Reviravolta

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Em 2018 o projeto humano produzido pelo jornalista e professor universitário Ivan Mizanzuk, retratou o caso. Fruto de dois anos de investigação jornalística, a narrativa expôs as falhas na investigação, os hiatos e as perguntas não respondidas relativas ao crime, e trouxe à tona uma nova versão: os depoimentos colhidos pela Polícia Militar do Paraná foram "arrancados" sob tortura e os áudios e vídeos haviam sido editados. "Depois que eu era torturada, eu ia falar as coisas e falava 'mas eu não sei o que vocês querem que eu fale'. Eles falavam assim 'diga que você matou a criança' e eu falei 'tá'. Eu dizia o 'tá' antes para perceberem que eu estava inventando aquilo. 'Tá, eu matei a criança'. Eu não sabia nem que criança eles queriam que eu dissesse", disse Beatriz após as novas provas.

O podcast tornou-se um dos mais baixados do Brasil em 2019, com mais de quatro milhões de acessos.a comentarista Isabela boscov chamou a série de "impecável" e disse que "se em 1992 houvesse entre os investigadores do caso alguém com a clareza, o método, a perseverança e o rigor de Ivan Mizanzuk, provavelmente a gente saberia o que aconteceu com o Evandro e com o outro menino desaparecido cinquenta dias antes em Guaratuba, o Leandro Bossi".

Em 4 de janeiro de 2022, o governo do Paraná, representado pelo secretário estadual de Justiça, Trabalho e Família, publicou um documento pedindo desculpas à Beatriz Abagge pelas torturas, chamadas de "sevícias indesculpáveis" no comunicado.

A defesa chegou a pedir a anulação do julgamento, mas em março de 2023 os desembargadores do TJ mantiveram a condenação alegando que as fitas de áudio precisavam ser periciadas. O advogado disse que pedirá uma nova anulação e que as fitas sempre estiveram no processo. "É uma prova que estava nos autos. E que, se à época dos fatos tivesse permanecido dentro da investigação, certamente esse processo jamais teria existido", enfatizou.
Diógenes vira reu

Em julho de 2022, Diógenes virou réu por calúnia após voltar a acusar os então absolvidos: "nós sabemos que foram eles que mataram e não foi só o Evandro, não foi só o Leandro [Bossi], eles confessaram outras crianças. (...) todos aqueles desaparecimentos, aqueles 28 casos que estão sumidos, do final dos anos 80, início dos anos 90, eles são casos de sumiços fora da curva, são casos diferentes. Sempre existiu desaparecimentos e sempre existe, até hoje. Mas aqueles eram fora da curva, eles tinham características especiais e nenhuma delas foi encontrada. Então, aquilo só acabou com a prisão deles. Em janeiro de 92 sumiu uma criança, em fevereiro sumiu duas e, em março, sumiram três. Em abril, sumiu o Evandro e depois nunca mais sumiu ninguém nessa característica que eu aponto fora da curva. Então, só isso aí já é um motivo para ele [Secretário de Justiça Ney Leprevost] parar e pensar e não ficar fazendo essas conversinhas aí de pedir desculpas. Realmente isso é vergonhoso

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