Harley estava animada e queria mais do que tudo conversar com Ivy e saber das novidades em sua vida já que a última vez que se falaram foi a muito tempo atrás, mas Ivy só queria começar a trabalhar pois mesmo gostando de Harley, não queria interagir e trabalhar era o que fazia de melhor. Com esse conflito, Harley acabou abrindo a boca várias vezes para tentar puxar assunto, porém não disse nada ao ver a ruiva concentrada lendo os registros de alguns pacientes que estavam na pilha de pastas sob a mesa.
Na sala reservada para a doutora Harleen Quinzel tinham dois computadores, cada um em uma mesa, um armário que teria as pastas dos pacientes e livros que ela poderia usar e uma planta no canto —o que agradou muito Ivy. Harley foi para a mesa de frente com a porta e se sentou, ligando o computador enquanto Ivy fazia o mesmo na outra mesa.
—Quando ligar, procure os documentos, tem algumas coisas faltando nessas fichas —disse, analisando a que estava em suas mãos.
—Mas na época que eu trabalhava aqui, passávamos exatamente o que estava na ficha para o computador...o dono não era exigente com nenhuma documentação, pra falar a verdade —deu de ombros abrindo as pastas no computador.
—Acontece, Harls, que o Bruce comprou esse lugar e agora tem essa exigência com os documentos. Antes de começar a atender os presidiários daqui, temos que deixar as fichas completas tanto em papel quanto as digitais. —disse já separando as fichas incompletas das completas (ou aparentemente completas).
—Pam, posso te fazer uma pergunta enquanto não acho a maldita pasta? —perguntou e logo se arrependeu por causa do silêncio da parceira —deixa quieto…
—Pergunta. —respondeu a olhando de relance, sem parar o que estava fazendo.
—Por que aceitou trabalhar aqui? —de todas as perguntas que ela queria fazer, essa era a que mais tinha curiosidsde de saber a resposta.
—Bruce e eu tinhamos uma espécie de dívida, e eu não odiei tanto a ideia porque gosto de trabalhar e você é a única pessoa que eu gosto da companhia...—suspirou terminando a separação. Ela era uma máquina de trabalhar.
—Entendi...eu também adoro sua companhia, você sempre foi tão legal comigo e eu tenho tantas perguntas, faz tanto tempo que não nos vemos, queria saber como está sua vida, como tem lidado com aquilo e se já achou alguém além de mim que confiasse ou que mantesse uma conversa, não sei, talvez eu esteja...—disparou como sempre até que Pamela a cortou.
—Harls, respira! —falou a olhando — sei que está animada por voltar a ativa e por ter alguém conhecido por perto, mas fica calma. Não curto muito bater papo durante o serviço.—disse calma, mas acabou percebendo que tinha dito algo errado quando a expressão da loira de animação sumiu de seu rosto. —Harley, eu…
—Achei a pasta. Me dê as fichas incompletas, vou arrumar e você pode arrumar as pastas completas no armário. —falou séria, abrindo o primeiro documento.
Pamela foi de cabeça baixa até a mesa da loira e deixou as fichas, voltando para a própria mesa em seguida.
Era complicado para ela manter uma conversa ou ter uma relação boa com alguém devido à traumas passados, mas com Harley era tudo muito simples e rápido, o que a assustava e fazia se fechar quando isso acontecia. Odiava ver a amiga chateada, mas não sabia o que fazer para consertar.
Harley tinha essa mania de falar demais, ser muito expressiva, doida e impulsiva, ela sempre foi assim e sabia que algumas pessoas poderiam se afastar dela por isso, só não imaginava que Ivy poderia ser uma delas.
O dia passou rápido, as duas ficaram no escritório o tempo todo no completo silêncio —que só era quebrado para falar sobre algum documento —e seria um dia ótimo para Ivy se não tivesse deixado Harley triste o dia inteiro. Como Bruce iria buscar Harley no fim do expediente, ela acabou saindo antes da sala e tentou dar passos largos e apressados para que a ruiva não chegasse até ela para conversar. Tentativa falha, Bruce não havia chegado e Ivy a alcançou.
—Quinn, podemos conversar? —pediu arrumando o cabelo.
—Agora quer conversar? —retrucou. Não estava nervosa, estava magoada e deixou isso bem aparentemente na voz.
—Me desculpa, sei que fui grossa e bom… você sabe como eu sou —disse, tinha uma grande dificuldade em pedir desculpas, mas fez o esforço.
—Eu te conheço bem, Pam, mas esperava pelo menos receber um "que bom te ver de novo"...pensei que fossemos amigas. —respondeu sem tirar os olhos da rua, esperando ansiosamente pelo carro de Wayne chegar.
—Eu fiquei feliz em te ver, saber que está bem...eu pensei que você sabia disso sem que eu precisasse falar —abraçou seu próprio corpo, se sentia estranha falando sobre seus sentimentos.
—Nem sempre dá pra saber essas coisas sem colocar elas para fora de alguma forma. Você nem ao menos me abraçou de volta quando te cumprimentei. —suspirou pesado, se aliviando ao ver Bruce chegar —Agora preciso ir, até amanhã, Ivy! —falou baixo antes de entrar no carro e ir embora.
Pamela suspirou pesadamente e foi em direção ao seu carro estacionado perto dali, precisava fazer algo quanto a isso no dia seguinte e sabia que não conseguiria dormir muito bem. "Pelo menos tenho as minhas plantas para desabafar" pensou entrando no carro e dando partida.
No carro de Wayne…
Bruce tinha notado a mudança drástica de humor da loira e estava em um dilema: ficar em silêncio e correr o risco de ser algo ruim no Arkham ou conversar e acabar ficando por 3 horas escutando ela falar sobre. Não era tão próximo assim de Harley quanto parecia, mas sempre tentava ajudar, então resolveu optar pela segunda opção.
—Ei, aconteceu algo? —perguntou sem tirar os olhos da estrada.
—Aconteceu, mas você não vai querer saber. —disse olhando para a janela, a noite já se fazia presente e Gotham era um pouco assustadora apesar de ser bonita de noite.
—Me conta, talvez eu consiga te ajudar...—insistiu.
—A Ivy não quer conversar comigo, acho que ela não tem a mesma consideração que tenho por ela. —tentou resumir.
—Quinn, você sabe que ela é fechada e fica pior quando está trabalhando, não precisa ficar chateada com isso. —disse calmo.
—Você não entende, né? Ficamos amigas há um tempo atrás e ela não era fechada comigo do jeito que é com todos, e agora parece que tudo foi embora...é como se não nos conhecêssemos. —olhou triste para frente.
—O que posso fazer pra te ajudar? —perguntou encostando o carro em uma rua qualquer.
—Posso dormir na sua mansão? Não quero ficar sozinha...—pediu —Ah, e um pote de sorvete!
—Você não tem jeito —acabou soltando uma risada nasal.
—Isso foi uma risada? Você consegue rir?!—exclamou surpresa.
—Se falar disso pra alguém, nunca mais te deixo dormir na mansão. —ameaçou.
—Foi mal, morcegão! —sorriu leve.
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Notas da autora: galera, vou deixar o link do "trailer" dessa fanfic aqui (não faço ideia se vai dar pra acessar, mas ok) : https://twitter.com/juprevcohen/status/1426404287865925639?s=19
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The Brain! Harlivy
FanfictionPamela Isley trabalhava como uma máquina, toda a sua inteligência, dedicação e postura impunha medo e respeito em quem a via. Harleen Quinzel odiava trabalhar, mas era a melhor em tudo que fazia. Sua maluquice, energia e espontaneidade trazia a fel...
