POV Soraya Thronicke
Usada: adjetivo, que se conseguiu utilizar, fazer uso, empregar ou aplicar de alguma forma.
Era assim que eu me sentia. Permaneci sentada no sofá com as palavras dela repetindo na minha cabeça. Talvez eu seja uma tola. Talvez eu seja cega. Simone conseguiu o que tanto queria e eu comprovei o que já temia: mais uma na sua lista de modelos para degustação.
Estou decepcionada, magoada e triste.
E não, não com Simone. Comigo mesma, porque no fundo eu sempre soube que ela faria isso. Transar, aproveitar-se do elevado prazer e ir embora batendo a porta sem fitar meus olhos para saber se aquilo me machucava.
Sinto-me decepcionada porque apesar de todas as vezes que a morena reafirmou ser um "jogo", uma "aposta", inconscientemente eu nutri as esperanças de que no final seria diferente...
Frustração pode ser resultado de uma decepção ou a confirmação de uma verdade já esperada. Não aceitada.
Minha moral, meus princípios, as minhas convicções e meu orgulho foram anulados como um um soluço sem lágrimas.
"Que estúpida, você é uma estúpida Soraya Thronicke".
"Porra Simone, tudo que você faz é bagunçar as coisas"
Sequei a lágrima que ameaçava cair no canto do olho, juntei minhas coisas e levantei do sofá, jurando que nunca mais Simone Tebet tocaria um dedo em mim.
Desci os andares olhando meu rosto no espelho do elevador, ensaiando uma cara de felicidade para cumprimentar as pessoas com quem eu cruzasse.
Despedi-me da garota da recepção, desejei um bom final de semana aos seguranças da portaria e chamei um táxi, no estado em que me encontrava, seria impossível dirigir. Ao entrar no carro, fiquei olhando as paisagens pela janela, evitando pensar no quanto eu fui babaca.
Via as crianças brincando no parque, as famílias passeando com seus bichinhos, mães e filhos jogando com uma bola. O sentimento de solidão cresceu no meu peito. Nunca quis formar uma família e, obviamente, sigo não desejando isso. Entretanto, em um dia como hoje, onde me senti machucada, queria poder chegar em casa e ter um ombro para desaguar.
Cheguei em casa, abri a porta do meu apartamento silencioso. Almejei que estivesse cheio de pessoas ou com uma grande festa acontecendo, assim seria possível evitar ficar sozinha com meus pensamentos.
Tomei banho e coloquei um pijama velho e confortável. Peguei um pote de uva verde, que na verdade eu gostaria que fosse sorvete, mas a minha carreira não me permite, me joguei no sofá olhando para o teto e lembrando dos toques dela na minha pele. Me repreendi no mesmo instante por isso. Fraca. Eu sou fraca.
Lembrei das diversas vezes que prometi a mim mesma que nunca me envolveria com ela. Agora estou aqui, sozinha, usada e tentando tirar o cheiro dela do meu nariz, das minhas mãos e da minha mente.
Pego o celular e digito o número rapidamente.
— Alô? Yaya? - sua voz estava assustada, provavelmente por eu estar ligando aquele horário da noite.
— Deb, eu preciso de você.
— O que aconteceu? A malévola deu em cima de você de novo?
— Não... foi pior
— O que? Como assim?
— Você pode vir aqui? - ela ficou em silêncio - por favorzinho? - pedi com uma voz de criança que precisa de proteção.
— Certo Srta Soraya Thronicke, estou indo.
(...)
Depois de mais ou menos trinta minutos, Débora bateu na minha porta e eu me joguei nos seus braços. Desde pequena ela foi com uma irmã pra mim e depois que saí de casa, comecei a trabalhar, Deb tem sido a minha família, minha assessora, meu braço direito e esquerdo e a única pessoa a me apoiar em qualquer situação.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Aute Cuture - Simone e Soraya
FanfictionVocês já imaginaram o que acontece por detrás da produção dos glamurosos vestidos de grife? Quando a modelo fotográfica Soraya Thronicke é contratada para ser a cara da nova coleção da estilista Simone Tebet, todo o processo de produção é modificado...
