14 | Corredor

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A noite pareceu não passar para Iisung

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A noite pareceu não passar para Iisung. Mesmo com o braço enfaixado, uma dor o consumia por dentro, interminável, angustiante, persistente. A cada mínimo som na casa ele se sentia alerta, as sombras ao seu redor sufocantes, fazendo-o suspeitar da presença do mascarado em qualquer lugar. 

Não foi capaz de dormir, e o cansaço agora pesava em seu corpo. Mesmo com os olhos ardendo, não era capaz de encontrar descanso, pois sempre que o sono parecia prestes a dominá-lo, um barulho estranho, principalmente os que pareciam vir do andar de cima, o fazia questionar se era real ou sua cabeça estava projetando coisas, a sensação de inquietude piorando a cada segundo.

Decidido a se distrair e buscar um pouco de clareza na mente, Jisung se levantou e começou a explorar os corredores da casa. Era uma decisão estranha, sem dúvida, ainda mais na residência da pessoa que tinha muito a lucrar por sua cabeça. Mas a curiosidade o puxava adiante, e naquele momento o que ele mais precisava era de uma distração.

A casa de Minho era muito maior do que imaginara. Havia várias salas e longos corredores que pareciam se estender infinitamente. Muitas portas estavam trancadas e cobertas por uma camada de poeira, como se o tempo tivesse parado ali. Em cada passo que dava notava quadros rasgados pendurados nas paredes, suas imagens distorcidas quase irreconhecíveis.

Respingos de sangue velho manchavam as paredes e o chão em alguns lugares quase imperceptíveis, isso só aumentava a sensação de desconforto que o acompanhava a um certo tempo. O corredor estreito parecia se fechar ao seu redor, um frio subindo em sua espinha conforme avançava.

Uma porta, porém, chamou sua atenção, e ele parou para diante dela. Decorada com adesivos que um dia foram coloridos, corações em néon, um contraste gritante com o ambiente opressivo e neutro da casa. Aquele toque de cor parecia a única fonte de alegria dentro daquela residência, quase como se estivesse tentando esconder alguma coisa.

Quando estava prestes a tocar na maçaneta prateada, uma mão firme pousou em seu ombro. Ele se virou rapidamente, seu coração disparando pelo susto, e não se acalmou ao perceber que era Minho. O rosto dele estava marcado por uma expressão de descontentamento intenso, embora seu humor geralmente fosse ácido, havia algo mais intenso em sua raiva desta vez.

— O que você tá fazendo aqui? — Minho disparou com voz firme e arrogante, seus olhos quase lançando chamas de indignação. — Ninguém pode entrar nesse corredor!

A reação de Jisung foi imediata, ele ergueu as mãos em um gesto defensivo, tentando acalmar a situação como dava.

— Eu só não sabia… Só estava procurando pelo banheiro. — respondeu ele, dando de ombros nervosamente enquanto tentava esconder o medo que crescia dentro dele. — Sinto muito.

— Só sai logo daqui.

Com passos hesitantes e uma sensação crescente de desespero, ele se afastou do corredor, desejando ter escolhido qualquer outro lugar para explorar naquela noite totalmente estranha. O desconforto entre eles era evidente e parecia se estender a cada segundo que Jisung ficava ali. Enquanto saía lentamente da presença de Minho, se sentiu como se estivesse escapando de um labirinto cheio de armadilhas invisíveis.

MEU ALVO | m&j (EM REESCRITA)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora