IV. ...e alguém chega antes dele

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quantidade de palavras: 3095 palavras


CAPÍTULO II ― O coelho branco está sempre atrasado... e alguém chega antes dele

Verão, 1989


O breve encontro entre Chanyeol, Senhora Jung e seus netos não durou muito tempo. Ele não pôde conversar muito com a vizinha depois que ela foi embora, guiada pelos dois netos, duas crianças com não mais do que 6 anos, que pediam insistentemente que ela buscasse algo no apartamento para eles. Ao menos eles o cumprimentaram brevemente antes de partir, saudando-o ao inclinar a cabeça acompanhado por um "Olá, hyung."

Eles não demoraram muito depois disso, deixando-o sozinho na estufa, sem uma conclusão para sua pergunta, ficando apenas com a resposta incompleta da Senhora Jung. Ele ficou ali, encarando os galhos secos e as folhas amareladas até que decidisse ir embora também.

Ele não tinha escutado seu nome, mas sabia que havia alguém, e aquilo o deixava inquieto. Chanyeol não sabia há quanto tempo o garoto que morava em seu apartamento tinha desaparecido, mas era fácil adivinhar que tinha algo haver com a pequena porta em sua cozinha. Talvez uma bruxa o tenha devorado, ou ele poderia ter ficado preso do outro lado?

De volta ao apartamento, Chanyeol franziu o cenho. Ele estava em casa novamente, sentado entre algumas caixas de papelão — terminar de tirar as roupas das malas e seus objetos pessoais das caixas adiados mais uma vez. Um frasco de cola pendia aberto ao seu lado, esquecido entre os pedaços do boneco de madeira que ele tentava consertar.

Seus dedos estavam grudentos.

O professor de música estava sentado daquele jeito há alguns minutos, pressionando pedaços de madeira uns contra os outros, tentando montá-los como peças de um quebra-cabeça impossível de se resolver. A cola não estava funcionando para nada além de colar sua pele, o que o dava muito tempo para pensar no silêncio de seu apartamento.

Então, vez ou outra, sua mente voltava para as últimas palavras de sua vizinha. O nome que ele não conseguiu entender.

Chanyeol estava apenas curioso, ou era o que tentava se convencer. Curioso e preocupado, afinal, não poderia ser coincidência. Um garoto que morava em seu apartamento tinha desaparecido, ele tinha conhecido o outro lado, ele tinha visto os olhos de botões e não tinha voltado para casa.

Isso o deixava inquieto, perturbava-o o bastante para que o irritasse e o fizesse desistir momentaneamente do boneco de madeira, afastando as peças rachadas com os pés.

Prendendo um grunhido na garganta, Chanyeol gemeu como um animal ferido, esfregando o rosto com as mãos.

Ele sabia que havia um registro de moradores no prédio, Chanyeol apenas não tinha certeza se conseguiria colocar as mãos nele, o registro com os nomes e endereços deveria estar em algum lugar no escritório do síndico, seria difícil entrar e sair sem ser percebido. Além disso, ele tinha medo. Parecia um bom plano, mas ele dificilmente poderia se imaginar invadindo o próprio apartamento caso esquecesse as chaves, quanto mais invadir um escritório.

Perguntar para a vizinha também seria uma alternativa, mas Chanyeol não tinha certeza de quando a encontraria novamente, além de que ele não queria vê-la até que o quebra-noz estivesse intacto. Ele havia tido sorte antes, quando ela não perguntou outra vez sobre o boneco de madeira, havia sido por pouco e o mais alto não queria arriscar novamente.

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⏰ Última atualização: Feb 21, 2022 ⏰

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