Dario é meu irmão mais velho, nascemos no mesmo mês com um ano e seis dias de diferença. Ele nasceu em casa, num parto simples, eu nasci no hospital num parto complicado.Agora, acompanhando ele no hospital, brinco dizendo que é minha chance de vingança pelo que sofri nas mãos dele, quando criança. A verdade é que sempre fomos unidos, eu tinha mais intimidade com ele do que com os outros irmãos. Somos cinco.
Tudo começou a dois anos.
Não contei que tenho uma cunhada poderosa né?
Na verdade, meu irmão tem uma esposa poderosa!
Ela observou que ele estava com problemas urinário. Não sei exatamente como foi, mas sei que ela notou.Na época, ele não pode verificar e tratar o problema, problemas familiares mais urgentes o impediram de se tratar, conforme ele me contou.
Quando finalmente foi tratar, teve que passar por uma cirurgia e extrair o que todo homem não gosta nem de pensar em perder: a próstata.
A biópsia revelou metástase óssea e a expectativa era nula.No primeiro momento houve uma comoção, pois o diagnóstico assustou, mas a "poderosa" não se conformou. Aconselha a Biblia em Rm. 12:2 ... não vos conformeis com este mundo…
É nesse ponto que a fé se faz primordial, para alavancar a esperança e concretizar pensamentos vindos de Deus, pelo Espírito Santo. Ela buscou e encontrou.Uma opção de tratamento foi passada como tentativa de vencer o que parecia invencível. A hormonioterapia. O tratamento iniciou e com um ano de tratamento, estava tudo bem, os exames negativaram o maligno e ele parecia muito bem. Trabalhando na igreja, dirigindo pela cidade, visitando-nos ( moro com nossa mãe).
Sua esposa lhe deu um caiaque e ele ia para Mangaratiba ou outro canal e lagoa, para praticar. Chegamos a ir juntos, levando mamãe para passear, até a Ilha da madeira, analisar o local para ele ter ideia de onde poderia entrar e sair das águas com o caiaque.
Tudo estava bem, estavamos todos tranquilos por vê-lo bem. Seus dias se dividiam entre cuidar da família, da igreja, de seu amado cachorro Thor e de seus passeios pela mata.
Mas como na vida, nem tudo são flores, uma gota de sangue no chão, chamou a atenção de sua esposa, que não ficou quieta até ele fazer outro exame, dessa vez mais específico. E daí foi uma sucessão de fatos, como uma carreira de dominós quando o primeiro tomba.
O primeiro dominó foi o sangue na urina, fez o exame e enquanto esperava a biópsia, iniciou uma dor na coluna, o ortopedista receitou um analgésico e fisioterapia, mas a dor só aumentava, a ponto dele não conseguir dormir, nem comer e não ter uma posição que alivia-se a dor. O segundo dominó caiu e levou três com ele.
Em seguida, o proximo dominó foi uma caimbra, sem dor, que paralisou o musculo da coxa. Até então eram só um problema na coluna, reincidência de acidentes anteriores e o músculo da coxa, apenas uma câimbra que não prendeu o musculo.
Quero dar um a parte aqui. Esses diagnósticos eram o que estavam na cabeça do meu irmão. Costumo pegar no pé dele dizendo que ele tem aparência do nosso pai, mas as manias e costumes da nossa mãe. Para tudo ele tem uma explicação e justificativas, mas infelizmente, ele estava errado.
Foi nesse tempo que Deus me deu sonhos e falou também através de uma pregação na igreja. Foi claro e tive a certeza de que o câncer tinha voltado e a hormonioterapia não adiantaria, teria de ser quimioterapia. Fui visitá-lo como enviada do Senhor e não vou te enganar, é a coisa mais difícil de se fazer: perguntar ao que sofre de uma doença fatal se ele quer viver ou prefere morrer e o que o entristece ao ponto de seu corpo querer outra vida. (Doença psicossomática).
Depois de falar e fazer o que Deus me mandou fazer, que não foi curá-lo, fui embora e minha cunhada Ana insistiu em me levar ao ponto do ônibus e me informou que o exame feito, saiu o resultado positivo na bexiga. Contei a ela o que Deus me falou e que seria necessário a quimioterapia. Daí em diante foi só dar andamento a indicação do médico.
Em um mês, a queda dos dominós levaram ele para um leito de hospital. Passou pela UTI, fez tomografia da coluna e lá estava ele, não adiantava mais tapar o sol com a peneira. O câncer abraçou os nervos que circundam a coluna, causando não só dor, mas também paralisia.Fez uma biópsia da perna e ele também estava lá, causando a paralisia do musculo.
Nesse momento só pensei uma coisa: bendita morfina!
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Milagre (Concluído)
SachbücherEste não é um livro de ficção, nem uma história romântica, mas sim uma história da vida real. A força de Deus se manifesta no dia a dia de um canceroso que tem fé. Ainda não está acabado, porque esta sendo escrito à medida que os fatos acontecem. Co...