mikey??(R)

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O hospital estava mergulhado em um silêncio macabro, quebrado apenas pelos gritos esparsos que ecoavam pelos corredores. O cheiro metálico de sangue impregnava o ar, misturado com o cheiro forte de desinfetante. Takemichi mal conseguia respirar. Sua mente ainda estava tentando processar tudo o que acontecia ao seu redor. O caos. Os gritos. O horror absoluto.

Ele tentou se arrastar, cada movimento um esforço exaustivo para seu corpo fraco e debilitado. Seus músculos atrofiados tremiam com o esforço, e sua pele queimava ao se arrastar pelo chão frio do hospital. Suas unhas se cravaram no piso, tentando encontrar algum apoio, mas tudo o que conseguiu foi um rangido fraco.

Seu coração batia tão forte que parecia prestes a explodir. Ele se escondeu atrás da cama, os dedos tremendo ao se agarrar ao lençol amassado. Sua respiração entrecortada traía seu desespero.

Então, a porta do quarto se abriu com um rangido sinistro.

TA-KE-MI-CHI...

A voz de Mikey preencheu o ambiente como um sussurro maldito. Lentamente, ele entrou, passos leves, como se estivesse flutuando pelo quarto.

Takemichi não precisava ver para saber que Mikey estava sorrindo. Ele sentia. A presença do outro era avassaladora, sufocante, como um fantasma que se recusava a desaparecer.

— É TUDO UM JOGO PARA VOCÊ, NÃO É? — A voz de Mikey era doce, quase gentil, mas carregava algo doentio em seu tom. Uma loucura latente, uma fome insaciável por algo que Takemichi não conseguia compreender.

Takemichi cerrou os olhos com força, pressionando o rosto contra o chão frio. Ele queria desaparecer. Ele queria acordar e perceber que tudo não passava de um pesadelo.

— Volta e volta para o futuro e passado para consertar sua merda.

O som dos passos de Mikey se aproximou ainda mais. O coração de Takemichi quase parou.

— E matar meus amigos sempre?

Uma pausa. O silêncio foi quebrado pelo barulho de algo sendo arrastado contra a parede. Takemichi abriu os olhos apenas o suficiente para ver Mikey pegando uma tesoura deixada para trás por uma enfermeira morta.

— Parece que você reinicia um jogo. Certo!? — Mikey girou a tesoura entre os dedos, o brilho do metal refletindo na pouca luz do quarto.

— AAAH, ESTOU TÃO COM CIÚME!

O grito repentino fez Takemichi estremecer.

— Eu te amo, sabia, Takemichy?

Mikey ajoelhou-se lentamente sobre a cama, apoiando-se na beirada com uma das mãos enquanto a outra segurava a tesoura. Seu olhar encontrou o de Takemichi. Era um olhar vazio, frio como a morte.

— E saber que você tem que testemunhar a morte dos meus amigos sempre... deve ser uma maldição horrível.

Takemichi apertou os olhos. Seus dedos agarraram o chão, sua respiração tornou-se superficial, trêmula. Ele queria responder, queria implorar por sua vida, mas a única coisa que saiu de sua boca foi um murmúrio ininteligível.

Mikey inclinou a cabeça.

— M?

Takemichi não conseguia falar. Sua garganta estava seca, e o medo congelava sua língua. Ele sentia seu próprio corpo tremendo, impotente, indefeso.

— Por que não fala nada, Takemichy? — Mikey sussurrou, deslizando a tesoura ao longo do lençol. — Você não tem mais nada a dizer?

Takemichi sentiu uma onda de vertigem. O quarto parecia girar, e seu peito doía com a falta de ar.

Mikey, ainda sorrindo, ergueu a tesoura e, com um golpe repentino, cravou-a no colchão, bem ao lado da cabeça de Takemichi.

— Para te impedir de fazer isso, para impedir meus amigos de morrer de novo...

Ele abaixou-se, o rosto tão perto que Takemichi podia sentir seu hálito quente contra sua pele.

— Você tem que morrer, ok, Hanagaki Takemichi?

O mundo ao redor pareceu desmoronar. O ar ficou pesado, irrespirável.

Takemichi sentiu algo quente escorrendo pelo canto de seus olhos. Lágrimas. Ele nunca tinha sentido um terror tão profundo, tão visceral.

Mikey inclinou a cabeça, analisando-o com curiosidade, como se estivesse observando um inseto preso em uma teia.

— Você está chorando?

Ele riu, um som baixo, sem emoção, repleto de algo sombrio e distorcido.

— Então você ainda sente alguma coisa...

Os dedos de Mikey roçaram o rosto de Takemichi, secando suas lágrimas com um gesto quase carinhoso.

Então, repentinamente, ele agarrou Takemichi pelo queixo, forçando-o a encará-lo.

— Mas eu me pergunto... por quanto tempo você vai continuar sentindo algo, Takemichy?

Takemichi sentiu uma onda de náusea. Sua cabeça latejava, sua visão embaçava.

Mikey o soltou, levantando-se devagar.

— Talvez seja melhor eu acabar com isso logo... ou talvez...

Ele deu um passo para trás, observando Takemichi como se estivesse decidindo o que fazer com ele.

O silêncio voltou a preencher o quarto.

Lá fora, os gritos continuavam. O massacre ainda estava acontecendo.

Takemichi, ainda tremendo, não conseguiu se mover.

Mikey sorriu novamente.

— Bem, vamos ver até onde você consegue rastejar, Hanagaki.

E, com isso, ele se afastou, deixando Takemichi sozinho em meio ao caos.

O pesadelo estava longe de acabar.

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