"Céus."
Andando na pontinha dos pés, Lee tentava ao máximo ignorar o fato de que havia saído de casa num dia chuvoso com tênis brancos e perfeitamente limpos. Praticamente saltava por entre as ruas com o barro recém-formado, torcendo para que chegasse no ponto de ônibus a tempo. Por todas as quatro quadras que atravessou, o que fazia era observar a rua e apressar o passo. Chegando na última quadra, soltou um longo suspiro antes de precisar atravessar a via principal com um pouco mais de pressa. O sinal havia aberto e o motorista estava prestes a parar para receber os passageiros. Por sorte, só chegou no ponto e pulou para dentro do ônibus, passando pela catraca com o passe estudantil e se jogando em qualquer um dos bancos vazios que havia encontrado.
Não podia desejar ao universo ou à qualquer divindade existente que aquele dia fosse diferente do que costumava vivenciar. Mas, se pudesse, pediria até mesmo para que suas primeiras horas fossem anuladas, esquecidas em qualquer lugar nos rascunhos dos deuses do Olimpo. Detestava se atrasar, mas não poderia fazer muito a respeito dessa vez.
Dormira por cima dos livros nas últimas três noites, quase sonhando com as escolas filosóficas da aula de Psicologia. Poderia jurar que havia esbarrado em René Descartes em um de seus sonhos. Em outro, teve a certeza de ouvir sua professora comentar sobre John Locke. Por um momento, chegou até mesmo a se perguntar se estaria vivendo um live action de O Mundo de Sofia. Virou para a janela, colocando os fones de ouvido enquanto a pergunta "Quem eu sou?" rodava sua mente. Riu internamente com o pensamento.
Escolheu ouvir Leaving California, do Maroon 5, para iniciar o dia bem.
Não percebeu quando o ônibus ficou mais cheio, obrigando algumas pessoas a ficarem em pé, mas percebeu quando uma senhorinha subiu, sem poder se sentar. Quando virou a cabeça de volta para a janela, percebeu um aviso colado: Assento preferencial. Piscou e logo se levantou, dando lugar à idosa, que sorriu e agradeceu imediatamente. Se manteve em pé, segurando em uma das barras. Levaria, em média, mais vinte minutos até chegar à faculdade. Quando se viu mais confortável, se escorou em uma das barras e abriu o bloquinho de notas que carregava consigo, pegando a mini caneta na capinha e passando a escrever.
Vinte e dois de julho, 2022.
Acordei atrasado mais uma vez. O dia nunca esteve tão lindo, mas nunca estive tão cansado para apreciá-lo. Algumas vezes tenho vontade de trancar o curso, mas aí me lembro de que preciso ter um futuro.
Tenho certa saudade do ensino médio e de poder jogar vôlei com o SeongHwa e o HongJoong depois da aula, mas todos sempre estão ocupados com os cursos. É o nosso penúltimo ano. Semana passada, a Sakura voltou para o Japão e levou a Soojin, mudaram o curso e estão fazendo artes cênicas juntas. Farão muita falta ( na verdade, só vou sentir falta dos cookies que a Soojin fazia, eram ótimos ). Jisung, Felix e Hyunjin me disseram que vão começar a faculdade daqui a duas semanas. Jisung se arriscou a fazer TI, Hyunjin resolveu fazer jornalismo ( combinou, porque não existe um fofoqueiro maior que ele ) e Felix vai cursar gastronomia. As coisas até que estão indo bem.
Sinto saudades dela.
Não é como chorar mais por sentir tanto, mas é como se um pequeno vazio ainda estivesse aqui. Não sei como anda em Londres, mas as fotos com o ukulelê mostram como ainda é apaixonada e vive pela música.
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Paper Planes | Lee Minho
FanfictionDesde criança, Minho jurava que seu destino estava traçado. Aos vinte e dois anos, quase perdera as esperanças de se declarar para sua melhor amiga de infância após a notícia de que ela estaria indo embora para estudar em Londres. No entanto, em uma...
