SCARLETT POWELL
Dois dias após meu primeiro encontro com o Vinnie, eu iria voltar até o presídio para outra sessão. Entretanto, ao acordar pela manhã e checar meus e-mails, notei que o diretor do presídio havia me avisado de que as sessões seriam adiadas porque Vinnie havia sido mandado para a solitária por ter agredido dois guardas.
Irritada com a situação, eu comecei a digitar uma resposta.
Caro diretor Ramón,
O senhor está ciente de que as sessões de terapia são uma exigência judicial e que elas não são um tipo de tratamento especial para o detento. Minha análise é de interesse popular, visando dar a melhor resolução possível para o caso de Vinnie Hacker, referente ao que for melhor para a segurança da sociedade. Tendo noção disso, o senhor deve imaginar que independente do mal comportamento do detento, as sessões de terapia continuam sendo uma obrigação.
Espero não precisar contatar o juiz do caso para que o libere hoje. Estarei aí em uma hora e meia e pelo bem do senhor e de seus funcionários, é melhor que Vinnie Hacker esteja na mesma sala de visitas em que eu entrar.
Atenciosamente, Dra. Scarlett Powell.
Alguns diretores se achavam donos dos detentos e ignoravam algumas coisas básicas. Fiquei ainda mais aborrecida porque os dois dias na solitária possivelmente haviam afetado coisas em Vinnie que antes eu poderia trabalhar com mais facilidade. Irritar alguém que já tinha o ódio como sentimento natural era como colocar fogo em pólvora.
Ao chegar ao presídio, ainda tive um pouco de dificuldade em convencê-los de liberar o Vinnie para a sessão. Depois de ameaça-los pela terceira vez, finalmente me foi explicado o motivo de estarem tão relutantes.
— Tememos por sua segurança, doutora Powell. — o diretor Ramón disse enquanto andava de um lado para o outro. — O detento parece ter algum tipo de obsessão pela senhorita e dado o histórico dele isso pode ser perigoso.
— Olhe, eu sou a psiquiatra aqui. Não interessa o que o Vinnie vê em mim, eu posso contornar. — sorri sarcasticamente.
— Pode contornar isso? — me entregou um caderno aberto em uma das folhas.
Peguei o caderno e observei o desenho. Era eu, claramente.
— Se não fosse pela rasura de riscos no meu rosto eu mandaria emoldurar. — eu disse despreocupada. — Obrigada, eu queria mesmo descobrir no que o Vinnie é talentoso. Isso diz muitas coisas sobre ele. O senhor adiantou uma parte do meu trabalho. — continuei usando o tom de deboche.
— Folhei-e as páginas, doutora. — pediu de maneira séria.
Olhei os outros desenhos, todos homens, alguns eu reconheci como carcereiros do presídio.
— Artistas desenham o que podem ver, certo? O que tem de especial nisso? — suspirei de tédio.
— O Vinnie só desenha o que ele quer matar.
— Acha que ele quer me matar? — soltei um riso divertido.
— Alguma coisa com você ele quer e eu duvido que a senhorita goste disso. — aborreceu-se.
— Hum... — talvez eu pudesse aproveitar. — É uma prisão de segurança máxima. Você foi muito elogiado na mídia por dirigir um lugar tão seguro e impenetrável. Por que tem medo que o Vinnie me mate numa sala de visitas se os seus homens estarão a menos de dez metros de nós? Não se garante tanto assim?
— Evitar se aproximar de pessoas perigosas é a melhor medida de segurança possível, estou apenas sugerindo-a.
— E já deve ter notado que eu não estou nenhum pouco interessada nas suas sugestões. Levem o Ceifador até a porra da sala de visitas antes que eu precise falar com o juiz do caso sobre a sua oposição. — fiquei de pé. — Vou te dar dez minutos. — balancei o caderno em minha mão. — Levarei isso comigo.
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𝗥𝗘𝗔𝗣𝗘𝗥
أدب الهواة【 adp. 𝘃𝗶𝗻𝗻𝗶𝗲 𝗵𝗮𝗰𝗸𝗲𝗿. + 🔪 】 Scarlett Powell é uma psiquiatra especialista em transtornos de personalidade. Em seu novo caso, ela foi designada para analisar o famoso serial killer Vinnie Hacker, mais conhecido como "Ceifador". Conhecen...
