.
Mizuki estava com sua guardiã legal em luto visitando o túmulo dos pais, ao mesmo tempo, do outro lado do cemitério, Victor estava sentado com as costas apoiadas na lápide de seu pai.
— Eai velho? Já faz um tempo... Lembra quando você disse que eu era ridículo e que não conseguiria nada de bom mantendo a postura que eu tenho? Estou começando a achar que você estava certo. Eu não consigo me matar... Mas acho que se eu conseguisse, nós trocaríamos socos no além... Depois Asami me daria uma surra por morrer Hehehehe... Enfim, o chefe da filial de Tóquio me colocou de babá... Ela parece promissora mas ainda precisa aprender muita coisa... Então... Acho que já vou indo. Até ano que vem... — O caçador se levantou com o buquê de flores miosótis que trouxe, estendeu o braço com o buquê e disse — Eu sei que isso é bem besta mas eu te trouxe um agrado simbólico... Dizem que essas flores, as miosótis, remetem fidelidade e a lembrança... A florista que me vendeu disse que eram perfeitas para a despedida de quem amamos... Então adeus... Até o ano que vem... — logo soltou o buquê e ficou olhando a lápide por alguns segundos enquanto o vento balançava seus cabelos. Depois disso ele partiu ao encontro de Mizuki e sua guardiã legal.
Voltando a filial de Tóquio – 6h40
Hiroshi e Eu comíamos no refeitório antes de seguir com o dia.
— Hiroshi, qual a sua motivação de vida?
— Boa pergunta... Acho que o quê me importa é conseguir tanto dinheiro quanto eu puder!
— Ué? Por que?
— Minha irmãzinha... — Ele sorriu com um olhar apreensivo e cabisbaixo olhando pra baixo — Ela adquiriu uma doença que a deixou em estado de internação, então eu trabalho tanto quanto posso pra pagar o tratamento dela no hospital. — O semblante dele logo se tornou mais alegre e sorridente com as palavras seguintes — O nome dela é Mayumi! Ela é um anjinho!
É contagiante essa felicidade que ele sente quando fala da irmã. — Espero um dia conhecê-la então.
— Claro! Na próxima visita que eu for fazer eu te chamo então! — Disse ele extremamente animado e sorridente.
— Hiro, posso te chamar de Hiro?
— Pode. Não vejo problema nisso.
— Hiro, como você foi recrutado? Você poderia me contar?
— ... Me dói um pouco falar sobre isso... Mas aí eu lembro que nessa época a Mayumi estava bem e fico feliz de lembrar! — Disse ele feliz e sorridente — Tudo bem! Eu vou te contar! Antes de me tornar caçador, eu vivia em uma zona rural. Nunca conheci meus pais e sempre fui criado pelo meu avô que era fazendeiro. Um dia a Mayumi foi enviada pra casa do vovô, aparentemente minha mãe pediu pra ele cuidar da criança. Na época eu não sabia mas hoje em dia eu sei que aquele foi o dia mais feliz da minha vida! — Novamente a expressão de felicidade era exagerada — Enfim, durante minha adolescência no campo eu frequentava um humilde dojô que havia na região. Meu avô ficava danado de irritado com isso mas não chegava a me proibir de ir pois eu cumpria com a minha parte no campo, hehe... Um dia, durante a noite o dojô foi atacado e quando vi sinal de fogo naquela região corri para ver o quê era. Descobri que era um demônio atacando meu sensei, então saquei uma espada de madeira lá e parti pra cima. Claro que eu não conseguiria vencer, afinal eu era um garoto de 17 anos na época, mas eu não me importei com isso e insisti. De repente no meio da luta eu ouvi uma voz dizendo que eu era um guerreiro corajoso e que deveria cultuar o deus grego da guerra e eu respondi essas exatas palavras: “Danem-se os deuses! Eles nunca fizeram nada para me ajudar em vida, por isso agora derrotarei esse bicho com minha própria força! Não contarei com a ajuda de deuses inúteis!” e aí eu escutei a mesma voz dizendo: “Pois que assim seja então. O reconheço como guerreiro, mas seu desrespeito não é aceitável! Eu, Ares, o amaldiçoo!”, depois disso surgiu uma marca de maldição no meu tórax e eu virei indestrutível. Sendo indestrutível foi fácil vencer o demônio com o tempo, mas como uma maldição, logo vi os contras. Após a batalha desmaiei e só acordei no dia seguinte na cabana do médico local... E foi isso. Depois de um tempo vieram caçadores a minha procura e me levaram a força. Nessa época Mayumi começou a apresentar sintomas da doença e teve que ser internada, então quando me disseram o valor que um caçador ganhava em média, eu fui voluntariamente ao serviço e assim estou até hoje...
— ... Uau... — Disse terminando de comer e um pouco surpresa com essa estória.
Hiroshi terminou de comer também e disse — Loucura, não é? Mas é assim mesmo. O importante agora é pagar o tratamento da Mayumi pra ela se recuperar logo! — Disse ele muito bem humorado.
Após o dejejum fomos cumprir uma missão Rank B de impedir um assalto em andamento. Surpreendentemente Hiroshi interceptou o ladrão da forma mais agressiva que consigo pensar. Ele atropelou o criminoso com o impala, fazendo o meliante voar por cima do carro e cair arrebentado no chão. Saímos do carro e Hiro disse ao criminoso sacando a nova espada que pegou no arsenal: — Fala aí malandragem, vai devolver o quê roubou ou eu posso amputar? — Após isso o caçador colocou a espada encostada no pescoço do bandido que em pânico respondeu:
— Que isso, chefe? Não precisa de violência não. Tô pra ti. — O bandido era um demônio pouco diferente do que capturamos na fábrica. Ele entregou a Hiroshi uma sacola de dinheir.
— Beleza Miyuki, algema ele.
— Hãn? Eu não trouxe algemas. Tem no carro?
— Então abre o porta-malas! — Disse Hiroshi acertando uma pancada forte com o cabo da espada na testa do criminoso, assim o bandido ficou desacordado. Hiroshi me deu a chave do carro e mandou eu colocar o meliante no porta-malas. Somos caçadores ou mafiosos pra colocar gente no porta-malas?!?!
Enquanto isso o caçador de cabelos espetados foi devolver o dinheiro roubado e após isso retornou ao carro. Até que foi um caso rápido de se resolver. Logo voltamos a sede e fizemos os procedimentos para enviar o criminoso a prisão.
Enquanto isso no cemitério — 7h30
Victor estava sentado apoiado em uma árvore no cemitério enquanto próximo a ele Mizuki e sua guardiã legal faziam um piquenique.
— Victor-sama, você não vai comer com a gente? — Perguntou Mizuki fazendo uma cara de choro como se pedisse pra ele comer.
— Não... Não tenho fome. Mas não se preocupe, mais tarde vou te levar pra tomar um milk-shake e ai eu tomo com você.
Um sorriso se fez presente no rosto da garotinha de 6 anos junto a um brilho em seus olhos de pura felicidade — Eba!
— Hehe... Você é uma boa garota...
— Não esqueça de traze-la a sede antes das 16h e você só pode levar ela depois do almoço! — Disse a guardiã legal de Mizuki.
— Tá bom Yuuko. Quando foi que eu me atrasei desde que você me conhece?
— Hm...
Yuuko era uma mulher de 1,54m, cabelos loiros escuro, olhos castanho claros, pele clara e delicada, sempre usando roupas mais recatadas e com um comportamento bem responsável e maternal. Mizuki por sua vez era uma garotinha de 6 anos de estatura normal pra sua idade, cabelos negros, olhos verdes, pele clara. E por fim, Victor estava usando as calças jeans e botas como de costume, uma camisa preta sem estampa e uma gravata preta no pescoço mesmo que essa não fizesse sentido nenhum com essas vestes.
Do alto de um prédio, sentado no parapeito, um garoto de terno observava Victor. Esse garoto tinha 1,76m, tinha cabelos negros, olhos azuis, pele clara e não aparentava ter mais de 15 anos. Ele observava por um binóculo. — Então esse é o Rank A que vale um Rank S?... Estou ansioso pra enfrenta-lo! Não é, Gigan... — Disse o rapaz acariciando o demônio lagarto deitado em seu ombro.
Continua...
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Hunters
ParanormalA muitos séculos a humanidade abriu portais que conectaram o inferno e a terra, criando muitos efeitos sobrenaturais no planeta. Conforme o tempo passou, a humanidade viu uma necessidade de criar um grupo para lidar com esses efeitos sobrenaturais...