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SCARLETT

Apesar de Vinnie ter voltado a ser tão romântico e atencioso quanto antes, as saídas para resolver assuntos do trabalho não diminuíram. Eu ainda tinha minhas desconfianças e pretendia descobrir logo se estava sendo enganada. Até lá, eu fingi ser a esposa perfeita e centrada que ele queria ver.

Tentei me afastar de Thomas, não respondi mais suas mensagens e não saí mais para correr de manhã. Queria dar um gelo nele porque me sentia arrependida do que aconteceu entre nós. Foi algo impensado e – como a maioria das coisas erradas que eu fazia – impulsivo. Com o passar dos dias, ele apenas parou de tentar se comunicar comigo. Era melhor assim, me manteria mais calma.

O dia da exposição dos quadros de Vinnie chegou. Pessoas importantes iriam para ver e comprar as obras. Algumas, as que tinham eu como inspiração, não seriam vendidas e só estariam ali para ficarem expostas e depois seriam levadas de volta para a nossa casa. Esses quadros em específico só estavam na galeria naquele momento porque Savannah insistiu que Vinnie não escondesse nenhuma de suas pinturas, principalmente as que ele mais gostou de fazer.

Fiquei ao lado do meu marido durante a maior parte do evento, conversamos com dezenas de pessoas e eu assisti Vinnie falar sobre seus quadros de maneira emocionante. Dava para ver que ele realmente amava a pintura. Ele não costumava amar muitas coisas, então vê-lo falar sobre aquilo com tanta paixão me fazia sentir muito bem.

— Este é magnífico! — um empresário com quem estávamos falando elogiou uma das pinturas que Vinnie fez de mim. — Você soube captar tão bem a aparência da sua esposa. É como se pudéssemos ver exatamente o que ela estava sentindo naquele momento.

Tesão. Eu estava cheia de tesão quando posei para aquela tela e isso com certeza não poderia ser sentido a menos que Vinnie tivesse pintado nós dois transando. Entretanto, eu apenas assenti com um sorriso gentil no rosto.

— Vejo muita facilidade em pintar a Scarlett. — Vinnie disse. — Ela é perfeita. — apertou de leve a minha cintura.

— E qual o valor da obra? Diferente dos outros, este não tem etiqueta. — o homem disse confuso.

— Este é apenas para exposição. Os quadros que pinto de Scarlett são só para nós.

— Tem certeza? Eu estaria disposto a pagar uma fortuna.

Senti os dedos de Vinnie afundarem na minha cintura. Ele iria começar a ficar bravo se o homem insistisse.

— Desculpe, eu receio que não possa colocar um preço neste quadro. — ele disse ainda me agarrando firmemente. — Não importa quanto me ofereça, não irei vender.

— É mesmo uma pena. — lamentou.

Depois de mais conversas e algumas vendas, Savannah, que ficou olhando para a gente quase que o tempo inteiro, conseguiu arranjar uma desculpa para tirar Vinnie de perto de mim. O prefeito estava ali e segundo ela, Vinnie deveria lhe dar toda atenção possível.

Comecei a caminhar cumprimentando formalmente algumas pessoas e parei de frente para outra pintura minha. Nesta eu estava do outro lado de uma mesa folheando alguns papéis. Usava um jaleco e olhava para a frente. Era como se o expectador fosse o meu paciente. Era uma lembrança de Vinnie de quando tínhamos as nossas sessões na prisão.

— A analista. — alguém leu o nome do quadro atrás de mim. — O que significa? — Thomas parou ao meu lado.

— Sou só eu trabalhando. — respondi sem olhar para ele.

— O quadro foi pintado na visão de um paciente, pelo que posso ver pelo ângulo. Seu marido já se consultou com você alguma vez?

Puxei o ar para os meus pulmões e soltei um suspiro lento e tedioso.

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