Capítulo - 2

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Jenny, pegue minha mão porque somos mais que amigas Eu lhe seguirei até o fim Jenny, pegue minha mão

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Jenny, pegue minha mão porque somos mais que amigas Eu lhe seguirei até o fim Jenny, pegue minha mão

Studio Killers (Kim Petras)

Studio Killers (Kim Petras)

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Não posso negar que tinha inveja daquela família e de como minha querida amiga era mimada pelos seus

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Não posso negar que tinha inveja daquela família e de como minha querida amiga era mimada pelos seus. Inclusive, todos os camponeses que cercavam aquele campo senhorial amavam o seu Senhor e o abençoavam com muitas recompensas, que eram retribuídas com a proteção de sua cavalaria e com a distribuição justa das mercadorias, de forma que nenhum camponês passasse necessidade. Minha mãe, a rainha, invejava esse senhor e, desde que me conhecia por gente, cobiçava descaradamente aquele feudo.

Meu pai, enclausurado nos templos do Clero, deixava a mulher livre para maquinar maldades contra aquela família que eu tanto amava e da qual não me afastava. Na época, eu não sabia disso de como aquela pessoa que me deu à luz tomaria tudo de mim. Sendo a segunda de dois filhos, sendo mulher e tendo uma mãe narcisista como aquela, nunca imaginei que ela me causaria tanto mal… e que me odiasse tanto. Quando tinha oportunidade, me maltratava de todas as formas: puxava meus cabelos, me beliscava quando ninguém via. Ao contrário do meu pai, para quem minha existência era como a de um fantasma eu simplesmente não existia. Nunca aquele olhar se dirigiu a mim.

Muitos anos me perguntei: o que havia de errado comigo!? No momento em que descobri a causa, entendi os motivos por trás de toda a indiferença do meu pai. Eu era uma moleca travessa, e um dia, correndo pelos corredores do templo durante uma das missas, parei para descansar atrás de um dos bancos. Peguei no ar dois camponeses conversando aos sussurros, com risadinhas maldosas. Eles contavam um ao outro a suspeita de que a segunda filha do rei… era bastarda. Disseram que alguém havia visto um camponês saindo do quarto da rainha e que, a partir de certa data, o rei nunca mais a procurou ou entrou em seus aposentos. Meses depois, nasceu a garotinha que hoje se encontrava toda suja e maltrapilha, mas que era considerada princesa.

Cresci. Formei corpo. Virei mocinha sem nem saber. Me desesperei quando vi o sangue escorrendo pelas minhas pernas, manchando de vermelho o branco imaculado das roupas de baixo que usava. Achei que estava morrendo. Dois dias depois, fui até a beira de um riacho, e como todos os meus sentimentos estavam uma bagunça, pensei em me matar antes que esvaísse lentamente em sangue. Ameacei saltar para as profundezas daquelas águas tão convidativas, quando as dores da cólica me acometeram. Fui salva por uma criada que era quase minha mãe, já que foi ela quem me criou. Chegou gritando e me dando tapas como se eu fosse realmente sua filha. Me lavou no rio, apesar de ser cética quanto a banhos, me instruiu, e o mais importante: revelou que agora eu já não era mais uma criança.

A partir daí, com o pensamento de que agora podia mandar no meu nariz, comecei a atrair os olhares dos criados e servos da região e odiava isso. Tanto que, quando passeava pelo campo acompanhada de Lili, me escondia atrás do corpo dela, sendo protegida dos olhares que eram direcionados a nós duas. Apesar de eu ser a mais velha, Lisa era mais alta, e quando vestia a indumentária de cavalheiro feita sob medida para ela, a mais nova se tornava um verdadeiro príncipe.

Voltando aos momentos de amadurecimento… enquanto minha querida amiga desabrochava na pré-adolescência, tive o privilégio de vê-la se tornar cada vez mais bela. Meus sentimentos se tornaram um emaranhado de confusões. Eu não conseguia entender mais nada. Comecei a ter pensamentos intrusivos, especialmente depois de ser assediada por um pajem que me pressionou contra a parede e roubou um beijo. Meu corpo se acendeu em um fogo incandescente, que me perturbava durante a noite, onde eu desejava que certas mãos me tocassem para saciar a fome que sentia.

Comecei a ficar curiosa com essa parte. Por todo lugar que eu olhava, via cenas da corte do amor cortês, o que aumentava ainda mais minha imaginação. Um fato que me deixava bastante receosa era que, em todos os cenários que presenciei, os protagonistas sempre eram um homem e uma mulher. Ultimamente, não sei se era pela proximidade e intimidade que eu tinha com Lisa, mas me vi tendo sentimentos direcionados a ela. E, além disso, precisei evitar o contato. Porque toda vez que ela me tocava, eu me sentia fraca, com a respiração acelerada e ofegante, minha visão embaçava e eu não conseguia olhar em seus olhos.

Era frustrante pra mim. Nunca tinha devotado tal paixão por alguém quanto sentia por ela a ponto de roubar suas túnicas e começar a usá-las como fronhas para meus travesseiros. Sentia a fragrância de seu perfume e abraçava aquele pedaço de pano, que era a única coisa que eu podia ter dela.

Seu cheiro embriagante influenciava até meus sonhos noturnos, onde involuntariamente me tocava, imaginando seus dedos dentro de mim. Gemia seu nome e abafava a voz no travesseiro. Parecia tão real… meu corpo se acendia em desejo, e, quando acordava, só de ouvir sua voz, já me sentia sensível. Tudo em você era atrativo. Claro que, nesses momentos, quando a realidade batia, eu corria para o confessionário e, medindo as palavras, confessava esses sentimentos profanos, condenados pela igreja, mas que eu não conseguia controlar.

Comecei a fugir. A evitar. Juntas, transbordávamos felicidade, pois só a sua animação me alegrava. Você era como o sol. Seus raios me aqueciam. Senti tanto frio quando não pude mais te ver que cheguei a pegar uma febre e ficar de cama por uns dias. Quando você soube, juntou uma comitiva de criados e veio me visitar. Subiu correndo as escadas até o meu quarto, em lágrimas, desesperada, atravessou a porta. Levei um susto quando te vi. Você caiu sobre meu peito, me apertando nos braços, chorando de soluçar. Senti seu corpo tremendo. Eu não sabia por que estava tão aflita. Sempre tive a aparência de alguém frágil: apesar de resistente, meu físico não permitia pensar o contrário. De estatura média e magra, minha pele pálida e os cabelos castanhos me davam um ar doentio. Éramos asiáticas, com olhos puxados e lábios marcantes, apesar disso.

 Éramos asiáticas, com olhos puxados e lábios marcantes, apesar disso

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Segundo Capítulo dos primeiros passos de uma longa era.

{1058}Palavras.

{1058}Palavras

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The Wolf And The Sheep - JenlisaOnde histórias criam vida. Descubra agora