Gamora, a traidora.

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Draken.

Chegou, pirralho? — A voz familiar da minha tia me despertou dos meus devaneios enquanto eu largava a mochila no chão. Passei as mãos pelas minhas bochechas, tentando em vão dissipar o calor persistente que teimava em permanecer ali. Era inútil, eu sabia. Minhas bochechas provavelmente estavam vermelhas.

— Você tem treino mais tarde hoje, Ken? Quer que eu prepare algo? — Ela perguntou, já se movendo em direção à cozinha, mas parando abruptamente ao notar meu silêncio incomum. Seus olhos se estreitaram, avaliando minha postura tensa. De repente, minhas pernas vacilaram, a lembrança do beijo me atingindo como uma onda. Se não fosse pela mesa resistente ao meu lado, eu certamente teria ido ao chão.

— O que foi, menino? — Minha tia se aproximou rapidamente, seu olhar preocupado percorrendo meu rosto. — Algum bicho te mordeu? Você está pálido e... corado ao mesmo tempo. Aconteceu alguma coisa na escola?

— Não... — Respondi, encarando minha tia e tentando esboçar um sorriso casual, mas a verdade é que um sorriso bobo insistia em querer dominar meus lábios. Era impossível disfarçar a agitação que tomava conta de mim.

— Ken... — Ela semicerrou os olhos, um tom acusatório em sua voz, e um leve sorriso divertido começou a surgir em seus próprios lábios. — Isso tem a ver com aquela garota que você passava horas assistindo às entrevistas e aos jogos? Aquela jogadora de vôlei?

Meu cenho franziu imediatamente. Como diabos ela sabia daquilo?

— Você realmente acha que eu não percebo nada? — Ela riu baixinho, balançando a cabeça. — Ah, menino idiota. Você está vendo coisas sobre essa menina desde o ano passado! Desde aquele torneio estadual!

Ela estava completamente certa. Antes mesmo de [Nome] sequer sonhar que eu existia, eu já a conhecia muito bem, através dos torneios e das incontáveis horas que passei pesquisando sobre sua carreira promissora. Tudo começou naquele torneio... meus olhos a avistaram de longe, em meio a tantas outras jogadoras, mas ela se destacava de um jeito diferente, como se fosse a grande estrela daquela quadra. A partir daquele dia, uma curiosidade inexplicável me consumiu, até descobrir, para minha surpresa, que estudávamos na mesma escola, embora em turnos diferentes.

— Nós somos... amigos agora. — Murmurei, tentando soar casual, mas a verdade é que a palavra "amigos" parecia pequena demais para descrever o turbilhão de sentimentos que aquele beijo havia despertado em mim.

— Você gosta dela, Ken.

— Não... — A palavra saiu quase que automaticamente, uma negação reflexa diante daquela constatação tão direta. Mas a verdade é que a firmeza da minha resposta vacilou no ar.

— Não foi uma pergunta.. — Ela respondeu com um tom suave, mas carregado de convicção. Então, com um último olhar em minha direção, virou-se para pegar as panelas na prateleira, o som metálico quebrando o breve silêncio. — Vou fazer lasanha para o jantar. Sua favorita.

...

[Nome]

Cheguei! — Anunciei ao abrir a porta, mas o silêncio que pairava na casa me causou uma estranha sensação de vazio. Meus olhos percorreram a cozinha, capturando a visão perturbadora de uma garrafa de álcool quase vazia jogada descuidadamente sobre a mesa. Uma ponta de apreensão me atingiu. — Pai? — Deixei minha mochila escorregar de meus ombros, o baque surdo ecoando no silêncio enquanto eu caminhava tensa pelo corredor.

Silêncio... - Ken Ryuguji/Draken.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora