Ficamos discutindo até anoitecer e ficar inevitável que a gente saísse de casa. Era sexta-feira, porra. Tomei um banho rápido na casa do Matt, a mãe dele me emprestou umas toalhas limpas e brancas e ainda deu opinião sobre como eu devia deixar meu cabelo. Não fiz o que ela pediu, claro. Acho que eu tava sentindo falta de uma mãe, agora que a minha tava longe. Engraçado que eu pouco me fodia quando ela tava por perto.
Saímos pela rua sem um caminho certo. A gente só queria tá na rua. O céu tava bem bonito, com umas estrelas muito loucas. Na primeira vez que eu fiquei com a Bruna, a gente tava deitado na grama do jardim do condomínio dela, perto da piscina. Colocamos os pés na água e deitamos com a cabeça na grama. Ela sabia uma porrada de coisas dessas viadices de estrela, o nome delas, essas porras, e ficava me contando. Eu não entendia caralho nenhum, mas era legal ela me contar.
Parei com aqueles pensamentos quando me lembrei que provavelmente veria ela hoje com aquele gordo do caralho. A cada dia eu ficava com mais raiva dele. Antes eu pouco me fodia, ele era só mais um gordo com carro, mas já tava começando a me irritar. Principalmente com essa história dos traficantes que bateram no Matt. Ele ainda tava com o olho meio roxo. Sem contar que de uns tempos pra cá eu vejo esse gordo com a Bruna pra todo lado que eu olho, ele tá tipo onipresente.
Eu: Vocês já pararam pra pensar que o Vinão é um gordo onipresente do caralho?
Fred: O que é onipresente?
Porra.
A gente chegou num dos pontos da cidade que eu mais curtia. Era uma praça que ficava no alto de um morro, tinha umas escadas de pedra escura, e lá em cima tinha uma fonte, sei lá o nome daquilo. Mas se tu fosse bem na beirada, dava pra ver boa parte da cidade. De noite era bem bonito. Subimos lá pra fumar um.
A gente dividia até uma porra de dixavador. Tava começando a pensar em como certas coisas não faziam sentido. Os caras levantaram e saíram da praça discutindo sobre sei lá o quê. Eu só acompanhei. Andamos até chegar no meio de uma rua bem larga, tipo um cruzamento, mas não tava passando muito carro aquela hora. Ficamos em cima de uma tampa de esgoto, dessas que ficam no meio da rua. O Fred parou ali mesmo.
Eu: Que porra a gente tá fazendo parado aqui?
Fred: Vocês não queriam a festa?
Eu: Ninguém decidiu ainda, caralho. O Matt já levou uns socos da última vez que tu decidiu as coisas sozinho, tu devia…
Ele só se abaixou e levantou a tampa que tava no meio da rua. Aquilo era bizarro, mas enquanto eu fiquei esperando pra ver a merda que o Fred ia aprontar, uma luz verde neon e forte pra caralho saiu de lá debaixo, acompanhada da música “Miami Trick” do LMFAO. Que porra era aquela?!
A gente ficou se entreolhando enquanto o Fred abria um sorrisão. Não resisti e tive de abrir também. Olhei pra cara do Matt que tava toda verde por causa da luz, e ele também tava rindo. Foda-se a balada da Mondal, vamo pra essa porra de festa da Isabela!!!
Eu não sabia que pico era aquele e nem o que a Isabela tinha feito pra arranjar, mas a gente desceu a escada, e lá embaixo tinha uma fila enorme pra entrar numa porra de caixa preta. A música já tava alta pra caralho lá fora. Muitas caras escrotas e conhecidas na fila, mas eu já não tava ligando muito, tava achando tudo engraçado. Viva as drogas.
O Fred tava alucinando, dançando e esbarrando numas gurias. A maioria olhava pra ele e sorria, reconhecendo de algum lugar. A gente tava sempre junto, e por isso provavelmente elas me reconheciam também, mas a minha cara não era lá muito amigável e o Matt era tímido pra caralho. Enquanto o Fred fazia a social dele, o Matt acendeu outro baseado ali mesmo.
Eu: Porra, Matt.
Ele assentiu com o olhar.
Eu: Tá fumando mais que qualquer pessoa que eu conheço.
Matt: Não mesmo.
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PQOGSPN?!
Teen Fiction"Novo por aqui? Vamos por partes: A PQOGSPN é uma websérie que começou a ser postada no Tumblr e virou livro. Sim, primeiro veio o Tumblr, depois vieram os livros!" Originalmente postada no Tumblr, PQOGSPN é uma websérie criada por Nath Araújo em me...
