VINNIE
Thomas acabou causando uma comoção geral na cidade, o que para mim era um grande exagero. Sofrer um acidente de carro não era motivo para mérito. Ele ficou uma semana em coma e quando voltou do hospital, havia uma festa de boas vindas em seu jardim da frente. Festa essa na qual eu e Scarlett estávamos participando não apenas com nossa presença, mas também com cupcakes de chocolate que Scarlett me obrigou a ajudar a fazer.
Ele chegou numa cadeira de rodas que era empurrada por seu pai e todos fizeram aquela algazarra irritante com gritos de comemoração apenas por Thomas estar vivo. Eu também estou, então me deem parabéns, bando de falsos puritanos.
Forçar simpatia havia se tornado um dos meus maiores dons atualmente e eu conseguia ser a gentileza em pessoa quando se tratava de conversar com um vizinho chato pra caramba que não parava de falar em como os seus filhos estavam aprendendo coisas óbvias e nada incríveis como sentar sem tombar para o lado ou segurar a própria mamadeira. O pior dessas conversas sobre bebês é que eles sempre estavam perguntando quando eu e Scarlett teríamos um.
A pergunta deixava minha esposa desconfortável porque ter um filho era um desejo dela, mas não o meu. Sempre dizíamos que queríamos aproveitar alguns anos sozinhos antes de termos crianças, mas a verdade era que provavelmente isso nunca aconteceria. Não consigo me imaginar ficando feliz só porque um bebê conseguiu rir pela primeira vez. Acho que uma criança mereça um pai que comemore coisas idiotas desse tipo.
No meio da pequena festinha, Thomas ficou sozinho pela primeira vez desde que passou pela cerca de casa. Ele estava enchendo seu prato com alguns doces e eu resolvi me aproximar.
— Thomas. — abri um sorriso. — Como se sente?
— Menos quebrado do que há uma semana. — riu. — E então, senhor Thompson, conseguiu vender muitos quadros?
— Ah, sim. Fiz uma pequena fortuna. — cocei meu maxilar. — Não preciso nem me preocupar em pintar alguma coisa para vender tão depressa. Posso ficar um ano sem fazer absolutamente nada.
— Isso é ótimo. — forçou um sorriso. — Sabe... — vi ele desviar a sua atenção na direção de Scarlett. — Já esteve com alguém que parecia ser uma coisa e de repente descobriu que essa pessoa não era nada do que você pensava?
— Não. — falei somente. — O que está querendo dizer? — esse assunto não estava me cheirando bem.
— Olha, eu sei que o senhor pode não acreditar em mim e vai achar que é loucura, mas por favor, não se ofenda. Estou apenas te contando isso como um meio de ficar em alerta. Para a sua segurança, sabe?
— Minha segurança? — franzi a testa.
— Na noite em que Savannah Wilson foi empurrada das escadas, eu e Scarlett tivemos uma breve conversa sobre ela. Sua esposa parecia furiosa e ela sumiu logo depois. Quando o senhor foi para casa após o evento, Scarlett estava lá?
Pensei por alguns segundos no que responderia. Eu com certeza estava de saco cheio daquele garoto e queria mantê-lo longe de nós o quanto pudesse.
— Não, ela não estava em casa. — falei a verdade.
— E o senhor sabe onde ela estava?
— O que está querendo insinuar, Thomas? — sorri de canto, desdenhando dele.
— Cara, eu sei o que uma mulher pode fazer quando está com ciúmes. Na maioria das vezes a Scarlett parece ser a pessoa mais doce do mundo, mas eu vi ela com raiva naquela noite e parecia alguém totalmente diferente. Foi assustador.
— Podemos conversar em um lugar menos barulhento? — olhei em volta.
— Está bem. — assentiu.
Comecei a empurrar a cadeira de Thomas na direção da porta da cozinha. De longe, Scarlett olhou para mim com seus olhos levemente arregalados certamente perguntando em silêncio o que eu estava pensando em fazer.
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𝗥𝗘𝗔𝗣𝗘𝗥
Fanfiction【 adp. 𝘃𝗶𝗻𝗻𝗶𝗲 𝗵𝗮𝗰𝗸𝗲𝗿. + 🔪 】 Scarlett Powell é uma psiquiatra especialista em transtornos de personalidade. Em seu novo caso, ela foi designada para analisar o famoso serial killer Vinnie Hacker, mais conhecido como "Ceifador". Conhecen...
