Sob o signo da borboleta silenciada.

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[Nome]

Idiota! — A palavra ecoou de forma raivosa, fazendo meus olhos se fecharem com força. Meus pais discutiam de novo, um ciclo vicioso que nos consumia lentamente. Não sabia o motivo, e para ser sincera, nem queria saber. As brigas eram rotina, um descarregar de frustrações de um casamento à beira do abismo. Por que não se divorciavam? Adultos pareciam ter um estranho fetiche por relações tóxicas.

Bufei, irritada, e a porta se fechou atrás de mim. Meus dedos buscaram os aparelhos auditivos, apertando os botões. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios. Finalmente, silêncio.

O silêncio era minha fuga, mas, às vezes, se tornava opressor, um lembrete constante da minha diferença. Eu me sentia um fantasma, invisível, uma garota surda que ninguém ouvia. As discussões dos meus pais eram um zumbido constante, uma tortura que eu só podia silenciar desligando meus aparelhos.

Habitualmente, eu iria de carona para a escola, mas a ideia de ouvir minha mãe descontar seu mau humor durante todo o trajeto era insuportável. Ela sempre percebia quando eu desligava os aparelhos.

Os aparelhos, escondidos sob meus cabelos, me permitiam fingir normalidade. Minha mente criava fugas para evitar comentários idiotas. Meus passos ecoavam distantes, acompanhando o ruído dos carros e o canto abafado dos pássaros. Um silêncio abrupto, que invadiu minha vida aos oito anos, por causa de um acidente.

Distraída em meus pensamentos, só percebi que estava na escola quando já estava em frente ao portão. Meu último ano do ensino médio, a promessa de liberdade desta cidade sufocante. A mesma liberdade que busquei quando fugi da minha cidade natal do acidente.

Liguei os aparelhos, esperando que os sons se ajustassem e me engolissem de volta ao mundo barulhento. Os passos, as conversas e o arrastar de objetos me fizeram estremecer.

[Nome]! — Yuzuha me chamou, e forcei um sorriso ao vê-la. — Estava te procurando!

Oi, Yuzuha... aconteceu alguma coisa?

— A treinadora adiantou o treino para hoje por causa do torneio... — A voz dela se dissipou quando uma onda de inquietação me atingiu. Senti um arrepio, como se estivesse sendo observada.

Meus olhos vagaram pelo corredor, encontrando um garoto alto e loiro que me encarava com uma hostilidade evidente. Por que ele me olhava como se fosse meu desafeto?

Yuzuha continuava a falar, mas o zumbido da ansiedade em meus ouvidos abafava suas palavras. Quem era aquele garoto?

[Nome]? — O loiro desviou o olhar, retomando seu caminho com uma indiferença que me perturbou.

[Nome]!

— Hm!? — Irritada com a insistência, torci o nariz.

Estou falando com você! Parece que ficou surda! — A frase me fez soltar um riso amargo, ignorando-a completamente. — Volta aqui! O que aconteceu?

— Preciso revisar uma matéria. — Continuei andando, sem olhar para trás. — A gente se fala depois.

Sem esperar por uma resposta, me afastei, indo para a sala de aula.

Idiota. — Resmunguei, sem saber se xingava Yuzuha ou a mim mesma. Eu não tinha motivos para estar brava com ela, a culpada era eu, uma péssima amiga que não confiava o suficiente para contar sobre a minha condição.

Draken

Cruzei os braços, irritado pela décima vez. A frustração distorcia meu rosto.

Silêncio... - Ken Ryuguji/Draken.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora