Cap 41 - fonte

31 1 0
                                        



~~

HINATA:

A fonte termal do palácio era um dos recantos mais exclusivos. Oculta por paredes altas de mármore branco e arcos esculpidos com padrões florais antigos, o espaço era um refúgio onde apenas a realeza tinha acesso.

O piso era revestido de azulejos dourados com detalhes em madre-pérola que refletiam a luz em ondas suaves, como se o chão fosse feito de água sólida. As bordas da fonte eram feitas de lápis-lazúli polido, cujos cristais azul-escuros contrastavam com o brilho quente da água.

Do teto abobadado pendiam lustres de cristal roxo em forma de flores de lótus, cada um cravejado com pequenas gemas de rubi e ametista, lançando reflexos coloridos sobre a neblina quente que flutuava no ar.

Pequenas correntes de água quente caíam de bocas de estátuas de cisnes de jade branco, criando um som constante e reconfortante.

Ao redor da fonte, almofadas de veludo rosa estavam dispostas sobre bancos de mármore, e bandejas de prata continham frutas frescas, pétalas de rosa cristalizadas e taças de vinho de romã.

Em cada canto, urnas exalavam um aroma suave de jasmim, sândalo e flor de laranjeira, aquecido pelas pedras naturais que mantinham o ambiente morno, quase hipnótico.

Era um lugar feito não apenas para o descanso do corpo, mas para desarmar o espírito. Ali, entre ouro, pedras preciosas e vapor perfumado, o tempo parecia derreter.

E os segredos e sentimentos encontravam espaço para respirar.

Mergulhei os pés na borda da fonte. Estava envolta apenas em um robe leve de seda, bordado com flores delicadas. O silêncio era confortável, mas carregado.

Sasuke estava do outro lado da fonte, apoiado com os braços sobre a pedra, a água batendo na altura do peito. Seus olhos não se fixavam em lugar nenhum por muito tempo, mas vez ou outra, pousavam em mim. E ficavam durante longos segundos.

Os cabelos negros, ainda espetados, mesmo úmidos nas pontas, caíam de forma rebelde sobre sua testa, como se recusassem qualquer ordem, até mesmo da gravidade.

A pele pálida, quase de mármore à luz suave das lanternas cor-de-rosa, contrastava com o escuro absoluto de seus olhos. Eram olhos fundos, silenciosos e densos, como se guardassem séculos de pensamento em cada olhar.

Seu corpo, antes magrelo e frágil, agora exibia as marcas visíveis dos meses de treino com a guarda real.

Os ombros largos, os braços definidos, o peito firme... Cada linha de seu físico moldada com precisão.

Mesmo quieto, havia uma tensão constante em Sasuke, como se cada fibra estivesse sempre pronta para ação — ou fuga.

Quando olhava para mim, não era um amigo nem um guerreiro. Era apenas um homem lutando contra algo dentro de si que não conseguia nomear. Ou negar.

-Obrigada por ter vindo — eu disse, a voz baixa, quase um sussurro.

Sasuke virou o rosto em minha direção. A luz da lanterna desenhou sombras em seu maxilar tenso.

— Você sabia que eu viria, não importa quando. Ou por quê. — Sasuke respondeu com a voz baixa e firme.

Tentei sorrir, mas meus olhos estavam cansados demais, embora estivesse sem sono.

Pensei um pouco antes de falar. O nó na minha garganta se formando aos poucos:

— Tem sido difícil. Eu sonho com ele... e quando acordo, estou sozinha.

Lua Clara Onde histórias criam vida. Descubra agora