Capítulo 19

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S/N

   A cela era escura, não haviam janelas dentro dela, apenas um pequeno quadrado na parede no corredor entre as celas. Não entrava luz suficiente de qualquer forma, aquele lugar não parecia estar em Asfhymor, parecia morto, o contrário de Asfhymor que estava sempre viva e vibrante.

   Eu não conseguia parar de pensar, quanto tempo eu ainda teria até o pôr do sol? Será que essa era mesmo a coisa certa a se fazer? O Klark realmente honraria o acordo? Seja como for, agora era tarde demais pra voltar atrás.

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   Ouvi passos pelo corredor, eram rápidos e pesados e continuaram até que dois guardas parassem na porta da cela com as chaves para abrir a cela. Estava na hora.

Klark

   Tudo estava indo bem demais, eu não imaginava que aquela humana se entregaria. Isso estava fácil o suficiente pra que eu desconfiasse. Em alguns minutos meus guardas a colocaram sentada na minha frente.

_O que você quer?!

—Você não me intimida, mortal. Mas já que perguntou, eu quero testar você. Como sabe, nós não gostamos de mentir, mas vocês humanos... A menos que estejam sob encantamentos, não costumam ser verdadeiros.

   Ela pareceu entender o que eu queria, esperava que ela gritasse como uma selvagem, mas apenas aceitou sua sentença como mais cedo. Me aproximei dela e a olhei nos olhos, logo eles ficaram vazios como eu queria.

—Agora vamos testar esse novo brinquedo. Coloque sua mão direita no fogo da lareira. Agora.

   Ela se levantou da cadeira e foi até a lareira, observei atentamente enquanto ela levava sua mão até as chamas, sua expressão que ela se esforçava pra manter neutra demonstrou a dor imediatamente. Ela gritou.

—Basta. —Ordeno fazendo-a se afastar da lareira. —Sente-se.

   Ela fez como ordenado, seu rosto agora molhado ainda expressava sua dor.

—Por que se entregou? Responda e se lembre, só a verdade.

_Não podia deixá-los ir para a guerra.

—Por que?

_Não queria que morressem por mim.

—Mas vai morrer por eles. Me parece hipócrita.

_Que seja.

   A libertei do encantamento e mandei que meus guardas a levassem de volta a cela. Não estávamos muito longe do pôr do sol, quando isso finalmente acabaria.

Jeongin

—Chris?

(Christopher): Machucaram ela. 

   Sua voz soou fria e afiada, já começávamos a sentir o poder crescendo, mesmo que ele estivesse algemado pra que não pudesse usar seus poderes, assim como a Ayla. Seja lá o que fizeram com ela, não ia demorar pra que ele conseguisse sair dali, e então não haveria acordo ou promessas que fossem suficientes pra salvar qualquer um deles. 

   Ouvimos um rugido do lado de fora do palácio, Saiph. Ele só estaria aqui se ela saísse... E se ela saiu... O sol estava se pondo. 

Narradora

   O sol se encontrava com o horizonte, ali mesmo na clareira próxima ao palácio foi erguido um altar. Todo o exército e a corte do rei Klark havia se reunido ali, esperando ansiosamente pela execução que lhes fora prometida. Ali também estavam as cortes de Erin e Halux, não era toda Asfhymor entretanto, as fadas da floresta não se metiam nos assuntos políticos que não envolviam suas cortes, e o mesmo com as nixies dos rios e lagos. 

    As árvores estavam em silêncio, o que havia eras que não acontecia. Era como se a própria Asfhymor se calasse ao que estava para acontecer. Um longo tapete vermelho foi colocado seguindo um caminho até o meio do altar, ao redor haviam lamparinas que iluminavam o lugar que logo iria escurecer. E então eles apareceram. Os três reis seguiram o caminho pelo tapete em fila indiana, com Klark á frente seguido por Halux e Erin indo até o altar se posicionando um ao lado do outro em linha reta. 

    Seu povo se curvou perante eles, e continuaram ao chão até que os três subissem no altar. Um dos funcionários do palácio de Klark subiu pela lateral do altar levando consigo algo como um suporte e o colocando á frente do altar, seguido por outro que trazia uma caixa aveludada em vermelho a encaixando no suporte e então saindo do altar se misturando a multidão.  

Christopher

    Eu não conseguia ouvi-la, sentia sua dor, mas por mais que eu a chamasse ela não respondia. Eu tentava forçar as algemas mas elas dificultavam tudo por neutralizar parte do poder. Eu precisava me concentrar mas não conseguia parar de pensar no que teriam feito pra ela, se estaria perdendo sangue, se estaria insuportável... E então as trombetas soaram do lado de fora. 

Narradora

   As trombetas soaram e a guarda saldou seu rei enquanto Klark se colocava á frente do altar enquanto Halux e Erin se mantinham atrás ombro a ombro um com o outro. Klark com sua postura ereta e seu ar superior e arrogante, seu sorriso por mais discreto que fosse, entregava a mensagem do quanto estava feliz por finalmente ter o que queria, exatamente como uma criança mimada.

(Klark): Tragam-na! —Ordenou.

   Dois guardas altos e robustos em suas armaduras negras surgiram abrindo espaço em meio à multidão, criando um longo corredor, outro guarda vinha por ele a arrastando logo subindo ao altar com a garota. Ela foi jogada de joelhos no altar, instantaneamente abaixando a cabeça, esperando que acabasse logo.

   Ela sabia que não havia nada a fazer, mesmo assim, se sentia bem ao saber que morreria em casa... Que o mundo ao seu redor estaria pronto para receber sua alma como fosse, independente se fora criada por ele ou não.

   Klark abriu a caixa estreita e longa revestida por veludo vermelho, e o brilho que saiu dela conseguia iluminar tudo muito além das lamparinas. Ele tirou a lâmina de dentro dela, seu cabo possuía quatro joias, cada uma representava um dos reinos. Ele levantou a lâmina e a mesma liberou poder. Seu brilho se misturou com uma névoa que saía da mesma, estava pronta.

(Klark): Humanos não são filhos de Asfhymor, portanto não podem viver entre nós. Essa terra não os aceita! Sua voz soava por todo o lugar, era possível sentir o ódio irradiando da mesma. Assim como da espada.

Locked Memories (Sob Alterações)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora