Em um mundo pós-apocalíptico mergulhado em trevas e caos, a humanidade enfrenta a ameaça implacável dos vampiros. Um eclipse cataclísmico envolveu o planeta em escuridão e os vampiros emergiram, espalhando o mal e desencadeando um terrível apocalips...
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ABIGAIL
Foi só um pesadelo.
Foi só um pesadelo.
Foi só um pesadelo.
Repeti essa frase em minha mente até que pudesse ficar calma. Havia sido inundada pelas memórias daquele maldito dia, agora acordando em pânico profundo, ofegando e suando a ponto de ensopar os lençóis encardidos da cama. Está escuro, mal consigo ver um palmo de distância no quarto abafado, porém, sei, ao olhar no relógio, que está perto da hora de eu levantar.
Com sorte, vovó, que dorme ao meu lado, não acordou perante minha crise infantil de sonambulismo. Levanto com calma e em silêncio, tateando os móveis e as paredes até alcançar os corredores e, por fim, o banheiro. Faz duas semanas desde que viemos para Paris, a capital do Governo do Oeste; não faço muita ideia de como fugimos de toda aquela bagunça da antiga base, tio Adam bateu o carro, tudo rodou e então...
Fomos salvos.
Salvos por uma pálida mulher ruiva que podia caminhar sobre o fogo e retorcer o metal do veículo com as próprias mãos. Tinha presas, sim, mas não havia sangue algum nelas.
Seu nome era Arya, disse a mim.
Queria acreditar que isso era só fruto da minha mente confusa, mas eu não fui a única de nós que a viu, e agora precisamos arcar com o fardo de guardar segredo. Tivemos apenas uma semana para nos recuperarmos do acidente e não tardou para que o governo arranjasse nosso passe de serviço nas fábricas internas da capital. Tomei um breve banho e rearranjei minha aparência, não é porque trabalho na manufatura de armamentos que preciso virar eu mesma um canhão. Os cabelos pretos estão sempre presos em um coque, não quero cortá-los, e eles acabam atrapalhando caso fiquem soltos; além disso, chamam menos atenção assim— apesar de meus olhos, azuis como o céu, já terem a decência de atrair comentários.
Nossa casa na capital, por menor que fosse, é várias vezes mais segura do que viver na base militar de Frankfurt, onde estávamos. Além disso, é nossa, significa que não precisamos dividir ela com outros trinta e tantos operários, podemos mantê-la limpa sem esforço e contamos com privacidade, algo que eu nunca tive na vida. Afinal, desde pequena vivo nas bases militares, pois raras são as oportunidades de ter uma casa na capital.
Isto é, porque as bases ficam na linha de frente e, não importa quão seguras sejam, nunca estarão distantes das fronteiras com os vampiros.
Tio Adam e meu irmão já haviam saído de casa. O primeiro foi o mais ferido no acidente, um retorcido de ferro da pickup entrou em sua perna e agora ele ficará abraçado por uma muleta até se recuperar— por sorte, não foi tão grave quanto parece. Já Alex teve cortes leves e tentou ao máximo me proteger na hora; não conseguiu, contudo, impedir que eu batesse a cabeça tão forte a ponto de quase apagar.