Missão Cumprida

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Sound Kittiphop

Meu celular não parava de tocar.

Eu já estava no concerto, era por volta das seis e meia da noite quando o ônibus finalmente chegou e consegui chegar a cidade. Não estava realmente lotado, agradeci por isso já que detestava um ambiente cheio. Não tirei meus fones de ouvido em momento algum, pagando com a carteira que trouxe na mala, claro, já prevenido, tomei um banho rápido ao passar no dormitório.

Pensativo, consegui ignorar as ligações pelo resto da noite. Por mais que receoso, era quase certeza que a essa altura meus pais já tivessem descoberto sobre essa aventura. Ou pior, a informação deveria ter chegado até a diretoria. No entanto, em momento algum me arrependo pelo que fiz.

Apenas torcia para que Win não tivesse falado nada.

Agora, é quase meia noite e não faço ideia de como voltarei aquele inferno.

Não esperam que eu suma de repente, não é? Não sou tão estupido! Apenas queria me fazer ausente por pelo menos algumas horas.

Tortura. Talvez eu arriscasse amanhã também. Jamais pediria ou aceitaria a ajuda de Win, não novamente, não quando eu não sabia o que ele queria em troca.

Infelizmente ele tinha o poder de colocar tudo a perder.

Combinei com um dos meus amigos, Tawan não era tão velho assim, apenas no auge dos 26 anos, é meu parceiro e cúmplice nas minhas "escapadas" em relação a banda. Não é membro, mas trabalha no bar que geralmente tocamos. Inacreditável.

- Vamos? - meu amigo passou seus longos e morenos braços por cima dos meus ombros, olhei-o surpreso, mas assenti ao guardar a guitarra que peguei em casa mais cedo. É claro que precisava aproveitar a saída de meus pais para dar uma passada em casa.

Andamos juntos até o carro, enquanto me questionava realmente apreensivo sobre como as coisas seriam daqui pra frente.

[...]

Noite fria. Felizmente estava de casaco, enquanto o mais velho dirigia através do gps, olhava em volta. Pensativo. Inerte. O plano era parar pouco antes da entrada e pular o portão principal, o mesmo da placa pela qual vi quando cheguei, sal da terra. De longe, era possível enxerga-la pela proximidade que estávamos. Sendo assim, conforme o planejado, pedi para que Tay parasse e então desci, ele me desejou boa sorte por mais que sequer acreditasse nisso. De fato, não seria Tawan se não fizesse piada com a situação.

Quase lá.

O portão não era tão alto. Fácil. Era comum pular o muro as vezes, não sempre, mas acontecia. Sempre fui inteligente, exemplar, mas não santo. Afinal, se precisava mesmo me comprometer pelo que gosto, tinha que burlar algumas regras de vez em quando.

O espaço de areia, antes lotado de carros agora estava vazio, escuro porém iluminado por apenas alguns postes. Grande estrutura, refeitório logo a direita e do outro lado alguma cabana importante dos nossos monitores, acredito eu. De qualquer forma, nada aceso, felizmente a visão era suficiente para que eu andasse despretensioso.

Aquele lugar não tem segurança? Ridículo.

Próximo. Realmente próximo.

A sorte era que fiquei com um dos primeiros dormitórios. Desconfiado.

Mais uma vez.

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