capítulo 3

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DANILO MONTEIRO

Sinto uma dor dilacerante e nada em mim doeu tanto antes como essa joelhada no meu saco com o pau duro.

__ desgraçada!

Xingo a vendo sair e mesmo sentindo dor, meu corpo inteiro pulsar por ela, aquele beijo me deixou louco, eu a foderia aqui mesmo contra essa estante se essa filha da mãe não tivesse me nocauteado me tirando de jogo, agora entendo porque meu pai era louco por ela, a protegia, bastou um único contato para eu saber que ela era diferente, Cecília tem um cheiro, sua pele parece uma porcelana fina, aquela boca irresistível e os olhos mais encantadores que já vi, quando ela era criança eu a achava feia e sem graça, mas a vida fez questão de reverter isso para foder com tudo, ela se transformou num verdadeiro monumento.

__ patrão!

Ouço a voz do Silvano a me chamar atrás da porta, me ergo tentando me recuperar, mas ainda sinto minhas bolas latejarem.

__ pode entrar!

Autorizo e ele a entrar.

__ vim informar que o corpo do seu pai acabou de chegar, está sendo posicionado na sala.

__ Obrigado por avisar Silvano.

__ na há de que patrão.

__ Silvano mais uma coisa, você pode me trazer uma bolsa de gelo?

Ele me olha confuso e pergunta.

__ gelo?

__ gelo! Pode trazer ou tá difícil?

Falo bravo e ele parece ficar constrangido.

__ claro que posso patrão.

Ele se vai e não demora a retornar com uma bolsa térmica de gelo, o dispenso e coloco o gelo no meu pau por cima da roupa buscando algum alívio para esse latejamento sem fim.

Com tudo mais calmo permaneço no escritório, provavelmente a sala deve está cheia de pessoas lamentado sua morte e a grande maioria nem deve ser tão próxima, sei que o sepultamento será no fim da tarde e quando falta um pouco mais de uma hora para levarem o corpo ao jazigo, decido por ir ver seu corpo.

Como já esperava vejo vários pessoas na sala e a maioria dos rosto eu não conheço, alguns tenho lembranças da época que morei aqui, sou cumprimentado pelo trajeto e respondo com aceno na cabeça, vejo a atrevida ao lado do caixão e uma pessoa muito especial para mim, Betânia, mesmo com a idade mais avançada a reconheci de imediato, ela foi minha babá e como perdi minha mãe muito cedo Betânia assumiu esse papel, como ela não tinha filhos me deu todo seu amor, sinto um bolo se formar em minha garganta e meus olhos começam a arderem, luto contra as emoções que querem vim e me aproximo do caixão.

A atrevida se afasta me dando espaço e o vejo, parece estar dormindo, seu rosto sereno, os cabelos todo branco e algumas rugas no rosto, ele envelheceu bem.

O olho por segundos, minutos, não sei ao certo, seu rosto fica memorizado em mim, sinto uma mão tocar a minha e me viro dando de cara com Betânia, os olhinhos amorosos cheios de rugas.

__ menino Danilo!

Betânia me abraça e eu retribuo, eu sentir falta do seu abraço e me sinto como se fosse um menino outra vez.

CASAMENTO DE MENTIRAOnde histórias criam vida. Descubra agora