Fogo e sangue.

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– Escute, amanhã cedo pegue as crianças, dê a cada uma delas um pequeno pedaço de pão, em seguida, leve-os para a parte mais densa e sombria da floresta, faça uma fogueira e deixe-as lá, pois já não podemos mais alimentá-las.

– Não, mulher, eu não posso abandonar nossos filhos para os animais selvagens que rapidamente os rasgariam em pedaços! – Respondeu o homem.

– Se você não fizer isso, todos nós vamos morrer de fome!

As duas crianças ainda estavam acordadas com a fome e ouviram tudo o que a mãe tinha dito ao pai.
Maria pensou que estava condenada e começou a chorar lastimosamente, mas João disse:

– Fique quieta e não se preocupe. Eu sei o que fazer!

Na manhã seguinte a mãe veio e acordou os dois antes do amanhecer:

– Levantem-se crianças. Vamos para a floresta. Aqui está um pequeno pedaço de pão. Tomem cuidado e guardem até o meio dia!

Ambos saíram da casa com o pai, sentido a desesperança crescer a cada passo que davam. Depois que haviam andado um pouco, João começou a parar repetidamente, olhando para trás.

– João, por que você está parando? Preste atenção no seu caminho! - Ralhou o pai, dando um forte tapa na cabeça do menino.

– Oh, pai, eu estou olhando para meu gato preto que está sentado me seguindo e quer dizer adeus para mim...

No entanto, João não olhava para gato nenhum, estava marcando o caminho com migalhas de pão.

Quando eles chegaram ao meio da floresta, o pai disse:

– Crianças, eu vou fazer uma fogueira para que vocês não congelem!

Ele fez a fogueira e, quando as chamas estavam queimando bem, falou:

– Deitem-se e durmam. Vou entrar na floresta para pegar lenha. Esperem até eu voltar para buscá-los. - A expressão do homem era vazia e sombria.

João e Maria esperaram e esperaram, mas ninguém apareceu. Maria começou a soluçar, em pânico, mas João a consolou:

– Espere, quando a lua aparecer, eu serei capaz de achar as migalhas de pão que eu espalhei, vamos encontrar o caminho de volta para casa.

– Eu não quero voltar para lá! – Disse Maria desesperadamente. – Eles tentaram nos matar, João!

– Calma, confie em mim, eu tenho um plano... Eles vão pagar por isso!

A lua apareceu, mas quando João procurou as migalhas, elas tinham sumido. Os pássaros da floresta comeram tudo.

João pensou que ainda poderia encontrar o caminho de volta para casa, então ele e Maria começaram a caminhar.

Por três dias e três noites as crianças ficaram perdidas na floresta. Quando estavam quase desmaiando devido à fome, eis que eles encontram uma casa. A casa era feita com teto de pão de ló, paredes de bolo e janelas de açúcar.

As crianças logo começaram a comer.

Após terem comido parte do telhado e uma janela inteira, uma voz é ouvida, vindo de dentro da casa:

– Quem está comendo a minha janela?

João e Maria ficaram apavorados e tentaram fugir, mas um terrível homem saiu de dentro da casa. Ele deu a eles um belo jantar de carne humana e depois preparou duas camas confortáveis para passarem a noite. As crianças pensavam ter encontrado o paraíso...

Mas o homem era na verdade um demônio que gostava de atrair crianças até sua casa para molestá-las e depois comê-las.

Na manhã seguinte, João foi preso em uma pequena jaula, onde mal podia se mexer e Maria virou sua escrava, fazendo tudo o que ele mandasse. João foi bem alimentado com doces para que ficasse gordo e o demônio pudesse comê-lo, mas Maria só comia restos de carne apodrecida.

Todo dia o demônio ia até onde João encontrava-se:

– Criança, ponha para fora o seu dedo, para que eu possa sentir se você já está gordo o suficiente!

Mas todo dia João colocava um osso de galinha e enganava o demônio.

Depois de um mês, ele irritou-se irritou e bradou:

– Já chega! Eu irei comê-lo hoje, estando gordo ou não!

O demônio pediu para Maria preparar a guilhotina, para que cortasse a cabeça do irmão. Maria, aos prantos, preparou os utensílios que seriam usados para matar.

O demônio atirou João até Maria e disse:

– Rápido, corte a cabeça dele!

Ao colocá-lo na guilhotina, uma ideia brilhante lhe veio à cabeça.

– Qual é o problema? - O demônio estava muito irritado e impaciente com a demora.

– Eu não sei como usar essa coisa. O senhor poderia me demonstrar como se faz? - Pediu Maria, piscando os olhos com inocência.

Então o demônio colocou sua cabeça na guilhotina para demonstrar, mas João e Maria rapidamente puxaram a corda e cortaram a cabeça dele fora.

As crianças conseguiram fugir... Mas fugiram traumatizadas e sedentas por sangue.

– Onde vamos agora? – Perguntou Maria, sorrindo para o seu irmão.

– Para a nossa antiga casa...

Eles andaram pela floresta por exatamente dois dias até acharem sua antiga casa. O cheiro da pobreza, misturada a sede de sangue, guiando-os de volta.

– E agora? – Perguntou Maria. – O que fazemos?

– Queimamos!

Maria foi para o fundo da casa, onde seu pai guardava a chave reserva da porta e fósforos.

Ela trancou a porta pelo lado de fora e entregou a caixinha para o irmão. João acendeu o fósforo...

Os dois se deliciaram com os gritos de desespero dos pais sendo queimados vivos lentamente, o sangue e o fogo se consumindo e misturando-se.

Mudaram-se para a casa do demônio e lá vivem até hoje, atraindo e devorando criancinhas ingênuas, como eles próprios já foram um dia.

Contos da meia noiteOnde histórias criam vida. Descubra agora