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Rio de Janeiro, VK
um mês e meio depois | 13:02📍

EDUARDA

— Duda? — minha funcionária me chamou

Nesse um mês e meio, consegui finalmente abrir minha loja. Graças a Deus, tudo tava dando certo, o movimento tava bom, o lucro subindo e já tinha várias clientes fiéis

— Fala, Lu — respondi enquanto terminava uns cálculos no papel

— O Dn tá lá fora querendo falar contigo — ela apontou pra porta de vidro, e foi aí que vi Danilo parado em cima da moto. Agradeci e fui até ele

— E aí, Danilo, aconteceu alguma coisa? — perguntei, já meio preocupada

— Nada não, nega, só vim te entregar uma marmita — ele disse e eu franzi a testa, confusa

— Teu Peixinho mandou pra tu — debochou, dando um sorrisinho malandro

Soltei uma risadinha sem graça e peguei a marmita das mãos dele

— Valeu, Dn

Dei um beijinho na bochecha dele, que fez cara de nojo, mas riu logo depois e se despediu. Entrei na loja e fui direto pra salinha das funcionárias. Sentei na mesa e comecei a comer minha comida, pegando o celular pra mandar mensagem pro Gabriel agradecendo

Mal tinha dado tempo de comer metade quando ouvi Luiza me chamar com a voz meio nervosa

— Duda!

Levantei na hora e fui até o caixa. Assim que cheguei lá, dei de cara com Juliana de braços cruzados e uma expressão de deboche, enquanto Luiza parecia em pânico

— O que tá acontecendo? — perguntei, já sentindo que vinha merda

— Patroa, essa moça tá querendo o dinheiro de volta porque disse que a peça que comprou veio rasgada

Revirei os olhos. Conversa fiada.

— Isso é impossível, a gente sempre verifica as peças antes de colocar na sacola — falei firme, e Juliana abriu um sorriso sínico

— Pelo que parece, não verificou direito. Quero meu dinheiro de volta — empurrou o recibo e a blusa na minha direção

Peguei o papel e chequei a data. Respirei fundo antes de responder

— Não vai ter como. Você tinha trinta dias pra trocar e já se passaram quase dois meses desde que comprou essa blusa

Ela estreitou os olhos e bufou, impaciente

— Eu não tô nem aí, eu quero meu dinheiro de volta — praticamente gritou

Minha paciência já tava no limite

— Isso é problema seu, minha filha. Já falei que não tem como. Se quiser, eu ainda posso tentar fazer uma troca, aí tu leva outra coisa

— Não vai devolver meu dinheiro?

Balancei a cabeça, negando

— Tem certeza?

Mal terminei de confirmar, a desgraçada começou a berrar e jogar as coisas pro chão. Virou as revistas, derrubou as roupas que estavam expostas, fez a maior zona na loja. Eu só fiquei parada, observando a cena, com os braços cruzados

— Ainda bem que as araras e o resto tão tudo aparafusado no chão — comentei tranquila, e Luiza me olhou assustada

— Como cê tá tão calma?!

Loucuras - [M]Onde histórias criam vida. Descubra agora