Caça À Vitória, parte 1

449 70 28
                                        

Sound Kittiphop

— Ah, mas nem fodendo!

Gritava. Não fazia questão alguma de esconder minha irritação com o resultado das repartições das duas equipes. Roxo. Não diria que seria uma completa surpresa, mas Tinn e eu ficamos no mesmo time, ao contrário de Tiwison que ficou com o time oposto.

No entanto, quem dera fosse esse o motivo de tamanha raiva que eu estava.

Acontece que, o meu suposto inimigo declarado, ah, e também colega de quarto pelos próximos dois dias, estava no mesmo time do meu melhor amigo. Amarelo.

— Vamos, Sound. Não seja dramático! Não é como se ele fosse falar suas fraquezas para seu rival não é? - um dos meus amigos tentava me confortar, Tinn. Observávamos a equipe oposta, já que, os nossos líderes dividiram o refeitório em dois para que as equipes pudessem se enturmar entre si e se conhecerem. De acordo com os mais velhos, a intimidade iria ajudar no trabalho de equipe.

Aparentemente isso seria o pilar daquele acampamento. E cá entre nós, sabemos que não sou muito bom em ser sociável.

O que mais me incomodava era ver o meu melhor amigo conversar animadamente com todos ali, quero dizer, não me importo que ele tenha outras amizades, pelo contrário, desejo que pelo menos um de nós esteja feliz ali (talvez por que eu definitivamente não faço parte dessa lista). O problema é: Ele interagia com o grupo daquele com quem briguei.

Especificamente Win, eles pareciam bem próximos e era disso que eu tenho medo.

Tinha certeza que estava vermelho de tanto ódio, em parte, por ter que suportar Tiwison se gabar sobre o "poder" que tinha sobre mim em suas mãos. Eu sabia que, apesar da nossa amizade, quando ele se torna competitivo acaba ultrapassando limites. E muitas vezes falando de mais. Não era proposital, eu sei. Apenas tenho medo que este ser acabe contando sobre meus planos de fugir daquele acampamento.

Win parecia me odiar. Se ele descobrisse, poderia me delatar aos monitores e eu com certeza seria punido mais severamente pela minha diretora. Além de não ter a mínima chance de conseguir ir ao concerto essa tarde.

Precisava ser cuidadoso.

— Eu sinceramente espero que não. Se não sou capaz de cometer um assassinato! - acho que estou encarando de mais, Ele pareceu perceber e rapidamente desviei o olhar. Tudo o que eu menos precisava é dar corda para aquele ser que me irritava naturalmente.

— Certo, equipes! Os líderes e co-líderes de ambas as cores estarão passando e entregando faixas para cada um de vocês. Vocês podem usá-las como assessório no pulso ou como lenço de cabelo, como preferirem. Mas não se esqueçam, é realmente importante que cuidem bem desse item, ok? - confesso que o tom misterioso na última frase me deixou intrigado, porém não o suficiente para me questionar muito.

De acordo com o guia, a nossa primeira atividade em campo começa daqui a 20 minutos, às 14 horas e ponto.

Certo, sinto que essa será uma ótima deixa para partir.

— Você já tem algum plano? - Tinn sussurrava curioso e eu apenas afirmei. Pelas poucas horas que passei aqui, não consegui bolar algo muito mirabolante, mas este deve servir.

O importante era cuidar para que nada estragasse-o. Apenas.

[...]

Descobri que logo atrás daquele lugar, havia um enorme campo, uma parte cheia de grama e outra não, coberto apenas por areia. Nada de muito extravagante ou inesperado a não ser a prede que estava no meio da parte arenosa. Era um espaço para jogar vôlei, mas eu não dava a mínima para isso. Sinceramente.

CampOnde histórias criam vida. Descubra agora