- Meu segredo? Não sei do que está falando - diz nervoso.
- Não adianta Dei, eu sei que você não é quem diz ser.
- Olha Rin, não sei o que descobriu, mais posso explicar.
- Começe pelo início. Por que você está enganando o Obi? Dinheiro, fama?
- Eu fui arrastado até aqui. Nunca foi a minha intenção pisar os pés neste palácio - revela.
Deidara estava nervoso, suas mãos estavam suadas e um pouco zonzo.
Não saberia a melhor maneira de explicar como e por que estava ali. Nem saberia se a garota acreditaria em suas palavras.
- Sem explicações plausíveis, Kakashi irá te dedurar.
- Tudo bem Rin, somos amigos. Não guardamos segredos.
....
Obito estava ainda em seus aposentos, pensando no beijo.
Sua cabeça só conseguia projetar a imagem do ômega, o gosto doce de sua boca fina e desajeitada e na imensidão de prazer provocada. Ele jamais sentiu algo parecido.
O ambiente logo ficou calmo demais. O alfa suspirou e se levantou da cama, andando em direção a janela.
Ele gostava das noites em claro que passava observando a lua se esconder, e o sol voltar.
Perdido em seus pensamentos, ele logo abaixou seu olhar em direção ao jardim, vendo Rin e Deidara. Seu pretendente gesticulava as mãos de maneira engraçada e nervosa, fazendo o mais velho cair na gargalhada.
Apesar de não conseguir escutar a conversa, ele imaginou estarem conversando sobre o momento ocorrido.
- Deveria me juntar a elas.
Obito corre em direção as escadas, percebendo conforme os movimentos, que suas costas estavam ótimas. Em seguida, ele esbarra sem querer com uma figura de cabelos brancos e espetados.
- Fico feliz em encontrá-lo meu príncipe. Aonde vai com tanta pressa?
- Vou ao jardim. Tem algo a dizer?
- Descobri algo sobre seu pretendente.
- Trocando pronomes Kakashi? Isso não é do seu feitio.
- Não me enganei, senhor - obito lança um olhar preocupado - Se deseja entender, talvez devesse falar com "ela".
Não entendia a leveza nas palavras de Kakashi. Se algo estivesse fora dos padrões ele mesmo contaria. Mais por que seu companheiro desejaria que ele mesmo descobrisse?
O mais velho se apressa em direção ao gramado. Chegando lá, o mesmo decide se esconder para escutar a conversa.
- Nunca me aproximei por dinheiro Rin, fui levado da padaria até aqui. Jamais ansiei que o príncipe tivesse sentimentos por mim.
Apenas não sei como contar que a garota com quem ele espera se casar, ser na verdade um garoto.
- Então espera enganá-lo a vida toda? - Coloca a mão no ombro do loiro.
- Só não quero vê-lo triste. Eu queria ir embora, queria mesmo. Mais como posso fazer isso, se eu acabei me apaixonando por ele também?
- Não pode esconder isso. Conte agora ou vai ser tarde demais.
Rin dá as costas para o ômega e segue para dentro do castelo. Deidara por outro lado, continua paralizado, com os olhos marejados e vermelhos.
Logo, ele se senta e abraça seus joelhos, escondendo seu rosto.
- Noite difícil? - Obito surge da escuridão, se projetando ao lado de Deidara.
- Eu achei que... que você estivesse lá em cima - Esconde o rosto.
O mais novo está buscando esconder sua expressão de tristeza, assim como o príncipe, de desapontamento. Deidara sabe que ele ouviu, ele tem certeza de que ouviu.
Mas ele nega a pontada de dúvida, nega sua vontade de perguntar: "Você ouviu tudo?"
O herdeiro apenas senta ao seu lado, com a mente vazia. Sem espectativas de um futuro, sem ao menos retirar uma simples palavra de seus lábios que expresse conforto.
Ele envolve o loiro em um abraço quentinho e desajeitado, fazendo o mundo ao seu redor parar. Para Deidara, nada mais importa, é como se nunca tivesse ansiado por uma vida simples na aldeia. Ele gosta de como os poucos dias, tiveram mais significado do que os longos anos.
Aquele homem torna tudo mais leve, divertido e simples. Se fosse possível, passaria o resto de sua triste vida ao lado de quem ama, ao lado de Obito
- Me desculpa eu... - Ele engoliu a fundo, mas isso não impediu as lágrimas de se expalharem pelo rosto.
Uma simples troca de olhar, disse mais do que mil palavras poderiam dizer.
Apesar de tudo, o moreno não consegue se revoltar com o loiro, não quando vê os olhos cor de céu se fundirem com as lágrimas.
O olhar de Deidara deixava explícito a tempestade que escondia dentro de si. A turbulência se expandiu conforme o tempo. Antes não fazia diferença estar vivendo dias nublados ou tempestuosos. Mas naquele momento, tudo importava.
Toda a carga emocional foi descartada bem ali, sob a luz das estrelas e com o cair da noite.
Quando tudo se acalmou, Obito foi para dentro, deixando seu pretendente sozinho por um momento, até voltar com um cobertor. Os dois ficaram envoltos da manta observando o nascer do sol, dizendo adeus a uma lua pela metade.
- Preciso de um tempo. Só para assimilar tudo isso, Dei - Acaricia a bochecha do parceiro - Mas saiba que esse sentimento aqui dentro do meu peito, continua o mesmo - Sussura.
- Leve o tempo que precisar. Não importa se forem dias, meses ou anos, eu estarei aqui, esperando pela sua resposta.
Em meio a tudo aquilo, houve espaço para sorrisos. O sorriso mais sincero já demonstrado pelo mais novo. Ele pode esperar, vai aguentar sem reclamar.
E obito vai pensar, pelo tempo que for necessário, porque acredita na palavra do parceiro.
- Eu sei que vai.
O peso do sofrimento é carregado por ambos. Um é a solidão, o outro, aceitação. Eles irão continuar tudo, e dessa vez, sem mentiras, sem promessas vazias. Apenas verdades.
- Eu te amo Dei. E nada, nem ao menos isto, irá me distanciar de você.
Eles entrelaçam uma das mãos. Os rostos ficam cada vez mais próximos, a boca inflama o desejo dentro de ambos.
Um segundo beijo. Ninguém pode provar que aquilo aconteceu. Isso ficará em sigilo constante, e apenas o sol e a lua saberão das dificuldades ali superadas.
Depois do beijo, Deidara adormeceu nos braços daquele que prometeu sua paciência e chama eterna.
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Senhorita Feudal (Tobidei/Obidei)
FanfictionUm príncipe Alpha, e o próximo da linha de sucessão. Para poder tomar o lugar do pai, ele necessita encontrar um par para reinar ao seu lado. Apesar de não apreciar casamentos arranjados, seus olhos acabaram avistando um certo alguém interessante. U...
