Capítulo - 12

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POV Simone Tebet

Saí da grife sem entender muito a minha atitude. Do que eu estava fugindo? De soraya? Ou de assumir algo que eu já sabia?

Sei que o arrependimento que eu estava sentindo é a chave para qualquer fechadura. Mas eu estaria disposta abrir as minhas? E me deixar conhecer?

Dirigi para casa tentando não pensar em nada. Entretando, os movimentos das ruas, dos automóveis, das pessoas transitando não se comparava a bagunça que estava na minha mente e coração.

Abri a porta do duplex e avistei Apolo me esperando na sala de estar. Meu gorducho me conhece tão bem, talvez saiba mais de mim e da minha conduta que eu mesma, pois ele notou que eu não estava tão bem. Veio lentamente até mim e choramingou para que eu sentasse com ele no sofá.

Peguei um copo de whisky e coloquei meu filho no colo para fazer carinho na sua pelagem negra. A bebida desceu queimando a minha garganta. Eu sei que álcool não é remédio, mas eu acreditei que ele poderia anestesiar conflitos.

"O que é isso que eu tô sentindo?"

"Por que meu peito aperta por ter deixado ela sozinha naquela sala fria?"

"Seria minha consciência falando que errei?"

Mentira. Não deu certo. Eu sentia o cheiro dela impregnado nos meus cabelos, na minha pele. O gosto do seu corpo perfeito na minha boca. As ondas sonoras do meu nome saindo de sua boca ainda ecoavam no meu ouvido. Conseguia sentir sua maciez na ponta dos meus dedos. O meu olfato tomado por seu aroma doce.

- Eu vou enlouquecer Apolo.

Levantei do sofá e fui me despindo pelo caminho que percorri até o banheiro. Liguei a ducha no frio e me meti debaixo d'água. Esfreguei cada parte do meu corpo com a intensão de tirar a loira dos meus pensamentos e de perto de mim.

Impossível. Quando me aproximei da minha cama as imagens da noite do baile invadiram a minha mente. Os fios loiros esparramados pelo meu travesseiro.

- Que droga, você é tão estúpida Simone Tebet.

Ela não saía de mim. Seu aroma ainda estava na minha cama, no meu travesseiro, em Apolo, na minha roupa que ela usou e no meu próprio corpo.

Eu sei que o que fiz com Soraya foi ridículo. Certamente ela está se sentindo usada, ferida. Mas me desesperou que, pela primeira vez em toda minha vida, eu não sabia o que fazer e o que sentir.

Peguei meu celular e liguei para a única que pessoa que poderia me escutar.

- Alô? Simone? O que aconteceu pra você me tirar do sono da beleza?

- Janja, eu preciso falar com você.

- Eu também preciso Simone.

- Amanhã na cafeteria de sempre? Por favor.

- Você tá bem?

- Sim...bem, não. Mas sim.

- Certo, eu vou estar lá... E Simone, por favor, vá preparada.

- Pra que?

- Não posso falar por telefone, eu te conto todos os detalhes amanhã.

- Ok, boa noite Janja.

Deitei na minha cama, olhando o teto acima da minha cabeça. Não conseguia pregar os olhos. Talvez remorso por ter sido tão insensível.

"Eu odeio não controlar o que sinto ou o que penso.”

"Senhor, o que tá acontecendo comigo?"

Os ponteiros do relógio já marcavam duas da madrugada e eu seguia sem conseguir dormir. Fui até o meu estúdio improvisado no quarto ao lado para pegar papel e lápis. A confusão gera a criatividade.

Aute Cuture - Simone e Soraya Onde histórias criam vida. Descubra agora