O calor de uma fogueira

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   Ainda confusa sobre o que tinha acontecido, nossa pequena garota continuou andando pelo infinito mar de areia, até que por fim conseguiu encontrar uma rasa fonte de água comum vista local, de onde pode observar pela primeira vez seu próprio rosto castigado pelo sol do meio dia . Pôde instantaneamente ver seus belos olhos verdes, que se sentiam incomodados com o reflexo do sol na água; pôde também reparar com mais atenção na sua pele pálida, que ao brilho da noite, dava a impressão de ser feita de parte da lua, que agora já se encontrava imunda, coberta pela fina areia do deserto. Mas o que mais chamou a atenção da jovenzinha foi que, como os cinco primeiros mechas de seu sedoso cabelo, do lado esquerdo de sua cabeça, eram diferentes das demais; não se diferenciavam na cor, mas sim pelo fato simples dessa parte de seu cabelo, ser viva.

   Essas "mechas rebeldes '', eram na verdade miúdas víboras venenosas, que apesar de estarem bem próximo a ela, grudadas em sua cabeça, não a obedeciam por completo. Qualquer tentativa de comunicação com os animaizinhos parecia inútil, uma única ligação que sentia a respeito delas, eram como cocegas que a movimentação das mesmas sobre sua testa causava.

   Depois de finalmente poder tomar um pouco de água, uma garotinha que lutava para sobreviver ainda não se gozar saciada, mas resolveru continuar sua jornada. Porém, desta vez resolveu cobrir suas cinco novas amiguinhas com parte do tecido imundo que carregava de sua primeira, e até então única alimentação, lembrando com empatia da dificuldade que era enfrentar o sol durante seu período rastejante, desse modo, suas companheiras também se sentiriam menos castigadas pelos raios solares. 

   As vezes ela se sente cansada e desanimada, pois por mais que insistisse em tentar interagir com pequenas serpentes, não tinha qualquer resposta expressia, uma das coisas que compreendia. eram a movimentação dos répteis e os poucos ruídos que emitiam. Contudo, em um certo fim de tarde, viu de longe uma caravana composto por: seis camelos carregados de bagagens além de quatro grandes "fardos de tecidos" carregados por quatro camelos cada, e ainda a frente de tudo aquilo lá era um ser mascarado vertido com longas roupas brancas. Assustada mas a cima de tudo curiosa, Serpentary resolve se aproximar aos poucos, esgueirando-se por entre as rochas presentes na cena, que tinha como fundo a bela imagem do sol poente; reconhecia no ser a frente de todo aquele show, uma forma de algo parecido com aquilo que fora do seu primeiro abrigo,

    — Essa noite acamparemos aqui - gritou a estranha figura.

    — Ótimo, por mais um dia iremos acampar no meio do nada, você trata a sua família de maneira simplesmente maravilhosa - respondeu uma voz de dentro de um dos grandes fardos de tecido.

    — Por favor, não me aborreça mais Paluah, o sol desse ambiente infernal já me castigou o bastante!

   —Muito bem, querido. Não irei mas reclamar, mas se ao menos possuísse uma ajuda sua criação de nossos filhos, tudo seria bem diferente, contudo você prefere ficar aí, olhando essa estrada empoeirada e se divertindo com as novas mercadorias conseguidas nas vilas que passamos.

    —Basta! Chame os meninos e vamos armar as barracas.

   Imediatamente a caravana parou e de dentro dos enormes fardos de tecido, originou a sair crianças e jovens, dezenove no total, além de uma senhora, que se empenhavam em dividir tarefas que variavam entre: cavar as fundações para as tendas, desfazer as cargas, alimentar os camelos, acender uma grande fogueira, preparado o alimento de toda aquela gente, entre outras tarefas. Nossa jovem serpente humana, não entendre o que se passava naquele local, em que antes ouvia se apenas o som do uivo do vento e agora mesclava entre os som de pessoas trabalhando e brincando crianças. 

   Dentre todos os filhos apresenta no lugar o que mais se destacava era uma estridente voz feminina, pertencente à matriarca, seu nome era Paluah, uma mulher de vestes coloridas que cobriam basicamente todo o seu corpo, de baixa estatura, longos cabelos negros que viviam presos em uma trança e já passava dos quarenta anos de idade. Costumava sempre usar um véu que encobria metade de sua face, com duas finalidades, uma primeira era se proteger seu fino rosto dos terríveis ventos e da areia dos lugares pelos quais passavam, uma segunda era puramente a de esconder sua constante cara de ironia ou puro desgosto, esse item de vestuário como um dos principais responsáveis ​​pela duração de seu casamento. Seus olhos transparentes sabedoria, e de fato, por mais que poderia ser cheia de defeitos, seus conselhos eram de certo modo insuperáveis, 

SerpentaryOnde histórias criam vida. Descubra agora