''- Edie e Kia, duas amigas inseparáveis, habitam um mundo onde Anjos e Demônios passaram a conviver juntos. A vida não poderia ser mais pacífica até que as duas se veem diante de um terrível problema...o dever de casa.
Por que as duas raças con...
Demetria andava inquieta de um lado para o outro no salão da casa de Tkal. Era de tarde, o tempo parecia se arrastar e nada acontecia. Tkal não retornara, o demônio não dava sinais de presença e Welty... não tinha aparecido na noite anterior como haviam combinado. Por toda aquela manhã não dera notícias e a anjo tinha certeza de que o outro tinha feito o que temia... uma coisa idiota:
— ...aquele anjo, por que foi sair sem falar antes... — resmungava consigo mesma mexendo as asas de modo inquietante a cada frase, era quase como quando ficava à espera de algum aluno encrenqueiro cujo rosto ela já havia visto várias outras vezes.
A anjo se via impotente e inútil, não podia sair da vila, prometera a Tkal que não o faria. Uma sensação de que algo ruim estava acontecendo a invadia e persistia desde o dia anterior. Alguém tinha que fazer alguma coisa...:
— Arg! Se ele tivesse ficado quieto... — continuou a murmurar incomodada com aquela espera interminável.
No momento seguinte Árabel surgiu no corredor, tinha uma expressão desanimada e decepcionada no rosto. A demônio a tinha procurado na manhã daquele dia e lhe contado o que tinha acontecido, infelizmente a anjo de asas negras não tinha respostas para o sumiço das quatro garotas que já bem conhecia:
— Realmente, não há ninguém...
— Eu avisei, lamento por isso, mas estou tão perplexa quanto você, Tkal já deveria ter retornado junto aquele anjo tonto.
— Onde Lirahy e as outras podem ter se metido? Ah... espero que esteja tudo bem.... — Sua preocupação era nítida, a demônio uniu as mãos e as aproximou de si abaixando o rosto numa expressão chateada. — Ela nunca passou uma noite inteira fora de casa...
— Qual foi á última vez que falou com sua irmã?
— Hoje de manhã, eu tive que sair para fazer umas entregas e deixei ela, Moly e as outras em casa lendo um livro...
Demetria pôs a mão de garras grandes sobre o queixo tentando pensar o porquê daqueles desaparecimentos repentinos, tudo que conseguiu foi se irritar ainda mais com o anjo sumido, se não fosse por ele já teria ido investigar ela mesma. Já iria resmungar mais alguma coisa quando uma pancada de algo se chocando contra a porta ressoou no salão. Demetria se virou rapidamente a fim de observar a porta, Árabel tomou um pequeno susto e também encarou naquela direção com certa apreensão:
— Ouviu também? Não parece uma batida normal...
— Shh... fique aqui, irei olhar — a anjo pediu e andou até a porta evitando fazer barulho.
Demetria aproximou o rosto da superfície da porta a fim de escutar, como tudo se manteve em completo silêncio aproximou a mão da maçaneta. A anjo abriu a porta rapidamente mantendo uma postura de alerta, assim que o fez uma figura cambaleou desengonçada em direção a ela, a anjo desviou alguns passos para trás, rapidamente percebendo de quem se tratava. Era Welty, só que ele estava diferente, o rosto estava muito pálido e com alguns arranhões finos, as roupas brancas estavam sujas de terra e manchas vermelhas que se assemelhavam a sangue. O olhar era cabisbaixo e mirou-lhe inconsciente por alguns minutos antes de pender completamente para baixo, ele jazia apoiado contra o vão da grande porta respirando com dificuldade:
— Ãh?! Anj... — Antes que pudesse completar, o anjo inclinou-se para frente e caiu pesadamente sobre o chão de mármore com um baque.
— Ah! — Árabel arfou logo atrás levando uma mão a boca.
Demetria não tentou se quer segurá-lo, apenas se afastou sem entender da figura caída, só quando viu uma imensa poça de sangue se formando sobre o chão foi que se agachou num dos joelhos para vê-lo melhor. O anjo havia caído de bruços, sobre o emaranhado de cabelos loiros e sujos era possível ver um ferimento grande que cruzava sua cabeça quase por inteiro, era um imenso corte e o sangue provinha dele escorrendo sobre seu rosto. As asas estavam sujas, rasgos e cortes enormes se estendiam em seu entorno, penas voaram para todos os lados ao cair. Olhando com atenção, foi possível ler a palavra "morte" gravada nos cortes das asas que formavam as letras de modo grotesco e desigual:
— E-Ele es-está.... ele está......
— Morto? Não, o que é um milagre considerando isso...
Árabel se aproximou, mas logo virou o rosto cheio de repulsa quando Demetria afastou os cabelos dele para que ela olhasse:
— O pescoço também está machucado, é preciso tratá-lo e rápido.
— Quem terá feito isso?! É... É muito sangue.... vou tentar achar algo para estancar, eles tem uma cozinha!
— Vou levá-lo para a sala ao final do corredor, há um sofá por lá é o melhor local para colocá-lo.
Árabel imediatamente sumiu pelo corredor em uma das salas. Demetria analisou bem a condição dele antes de passar um dos braços do anjo sobre o próprio pescoço querendo erguê-lo, se sujou no processo, mas aquilo não lhe importava agora assim como saber quem teria o atacado. No momento em que o levantou algo caiu vindo do anjo sobre o piso, o objeto pequeno tilintou sobre o mármore e reluziu num vermelho forte sob os raios de sol que vinham das janelas. Demetria se esforçou para abaixar o braço sem derrubar o ferido. Era uma pedrinha vermelha e escura que ela guardou em um dos bolsos sem tempo para se preocupar com aquilo. O anjo deu um gemido baixo, era difícil matar um anjo, mas não impossível. Quem tinha feito aquilo possivelmente o queria manter vivo....
Demetria prosseguiu tendo de arrastá-lo lentamente, pois Welty ainda fraquejava e mais alguns ruídos puderam ser ouvidos. Com um corte daquele ele não falaria nem tão cedo, o que era um tanto ruim:
— Não se esforce, depois falaremos.... céus, o que foi arrumar..... — falou arfando sobre a força que fazia para carregá-lo, sabia que asas grandes podiam ser pesadas quando queriam...
No entanto o que havia se desenrolado com ele, lhe era realmente um mistério.
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