POV Camila
Parei de frente ao espelho de meu banheiro, apenas de calcinha, olhando minha barriga de lado. Ela ainda estava em seu tamanho normal, mas eu não via a hora que ela crescesse. Eu sempre fui bastante magra, sabia que quando chegasse no segundo mês já seria perceptível que eu estava engordando, porém eu não poderia me importar menos. O meu bebê estava se formando dentro de mim, e aquilo era motivo de felicidade.
Lauren estava trabalhando, minha mãe dormia feito uma pedra em seu quarto, pois havia chegado um caco do hospital. Sofia estava na escolinha e Mike, como sempre, estava em seu trabalho. Sai do banheiro e fui para meu closet, hoje eu sairia para almoçar com as meninas, assim poderia dar a noticia a elas que somente Dinah sabia. Peguei uma saia cintura alta branca e um cropped branco com flores azuis, um laço também azul e meu all star
Desci as enormes escadarias que dava para a sala de estar, encontrando a mesma vazia como sempre. Aquela casa era um exagero de tão grande para morar apenas quatro pessoas - antes eramos somente Mike, minha mãe, Sofi e eu - que nem ficavam ali. Minha mãe praticamente morava no hospital, Mike também se dividia entre viagens, a empresa e aqui. Sofia passava o dia e tarde inteirinha na escolinha, só chegava em casa para o jantar e eu quase não ficava aqui também.
Caminhei até a cozinha para comer uma fruta antes de sair - recomendações de minha namorada/mãe coruja - e dei de cara com minha mãe sentada no balcão, comendo morangos. Sua aparência estava bastante abatida, os cabelos presos e a pele bem pálida. Ela abriu um sorriso amplo quando me viu, provavelmente feliz por eu ter saído de dentro do quarto.
Minha mãe sempre foi bastante rigorosa em relação aos meus estudos, sempre pegou muito em meu pé, porém sempre foi uma mãe excelente. Ela sempre administrou bastante o tempo entre o hospital e a atenção que era direcionada a mim e a minha irmãzinha, nunca deixou de estar ao nosso lado em nossas conquistas e vitorias. Ela era cirurgiã geral no melhor hospital de Miami, sendo assim, trabalhava demais, mas sempre esteve comigo e Sofia.
- Oi hija - Continuou sorrindo para mim, indo um pouco mais para o lado, me dando espaço para sentar-me ao seu lado - Vejo que você cansou de ficar trancafiada naquele quarto...
- Sim mama - Sentei-me com ela, dando um pequeno beijo em sua bochecha, recebendo em troca um em minha testa. Ela passou a tigela de morangos para mim, e eu logo comecei a comer também - Eu vou almoçar com as meninas hoje.
- Fico feliz que você tenha dado um tempo nos estudos, hija. Você estava abusando demais de si mesma, não pode ser assim mi amor, senão você fica doente - Acariciou minha cabeça. Ela era tão inocente em achar mesmo que aquele meu comportamento era pelos estudos. Mas eu não podia culpa-la, ela ainda não sabia o motivo real para eu ter ficado tão distante.
- Eu também acho - Murmurei, sentindo um nó se formar em minha garganta - Como foi lá no hospital?
- Cansativo, como sempre. Ontem teve um acidente envolvendo cinco carros, acredita? O hospital ficou uma loucura, mas graças a Deus não perdemos nenhum paciente - Suspirou aliviada - Porém, teve um caso em particular que mexeu comigo.
Virei de frente para ela, colocando minhas duas pernas em cima do balcão. Eu simplesmente amava as historias que ela me contava sobre o hospital, principalmente sobre os pacientes que mais mexiam com ela. Minha mãe tinha uma carreira longa na medicina, não era qualquer coisa que a deixava sentimental.
- Conta mama - Pedi como uma criancinha. Ela sorriu amplamente, virando-se de frente para mim, sentando do mesmo jeito que eu estava, colocando a tigela de morango em seu colo.
- Era uma mulher de vinte e sete anos, ela estava em um dos carros envolvidos no engavetamento. Com ela estava sua namorada, que era dois anos mais nova que ela - Senti minhas bochechas esquentarem. Minha mãe nunca foi preconceituosa, sempre foi de acreditar no amor acima de qualquer coisa, mas isso não impedia de me deixar envergonhada não é? Afinal, eu estava envolvida com a enteada dela, bem debaixo de seu nariz - O carro delas estava muito estragado, sendo assim tivemos que ir para o local do acidente, para tentar salvar a vida delas. A mais velha estava no banco do motorista, presa nas ferragens e perdia muito sangue. O caso dela era muito grave, e tínhamos medo que ela não conseguisse sair de lá viva, mas mesmo assim, com a dor que a gente sabia que ela estava sentindo ela se manteve acordada, segurando a mão de sua namorada mesmo que a menina estivesse desmaiada. Os bombeiros começaram a cerrar a porta dela, a hemorragia dela estava forte demais, seus batimentos diminuindo. Os bombeiros começaram a fazer os movimentos para tira-la de dentro do carro, para que pudéssemos estancar aquela hemorragia, e então ela virou para sua namorada, que ainda estava desmaiada e começou a chorar compulsivamente e apertar a mão da mesma, ela parecia estar se despedindo, provavelmente certa de que iria morrer. Logo em seguida ela pareceu lembrar de algo e levou a mão até a barriga e sua namorada, olhando fixamente para as coxas da mesma, que estava ensopada de sangue. Ela olhou para mim, com o olhar mais suplicante que eu já tinha visto em minha vida e disse: "Por favor, salva o meu bebê primeiro. Minha noiva esta gravida de quatro meses, e se vocês não fizerem nada agora ela irá perder o nosso menino".
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Small Bump
Fanfic"Ela tinha sido minha primeira em tudo. Nunca havia namorado ninguém, beijado ninguém, me apaixonado por ninguém antes dela. Nosso relacionamento sempre foi incrivel, mesmo sendo um segredo"
