Isiodora Landermonte
Rancho Neverland, Los Olivos
15 de fevereiro de 2004, 01:10
Pés descalços sobre o chão molhado de madeira. Está pingando muito aqui dentro. Estou em uma casa. A casa é enorme e se parece com um palácio. Conforme vai pingando a água do teto, meio que vai se transformando em uma piscina. Ando até as escadas. Subo devagar porque, quanto mais rápido eu ando, mais a água sobe. Tudo está em um escuro. Ora fica claro, ora escuro. Acredito que deve estar chovendo lá fora, mas, nada se ouve aqui. Tudo o que se escuta é um choro aterrorizante. É algo misturado com agonia e terror. Isso está me dando arrepios. Subo lentamente os degraus até chegar em um longo corredor. Agora escuto gritos de crianças. São gritos de puro pânico. É uma menina. Tento correr em direção, mas não consigo. É como se eu tivesse pesos em minhas pernas. Paro. O choro agoniante para, mas, os gritos da menina ainda continuam. Agora, mais duas crianças também choram. Cada um com um tom diferente, mas, os três estão com muita dor. Ando em direção. Eles estão atrás de uma porta que está entreaberta. Respiro profundamente e levo minha mão até a porta para a abrir completamente
— NÃO! — uma voz familiar diz logo atrás de mim. Me viro de uma vez dando de cara com Michael. Seus cabelos estão molhados, Deus! Ele está pingando!
— Michael! Saia daqui já! Procure um lugar seco! — ele confuso olha para todos os lados e logo após volta a me encarar
— Que escuridão é essa em sua vida? Credo! — ele faz uma careta — Todas as outras tinham sonhos mais doces e simples!
— Como é? Escuridão? — pergunto a ele que apenas suspira. Me estende sua mão direita. A seguro com firmeza. Ele começa a me guiar para as escadas. A água já está quase no corredor — Por quê? — pergunto alarmada
— Confie em mim! Essa não é a sua realidade! Também não é mais a minha — do que ele está falando
— Eu estou começando a ficar um pouco confusa Michael! — abro um sorriso para ele — Do que você está falando?
— Detrás daquela porta tem um homem morto, e esse choro que você está ouvindo é de seus filhos — fala em uma calmaria em sua voz
— O quê? — digo em quase um sussurro. Sinto tudo estremecer. Olho em direção a porta entre aberta
— Isiodora, você já teve o suficiente, pare de se martirizar, já passou até ele já esqueceu, esqueça também! — volto a olhar para ele — Bem, vou dizer de uma maneira que você entenda, eu já perdoei você, já passou! Pode deixar tudo isso para trás!
— PAPAI! — a menina grita. Me afasto de Michael e corro em direção a porta quase que instintivamente. A porta se fecha como se alguém tentasse segurar a maçaneta. Michael se posiciona ao meu lado, suspira dolorosamente, leva a mão até a minha e em seguida a porta se abre. Entro com tudo e me deparo com a pior coisa que eu poderia testemunhar. Michael está morto e três crianças estão chorando em cima dele, olho ao redor. Nada. O desespero começa a tomar conta de mim. Não. Isso, não pode ser!
Abro meus olhos de uma vez. Sinto meu coração bater tão forte. Meu rosto está molhado pelas lagrimas. A única fonte de luz está vindo da janela que esta aberta
Lá fora esta chovendo muito. Tem muito trovas e relâmpago. Está escuro e tão silencioso aqui dentro que consigo ouvir as batidas do meu coração
Tremendo um pouco me sento na cama. Estou com a palma das mãos suada. Minha carne ainda treme. O pesadelo ainda está bem fresco em minha memória
Odeio quando o pesadelo simplesmente não evapora da minha mente porque, eu sempre fico remoendo e remoendo. Também é como se eu ainda estivesse nele!
Será que ainda estou? Será que tudo aconteceu mesmo? Não, isso é um absurdo. De maneira nenhuma, ele está vivo e está bem! Ele tem que estar!
Me coloco de pé. Vou até à porta do meu quarto, abro e saio. Ando em direção ao quarto de Michael. Bato de forma desesperada. Preciso saber se esta bem! Se está vivo!
A porta se abre. Meu coração quase pula de felicidade entro da minha caixa torácica. Ele está bem, sonolento, mas, bem!
— Aconteceu alguma coisa? — ele pergunta ainda tentando acordar — O que aconteceu com você? — arregala os olhos e leva a mão até a minha testa — Graças a Deus não é febre!
— Eu estou com medo da chuva e de todos esses barulhos e clarões — faço um bico involuntário — É que eu fiquei com vergonha de aparecer antes — mordo o lábio. Olho para o outro lado — Eu estou com tanto medo de dormir — começo a chorar. Michael me puxa para seus braços
— Esta tudo bem, tudo vai ficar bem! — fala enquanto me puxa para dentro de seu quarto. Fecha a porta — Vem! — diz enquanto se afasta um pouco e me guia até sua cama. Subo na cama e me deito no lado dele da cama. Afundo meu nariz em seu travesseiro. A luz do abajur se desliga. Me afasto do travesseiro e olho ao redor. Sinto as mãos dele em meus ombros — Não se preocupe, eu estou aqui! — sussurra. Me deito novamente. Michael se deita ao meu lado e me abraça com ternura.
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Speechless
Fanfic2004. Michael Jackson é um homem famoso e respeitado em todo o mundo, mas sua vida pessoal está longe de ser um conto de fadas. Há oito anos, ele se casou com Isiodora Landermonte, uma mulher que sempre foi o centro do seu amor e da sua obsessão, um...
