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Ao chegar em casa, entrei sem fazer barulho, como se estivesse tentando escapar de algo — de mim mesma, talvez. Subi as escadas e fui direto para o meu quarto, nem me importando com a roupa suada que grudava no meu corpo ou o cheiro de cansaço que deixava no ar. Me joguei na cama, o colchão macio contra o corpo pesado de decisões não tomadas.

Deitada, meus pensamentos se agitavam, tão rápidos quanto meu coração batia. Não sabia se ia ou se não ia. Sei que ja tinha praticamente decidido ir, mas uma parte de mim dizia para deixar isso para lá, que não valia a pena. Mas outra parte, essa voz mais teimosa, me lembrava que já faz meses que o Chi enche a minha cabeça para eu conhecer esse pessoal. Eu não podia mais dar desculpas. Não podia deixá-lo esperando para sempre, como se a expectativa dele fosse apenas uma brincadeira. Mas também… o que eu estava realmente esperando? Eu não os conhecia, nem sabia o que esperar. Uma parte de mim, a parte mais racional, dizia que era só mais uma reunião de amigos de um amigo. Eles não eram ninguém importante, ninguém que mudaria minha vida. Eram só um bando de garotos, jovens e inconstantes, que provavelmente não estavam fazendo nada de útil com as suas vidas. Mas então, por que ainda me sentia assim? Por que ainda estava adiando?

A indecisão consumia cada célula do meu corpo. O tempo estava passando, e ainda assim não conseguia decidir. Eu me perguntava se aquilo realmente importava. Era uma festa, só uma festa, não era o fim do mundo. Mas, mesmo assim, a tensão estava ali, no fundo da minha mente. Como se fosse algo mais.

Foi aí que percebi que, se eu não agisse logo, a dúvida tomaria conta de mim de novo, e talvez fosse pior. Então, resolvi tomar um banho para clarear a mente. Levantei, ainda sem uma direção clara, e fui até o banheiro. A água do chuveiro escorrendo sobre minha pele parecia me despertar um pouco, me tirar dessa espiral de indecisão. Era o tipo de rotina que me fazia sentir mais eu mesma. Eu, com o cabelo preso e a água quente, limpando minhas dúvidas como se fossem impurezas.

Quando entrei no box, lembrei que ainda precisava lidar com o meu cabelo — ou o que restava dele. Eu nunca fui boa em cuidar de mim mesma, de maneira geral. A sensação de perder tempo com isso sempre me parecia uma distração. Mas, naquele momento, sabia que precisava me arrumar, me preparar. Me enrolei na toalha e fui até o quarto da minha mãe pegar os produtos dela, aqueles cheiros de riqueza que eu tanto sentia falta. Não que eu me importasse com isso, mas sentia uma diferença no ar quando usava as coisas dela. O shampoo e os cremes de skincare que ela tinha eram sempre de marcas caras, as que eu nunca mais vi. Quando voltei para o banheiro, me apressei, como se estivesse fazendo algo importante — e, de certa forma, eu estava.

Quando terminei, enxaguei o rosto e escovei os dentes, tentando focar no simples ato de cuidar de mim mesma. Por mais que a decisão ainda não estivesse tomada, pelo menos agora eu me sentia mais leve. De algum modo, o banho tinha feito algo. Tinha diminuído a ansiedade, ou pelo menos me dado uma sensação de controle.

Saí do banheiro e a decisão estava tomada. Definitivamente eu iria à festa. Fazer bondades de vez em quando não fazia mal a ninguém, afinal. Mas, como sempre, meu azar estava em ter que escolher a roupa perfeita. Passei alguns minutos vasculhando o meu enorme e bagunçado guarda-roupa, a ansiedade aumentando a cada peça de roupa descartada. Até que, finalmente, encontrei o que procurava: um vestido preto, soltinho, com alças finas que caíam perfeitamente no meu corpo. Era simples, mas ao mesmo tempo tinha algo que me atraía. Era a peça certa.

Mas uma roupa não se faz sozinha, então fui à caça dos acessórios. Peguei uma meia preta, que combinava bem com o estilo do vestido, e uma bota da mesma cor. O detalhe da presilha em formato de lua foi quase uma escolha instintiva, algo que sabia que ia dar aquele toque especial. O secador de cabelo da minha mãe estava ali, como sempre, me esperando para domar os fios.

𝐖𝐈𝐓𝐇 𝐘𝐎𝐔, nahoya kawata - EM CORREÇÃO Onde histórias criam vida. Descubra agora