2. kryptonita

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Estavamos no final de julho, quando terminava as chuvas intensas e se iniciava a passagem para o outono com a queda das folhas secas e quebradiças, e depois, finalmente o caloroso verão com as férias de final de ano.

Eu tinha acabado de sair da aula de matemática, e agora seria a aula de história na sala 2, que por coincidência era na mesma sala em que o Leonardo fazia ciências, se por acaso a aula de ciências dele ter acabado, eu posso tentar falar com ele sobre eu deixar as tarefas na casa dele. Se os boatos forem verdadeiros — tirando a parte de ele ser um fantasma — ele deve não ter os movimentos da perna. Eu imagino que ele sofreu muito com isso e, por isso não vem a escola. Eu já me senti assim por alguns semanas, depois que eu me assumi gay em um post do meu instagram no mês de junho — mês do orgulho LBGT.

Foram tantos comentários negativos que eu não tinha vontade de ir para escola apenas sofrer bullying, eu cheguei a faltar um dia, a pior escolha que eu já fiz, pois eles especulavam que eu era fraco ou fragilizado com os comentários. Mas, depois eu percebi que eu não precisava me importar com o que eles diziam, porque eu sabia bem o que eu sentia em relação a minha sexualidade e, eles não podiam alterar isso. A única coisa que eles procuravam fazer com aquele bullying era me afetar, me machucar por mera diversão.

Foi aí que eu conheci a Ashley e infelizmente tive que acabar entrando no grupinho do Rafael e sua gangue. Pelo menos eu tinha pessoas com quem eu podia me encontrar para jogar basquete por exemplo, mas com quem eu conversava mesmo era a Ashley, ela que por sua vez gostava de andar de skate no centro da cidade onde tinhas algumas pistas públicas, porém, o skate dela quebrou e por puro tédio resolveu se juntar a gente nas partidas de basquete.

Ouço o sinal tocar e vejo o Leo passar por mim, chamo por ele e o mesmo para, e diz:

— O que foi, Arthur? — ele parecia não estar de bom humor hoje.

— Calma aí, senhor presidente. Eu queria te pedir uma coisa — eu estava tão confiante para falar com ele, e agora toda essa confiança se foi.

— Pode pedir, mas rápido, preciso entregar as tarefas de um aluno e ir para minha aula de português em 15 minutos.

— Pronto! Era sobre isso que eu queria falar, já que você está muito atrasado e, provavelmente irá perder a sua aula se for entregar as tarefas, eu posso entregar as tarefas para você!

— Não, especificamente eu tenho que passar as tarefas para esse aluno. Se fosse outro, eu com certeza deixaria você entregar — ele da meia volta e segue em direção a parte da saída da escola.

— Vai, por favor, minha aula de história é daqui 30 minutos, tenho mais tempo para entregar ao aluno — imploro para ele, só falta eu ficar de joelhos.

— Eu já disse que não. Eu passo lá rapidinho, não preciso da sua ajuda.

— Eu acho que você não consegue não, em — o provoco sem pensar.

— Vai se fuder, é a única coisa que você sabe fazer mesmo, ainda mais com caras — ele foi na parte onde colocavam os alunos colocavam as suas bicicletas e pegou a que ele sempre ia e voltava da escola.

Arthur pensou em ir atrás dele, o mesmo apertava a sua mão com força, ele sabia que tendo outra briga, provavelmente tomaria mais uma suspensão, o que não iria cair bem para o seu histórico.

O problema é que ele não se importava com isso.

— Você ficou maluco, garoto? — Arthur o empurrou forte, fazendo com que o Leo caísse sobre o chão. Ele não iria deixar isso barato, ele se levantou do chão, levantou a sua mão e quando Arthur pensou que ele fosse revidar, ele abaixa a sua mão rapidamente, como se tivesse visto algum professor atrás de nós, ou coisa pior.

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⏰ Última atualização: Aug 07, 2022 ⏰

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𝒃𝒆𝒇𝒐𝒓𝒆 𝒔𝒖𝒏𝒔𝒆𝒕.Onde histórias criam vida. Descubra agora