capítulo 1 -

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Violet Álava Bittencourt

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Violet Álava Bittencourt

Às vezes eu queria entrar na sala do meu chefe, e apenas berrar. Me questiono qual seria sua reação.

Não me leve a mal, eu amo meu trabalho, amo o que faço. Amo mais ainda ter acesso a novas culturas e países através da minha carreira e construir laços com pessoas por meio disso. Mas eu odiava ter que acordar cedo depois de ter feito a cobertura de uma entrevista até tarde da noite de ontem.

Alan Noshbell era meu chefe, e porra, eu não tinha nada contra ele, até o momento que ele me ligou solicitando minha presença no prédio social da empresa.

Odiava acordar cedo, e odiava mais ainda quando vinha acompanhado de más notícias. Eu não era propriedade da empresa de Noshbell, muito pelo contrário, estava aqui de passagem a mando da ESPN.

Por isso, enquanto me olhava no reflexo do espelho do elevador do estabelecimento, avalio o que poderia ser.

O contrato acabaria daqui a alguns dias, certamente, mas se eles fossem adiantar essa finalização, iriam me consultar certo? Eu definitivamente não estava 100% certa disso.

A França era majestosa, e eu amava Paris e amava cobrir entrevistas pelo Paris Saint-German; estava mentalmente me preparando para dar fim nesse processo de apego para voltar para casa, mas um corte seco desses estragaria minha vibe.

Quando o elevador anuncia o andar, dou uma última olhada no espelho e respiro fundo, torcendo pra que, mesmo sendo impossível, o pior não acontecesse.

Os corredores não estavam cheios como de costume. Os que ainda trabalhavam eram provavelmente da área social ou de contratos, e acenavam para mim, ou estavam me olhando demais.

Ok, isso está estranho e precisa acabar.

Bato a porta de Alan, e quando escuto um pode entrar, não hesito. Haviam quatro pessoas na sala, duas dessas dentro da tela de um notebook caro e duas fora.

— Senhorita Álava. — cumprimenta Alan ao me ver chegar, em um Espanhol com forte sotaque Francês. Eu devo me preocupar? — Entre, se sente por favor.

Daphne, sua assistente de cabelos platinados e olhos cor castanhos, estava sentada à frente de sua mesa. Sempre desconfiei que houvesse um romance entre os dois; não que fosse de minha conta, mas Daphne nunca parecia confortável na presença de Alan, e duvidava muito que isso fosse porque ele é dono da empresa, afinal, esse velho não tem moral nenhuma.

Noshbell tinha um círculo absurdo no meio da cabeça, onde havia - não havia, certamente - a falta de cabelos, que eram pra ser loiros. Era ridículo o quanto seus olhos pareciam próximos um do outro, em uma cor meio preto acinzentada, sem vida. Totalmente proporcional com seu rosto, de velho tarado que não se contenta com as mãos no bolso.

— Bom dia! — digo ao me sentar.

A tela do notebook agora mais próxima me dá a visão de quem está do outro lado, e sabia que eu não tinha como adivinhar - como tentava - qual seria o futuro dessa reunião, pois eu não fazia a mínima ideia de quem eram essas pessoas do outro lado.

Uma mulher elegante, com roupas sociais lindas, cabelos loiros de raiz mais quente, olhos de um tom azul escuro e um sorriso de canto me olhava pela tela. Ao seu lado, um garoto que deveria ter uns 20 ou 22 anos, de cabelos escuros e curtos, olhos fundos e pretos e um pouco de barba estava desinteressado. Parecia estar sendo obrigado a estar ali, bom, eu também filhote, eu também.

— Aceita uma xícara de café? — o dono da empresa me oferece, e eu quase rio por sua frase parecer o Professor Girafales, mas nego com a cabeça.

— Não bebo cafeína. — lembro o homem, e as duas pessoas no notebook erguem as sobrancelhas. — Por que não começa logo o que me chamou aqui para fazer, Alan?

— Claro, claro. — ele tosse. Imediatamente, Daphne coloca um copo de água na mesa. — Bom, Violet. Esses são Olívia Rivera e Fernando González, creio que não os conhece.

Não, óbvio que não. Se eu conhecesse, entraria e começaria uma conversa com eles sobre "como 'tá a família?", velho burro.

— É um prazer, meu nome é Violet Álava. — me apresento.

— Conhecemos você querida, é um prazer. — a voz de Olívia era doce mas grave, parecia aquelas mulheres advogadas que botam medo em qualquer macho.

Fernando apenas acena para mim, ansioso para que aquela reunião tenha um fim logo.

— Pode ir logo ao ponto. — declaro.

— É de seu conhecimento que seu contrato com a ESPN, Rede de Programação de Entretenimento e Esportes, aqui na França, chega ao fim nesta sexta-feira. — concordo para que ele continue. — Foi um imenso prazer tê-la conosco, você é uma profissional excelente, e atuou de forma impecável em seu cargo.

— Obrigada! — agradeço, era sempre bom ouvir elogios.

— Creio que a sua empresa quer de volta uma de suas melhores jornalistas, mas, uma proposta que não é do nosso conhecimento chegou para você, e abrimos essa exceção para que a tal informação e recomendação lhe seja feita. — Alan sorri intencionalmente. Isso já era estranho demais.

Ergo as sobrancelhas curiosa. Não sabia até onde isso poderia ir. Deixo o copo de chá que tinha em minhas mãos na mesa, e olho para a tela.

— Noshbell, pode nos deixar a sós? — peço e ele franze o cenho. — Suponho que se não faço mais parte da sua empresa, não devo satisfações sobre quais propostas me são feitas e sobre o que são elas.

O queixo de Daphne cai na medida que falo as frases. Não pretendia ser grossa, mas Alan parece não se tocar de certos assuntos e precisa de um peteleco.

Os dois saem sem dizer mais nada, e me viro para o notebook. Podia ser o século da tecnologia, mas ainda era estranho pra porra estar em uma reunião via notebook.

— Álava, acredito que tenha aberto suas mídias sociais hoje. — Olívia indica, e sinto um aperto no meu coração.

Não, eu não tinha nem olhado meu instagram hoje. Quando Alan me ligou, eu só me arrumei e coloquei o celular na bolsa, sem nem checar mensagens. Jesus que me perdoe, mas que porra tinha acontecido?

— Pesquisei um pouco sobre você e sei que tem família no Brasil. Seu pai é espanhol, nascido em Barcelona e sua mãe brasileira, nascida no Nordeste do Brasil, correto? — a mulher não espera confirmações de nenhuma de suas perguntas, ela apenas supõe que está certa. — Dado o que aconteceu ontem, temos uma proposta a lhe fazer.

— Me desculpe, mas eu não faço ideia do que a senhora está falando. — anuncio e vejo Fernando suprir uma cara de espanto enquanto tiro minhas dúvidas. — Eu não cheguei a ver minhas redes sociais ainda hoje, e não faço ideia do que aconteceu ontem.

Um silêncio perturbador toma a sala. Os dois se olham na tela, e a mulher respira fundo antes de falar o que sei que seria minha ruína.

— Como Alan disse, sabemos de sua experiência e do quão boa você é no seu trabalho. E queremos te fazer uma proposta, claro que a favor disso você vai ganhar uma grana ótima, e só iremos negociar sua palavra.

Eu definitivamente não estava preparada para o que eu ia ouvir a seguir.

Cherry - Pedri GonzálezOnde histórias criam vida. Descubra agora