Episódio 6- Parte 1

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Dang-Gu se via novamente no vilarejo que tanto o assombrava, o mesmo lugar onde a vida de sua mãe havia sido tirada cruelmente. As casas ao redor ardiam em chamas, iluminando o céu noturno com um brilho alaranjado. Os gritos desesperados ecoavam por toda parte, mas, para Dang-Gu, tudo estava silencioso, como se ele fosse imune à confusão ao seu redor. A única coisa que ele sentia era a raiva ardente que crescia em seu peito, dominando qualquer outro pensamento.

Ele caminhava lentamente pelas ruas estreitas e ensanguentadas, com a espada firme em sua mão. À sua frente, os homens responsáveis pela morte de sua mãe. Eles o viam agora, aterrorizados, tentando fugir, mas Dang-Gu era rápido e implacável. Um por um, ele os caçava, como um predador, até que não houvesse mais para onde correr. Seus golpes eram precisos, mortais. Cada vez que sua espada atingia um alvo, o rosto de sua mãe lhe vinha à mente, a tristeza em seus olhos no momento de sua morte.

Em um ponto, ele parou em frente ao corpo de um dos homens, respirando pesadamente. As chamas ao redor lambiam as estruturas de madeira, e ele ouviu um sussurro no ar. Quando se virou, viu sua mãe, de pé entre as sombras, observando-o. Seu olhar era melancólico, como se não aprovasse o que via.

Min-Young: Isso não trará paz, minha filha- Sua voz ecoava, triste e distante.

Dang-Gu sentiu seu coração pesar. Ele queria justificar suas ações, dizer que fez o que precisava ser feito, mas sua voz falhou. Antes que pudesse reagir, a figura de sua mãe começou a se desvanecer nas cinzas do incêndio, e o vilarejo ao seu redor começou a ruir. Tudo parecia desmoronar ao seu redor, até que...

Dang-Gu acordou bruscamente, seu corpo coberto de suor frio. Ele estava deitado em sua cama, de volta ao palácio. A respiração ofegante, seu coração batendo descompassado. Por um momento, ele tentou se acalmar, mas as imagens do vilarejo e dos homens mortos ainda estavam frescas em sua mente. Ele passou a mão pelo rosto, tentando dissipar o sonho, mas a culpa e a dor eram difíceis de ignorar.

Ele se levantou, o ar da noite entrando pela janela aberta. Mesmo com o frescor da brisa, seu corpo ainda sentia o calor das chamas que nunca se apagavam dentro dele.

Ainda sentindo o peso do sonho, Dang-Gu decidiu sair de sua cama e caminhar pelos corredores silenciosos do palácio. A brisa noturna parecia mais fria do que o normal, e a escuridão ao redor o envolvia, oferecendo um estranho conforto. Ele precisava clarear a mente, se afastar das memórias que o atormentavam.

Enquanto caminhava lentamente pelos jardins iluminados pela lua, Dang-Gu avistou uma figura familiar à distância. Era Lee Hyun, o primo do príncipe, que estava sentado à beira de um pequeno lago, olhando para a água tranquila, aparentemente perdido em pensamentos. Dang-Gu se aproximou sem fazer muito barulho, mas Hyun logo o notou, e, ao levantar o olhar, um leve rubor tomou conta de seu rosto.

Lee Hyun se mexeu desconfortavelmente, como se estivesse tentando esconder o constrangimento. Dang-Gu, no entanto, não percebeu a tensão no ar.

Dang-Gu: Lee Hyun?- Perguntou, sua voz grave, mas suave.

Lee Hyun desviou o olhar rapidamente, mexendo nervosamente nas mangas de sua roupa.

Lee Hyun: Dang-Gu… não esperava te encontrar aqui a essa hora- Disse, tentando manter o tom casual, mas havia algo em sua voz que entregava o desconforto. A lembrança do beijo da noite anterior ainda estava viva em sua mente, mas ele não sabia como abordar o assunto.

Dang-Gu, no entanto, não parecia perturbado. Ele se sentou ao lado de Lee Hyun, olhando para o lago.

Dang-Gu: Eu não conseguia dormir- Confessou, sem se lembrar do beijo que tinha dado enquanto estava febril- Tive um sonho... ou talvez um pesadelo.- O Lord ficou ainda mais nervoso, mas tentou esconder seu embaraço.

Dois Corações- O Rei de PorcelanaOnde histórias criam vida. Descubra agora