E se a vida que você vive, a forma como vê o mundo, não fossem o que você pensa? E se o mundo que você conhece não fosse a única coisa que conheceu durante a vida? E se tudo que você acredita e toma como verdade, só fosse assim por uma ilusão criada...
Estava sentada na poltrona do meu quarto, eu já havia desistido de ler, já que meus pensamentos estavam mais barulhentos do que o normal. Já fazia uma semana... Uma semana inteira e eu ainda não me lembrava de nada, haviam só lapsos, como sons distantes demais, ou imagens embaçadas o suficiente pra que eu não visse, nem ouvisse quase nada. Nada estava adiantando, e isso estava piorando tudo.
(Ayla): S/N?
—Sim?
(Ayla): Ouviu algo do que eu disse?
—Sinto muito. —Me desculpo olhando pra ela.
Não era a minha intenção me perder de novo.
—O que disse? Prometo me concentrar dessa vez.
(Ayla): Vamos sair ao pôr do sol.
—Achei que...
(Ayla): Eu sei, mas não vai sozinha e fomos liberados, por hoje pelo menos.
—Tudo bem... Ahn... Pode me ajudar a escolher o que vestir?
Os olhos dela se iluminaram e quase pensei que ela não seria tão fria quanto fazia parecer.
(Ayla): Claro. —Sorri fechado.
Nos levantamos do sofá e subimos as escadas indo pro meu quarto.
(Ayla): Escolhe os que mais gostar e vamos por eliminação.
—Certo.
Enquanto olhava pelos cabides escolhia algumas das peças penduradas ali. Havia uma em especial que chamou a minha atenção, mas pensei que era exagerado demais pra seja lá o que faríamos. Consegui reunir cinco peças que achei interessantes e voltei pro quarto, as joguei em cima da cama e ficamos em pé analisando cada uma delas.
(Ayla): Vamos lá. Essa não. —Diz separando o primeiro e o colocando em cima da poltrona.
—Aonde vamos?
(Ayla): É uma comemoração à Mani. Nossa maior lua. Todos os anos nessa mesma época ela chega em seu apogeu, e toma a coloração azul.
—Azul... Acho que sei qual é o perfeito.
Voltei ao closet e procurei pela peça que tinha visto á poucos minutos, a peguei e a levei de volta pra onde a Ayla ainda me esperava.
(Ayla): É, acho que eu devia ter te contado sobre onde vamos antes. —Sorri. —Esse era o seu favorito.
—Fiquei alguns minutos olhando pra ele, mas achei que seria demais.
(Ayla): Aqui não existe nada que seja demais. Está livre pra usar todos os mais chamativos e extravagantes vestidos que quiser.
—Isso é reconfortante.
(Ayla): Foi exatamente o que disse da primeira vez. —Sorri.
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