POV Camila
Eu não conseguia me mover ou agir na presença dela, se era educada e a mandava sentar e oferecia algo, ou se era grossa e tratava-a da mesma maneira que tratou Lauren e eu para dar o troco? De fato a opção numero dois era bastante tentadora. Ela estava ali, em minha casa, com cara de quem estava rendida e sofrendo, humilha-la e faze-la se sentir da mesma forma que Lauren e eu nos sentimos era muito tentador. Mas eu não era assim, eu não me comparava a ela, eu precisava mostrar a ela que eu era bem melhor do que ela, bem melhor do que ela imaginou.
Respirei fundo e pigarreei, passando as mãos pelos cabelos. Ela continuou lá, sem fazer nenhum movimento, apenas me olhando com um sorriso quase imperceptível em seus lábios. Indiquei o sofá ao meu lado sem dizer nada, provavelmente minha voz sairia falha ou embargada. Minha mãe veio andando em minha direção e eu dei um passo para trás, batendo minhas costas na frente de Lauren. Minha namorada segurou em minha cintura e me puxou para sentar do outro lado do sofá, longe de Sinuhe, sentando-se ao meu lado.
Coloquei minhas duas pernas em cima do sofá e as cruzei, pegando uma almofada e colocando em meu colo, queria ficar o mais confortável o possível, porque de desconfortável já bastava àquela situação. Continuamos caladas, uma encarando a outra. Lauren passou os braços por cima do meu ombro e me aconchegou ao lado de seu corpo, me fazendo relaxar de imediato.
- Então... O que a senhora está fazendo aqui? - Perguntei com a voz baixa, ainda encarando seu rosto. Ela se remexeu inquieta no sofá, descruzando e cruzando as pernas. Continuei encarando-a esperando que ela falasse alguma coisa.
- Eu vim conversar com vocês. - Disse em um tão calmo. Lauren disse um "serio?" debochado em meu ouvido, suspirando impacientemente - Eu não vim brigar ou ofender ninguém...
- Até porque se tentasse eu te colocaria para fora como fez comigo e com Camila - Minha namorada a cortou em um tom ríspido.
- Eu sei que o que eu fiz com vocês duas foi horrível, não tiro seu direito de estar enraivada comigo, mas eu realmente me arrependi - Minha mãe continuava com o tom calmo, olhando para a gente exalando sinceridade. Lauren riu com escarnio, resmungando um "claro" - Eu vim aqui porque desde que Camila me disse aquelas coisas no dia que vocês foram buscar Sofia eu não consegui parar de pensar no quão injusta eu fui com vocês duas, fui nojenta, preconceituosa e vocês não mereciam isso.- Arregalei os olhos sem acreditar em suas palavras, e antes que Lauren e eu pudéssemos falar algo, ela continuou...- Mas eu queria que vocês entendessem o meu lado também. Quando eu engravidei de Camila eu nem tinha dezesseis anos e achei que estava vivendo o sonho de qualquer garota naquela época, que era casar com um bom partido, ter um filho e uma casa arrumada, mas tudo o que eu consegui foi sofrimento. Alejandro foi um homem muito encantador no começo do nosso namoro, mas depois que eu tive Camila ele mostrou o que realmente era - Parou para tomar folego, sua voz estava embargada. Eu conhecia aquela historia, mas não tão detalhada, eu apenas sabia que ela me teve cedo, sofreu muito para me criar e depois seguiu sua vida - Eu tive uma infância pobre, não tive uma casa descente para morar e nem tive comida em meu prato todos os dias. Alejandro era doze anos mais velho que eu quando nos conhecemos, era um advogado muito requisitado, e eu apenas uma menina. Meus pais morreram quando eu tinha quinze anos, dois meses depois que eu comecei a namorar com Alejandro. Eu não tinha nenhum familiar ali, estava sozinha e desamparada e foi aí que ele me pediu em casamento. Para uma menina órfã de quinze anos, namorar com o melhor advogado da cidade era como ter ganhado na loteria. Quando eu descobri que estava gravida eu parei de estudar, porque Alejandro não achava bom para mim e para o bebê. Passava boa parte do dia em casa, sendo mimada pelas empregadas e por ele. Porém, três meses depois que Camila nasceu eu quis voltar a estudar, meu sonho sempre foi vim para os Estados Unidos e ser medica, mas Alejandro me impediu. Essa foi a primeira vez que ele bateu em mim, gritou aos sete ventos que eu pertencia a ele, que ele me tirou da miséria e eu devia aquilo a ele, que eu era ingrata por querer abandona-lo e abandonar nossa filha.
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Small Bump
Fanfiction"Ela tinha sido minha primeira em tudo. Nunca havia namorado ninguém, beijado ninguém, me apaixonado por ninguém antes dela. Nosso relacionamento sempre foi incrivel, mesmo sendo um segredo"
