20 anos atrás – 2005
Rio de Janeiro – Favela da Rocinha
O sol brilhava forte, cerca de 28 °C, um calor típico do Rio de Janeiro. Diogo Gregório, de 13 anos, já era conhecido por todos como Grego, não apenas pelo nome, mas por ser o filho adotivo do Marechal, o dono do morro.
A rotina de Grego sempre se repetia: escola de manhã, e à tarde, a boca. O pai fazia questão de envolvê-lo em tudo, preparando-o para o dia em que herdaria sua posição. Em casa, ele dividia a vida com Pamela, sua irmã de 6 anos, filha biológica do Marechal, uma garotinha inocente que carregava um brilho no olhar que Grego já não tinha.
Naquela manhã, parecia apenas mais um dia comum. Sentado no fundo da sala, perto da janela, Grego passava o tempo com os amigos Felipe, Luan e outros garotos, jogando bolinhas de papel numa aposta para acertar o lixeiro. Distraído, quase não percebeu quando a professora chamou a atenção da turma.
— Pessoal! — disse a mulher, firme mas simpática. — Temos um aluno novo.
Um garoto entrou na sala. Tinha cabelos castanhos claros, olhos cor de mel que brilhavam sob a luz, a pele clara salpicada de sardas. Carregava uma mochila vermelha-bordô enfeitada com bottons e acessórios.
Para Grego, foi como se o tempo tivesse parado. Nunca tinha visto alguém tão bonito. Endireitou-se na cadeira sem perceber, os olhos grudados nele.
— Por favor, se apresente para a turma — pediu a professora em tom acolhedor.
— Eu sou Theo da Silva, e morava em Florianópolis. — disse o garoto, com um sorriso doce.
Grego sentiu o coração acelerar de um jeito estranho.
— Certo, Theo. Sente-se na frente do Diogo — orientou a professora.
— É Grego, professora. — corrigiu o garoto em tom brincalhão.
Ela riu. — Então, sente-se atrás do Grego.
— Grego? Fala sério. — Theo deu um sorriso debochado.
Grego fez um joinha pra professora. E ficou sem jeito com a fala do garoto baixinho.
— E aí. — se aproximou Grego, tentando disfarçar a ansiedade. Mas por dentro, o coração parecia querer escapar do peito. Não entendia o motivo de estar sentindo aquilo por um garoto. Nunca tinha sentido nada parecido, nem por uma menina. Mas Theo nem deu muito bola, já que estava com fone.
No recreio, meio sem jeito, Grego ofereceu o seu sanduíche amassado.
— Tá meio amassado, mas eu vou pegar porque eu tô com fome. — disse Theo aceitando o sanduíche. Grego achou Theo um garoto com uma personalidade bem forte, oque fez seu coração acelerar bem mais.
Em uma tarde de chuva forte, Grego viu Theo desprotegido, alguns metros à frente. Correu até ele e estendeu o guarda-chuva.
— Toma, eu vou indo. — disse rápido, antes de sair correndo.
— Ei!... — Gritou, mas Grego não ouvia mais, e então a armadura do garoto havia caído com um sorriso. Quando Grego virou as costas para Theo, um sorriso bobo escapou em seus lábios, uma inocência que ele acreditava já não ter, mas
Pouco depois, Grego começou a deixar rosas no portão da casa de Theo, sempre acompanhadas de um cartão assinado apenas “DG”. Theo guardava cada uma delas em um vaso com água, como um segredo precioso.
Aos poucos, algo crescia entre eles. Theo tinha uma pureza e um deboche natural, que encantava Grego, uma pureza que ele sabia não poder carregar em sua realidade. Ainda assim, não conseguia se afastar.
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Amor Bandido
Fiksi Penggemar[SENDO REESCRITA] Grego cresceu cercado pela violência, perdeu toda a família para a guerra do tráfico e da polícia, e aprendeu cedo a não acreditar no amor. Até que Gael cruza seu caminho - filho do delegado que destruiu sua vida, e a única pessoa...
