O trabalho consiste em consertar um robô "humano". No século XXI esses tais robôs viraram febre, onde a indústria sexual passou a ganhar milhões com bonecas quase humanas, eu havia feito um trabalho no primeiro período onde estudei todos os tipos de "bonecos humanos". Alguns mais avançados possuíam até mesmo inteligência artificial ( AI ), entretanto pararam de produzir esses objetos, pois com a crescente demanda no mundo virtual esses produtos acabaram sendo esquecidos e a maioria foi descartada ou guardada em locais isolados para evitar o uso dos códigos em alguma guerra.
Humanos e suas guerras. O egoísmo realmente reina, não importa a época.
– Alunos, esses robôs serão reutilizados, então terão que achar os seus. Essa atividade vale dois terços da nota do semestre, espero que todos consigam, o prazo que estipulamos é de dois meses.
Ouço as reclamações e apenas reviro os olhos, o sistema deles é tão simples que praticamente não terei trabalho e vou ter que inventar algum novo projeto para ocupar a minha mente.
Pessoas como eu mantém a mente sempre ocupada, o silêncio pode ser o pior incômodo.
– E agora espertinha, como vamos achar esse robô? – o Bryan pergunta se debruçando sobre minhas anotações.
– Eu arranjo ele ainda hoje. – respondo voltando minha atenção à tela.
O projeto teria que falar palavras básicas, movimentar-se e ter inteligência artificial básica, praticamente um robô ajudante, só que em forma humana. Estalo o pescoço e começo a anotar alguns itens necessários para o desenvolvimento do código de fala e as conexões corporais para a movimentação ser mais fluida.
Uma mão cobre os códigos e ele me encara sorrindo.
– Dá pra tirar a mão, Liam?
– Explica pra gente o que vai fazer.
Acerto um tapa em sua mão e volto a visualizar o projeto.
– É o seguinte – começo puxando o ar e tentando falar o mais rápido possível - Hoje irei pegar um robô dessa geração e ver como ele está. Pretendo integrar um sistema de inteligência artificial tipo SIAXX (Sistema de Inteligência artificial XX), um dos mais avançados ultimamente. Vou fazer sua estrutura em carbono e preciso de um modulador de voz avançado, Maya – ela me encara com seus enormes olhos amendoados – Preciso que pegue um dos moduladores MX30 da fábrica do seu pai.
– Okay, amanhã eu entrego na sua casa. – concordo e volto a atenção na tela novamente.
Graças a alguma divindade antiga o sinal de luzes acende anunciando a próxima aula e todos voltam aos seus lugares, saindo de cima de mim.
O dia passa como um borrão e logo me vejo a caminho da casa do Matthew.
Observo as ruas novamente e acabo me perdendo em meus pensamentos.
Enquanto pesquisava as configurações desses robôs acabei achando imagens das ruas antigamente, afundadas na miséria onde haviam pessoas morando na rua, fome, guerras, mortes e mais mortes.
O ser humano desde o princípio foi assim, sempre tentando melhorar, ser o melhor, e esse pensamento não é ruim de fato. Entretanto isso muda quando os homens passavam por cima dos outros por essa competição horrenda. Uma competição em que não existia um vencedor. Os "vencedores", se é assim que posso classificá-los, eram os líderes corruptos que não serviam a sua pátria, e sim aos seus próprios bolsos.
Desço do Sky caminhando lentamente até a porta.
– Matt – o chamo e não obtenho resposta, encaro a câmera até começar a ouvir barulhos e ele aparece empolgado na porta sorrindo serenamente como sempre.
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Apenas um Robô
General FictionAmélia Evans sempre almejou o desconhecido em sua vida, após anos vivendo com seu irmão mais novo e tentando superar os mistérios que permeiam a morte de seu pai, ela se viu novamente enfrentando o sistema criado para a formação de uma sociedade per...