O santuário

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O 1⁰ dia.

Alguns anos depois...

Um silêncio inquietante preenchia o clima. A brisa carregava o aroma salgado do mar e o som distante das ondas quebrando suavemente na areia. A cena era uma praia, mas não qualquer praia. A areia, em vez de ser uniforme, era composta de migalhas grandes e irregulares, como se algo poderoso tivesse abalado aquele lugar.

No centro desse caos, um pequeno buraco marcava o solo. A textura ao redor indicava que algo havia caído do céu com força devastadora, deslocando a areia e deixando marcas quase perfeitas. Dentro do buraco, uma leve aura vermelha e brilhante tremeluzia, como uma chama que aos poucos se apagava. Fumaça avermelhada subia de forma delicada, dissolvendo-se no ar.

No interior da aura, havia algo incomum: uma pessoa.

Era uma garota de cabelos azuis com as raízes brancas e puras, lembrando o céu limpo, que pareciam dançar suavemente com o vento, mesmo enquanto ela permanecia inerte. Sua pele estava impecável, sem sinais de ferimentos, sujeira ou marcas de sobrevivência. Era como se o tempo ao seu redor tivesse parado. Seu corpo parecia intacto, mas ao mesmo tempo, havia algo de errado. Como alguém poderia estar ali, sem sinais de cansaço, fome ou desgaste?

Então, ela abriu os olhos.

Lentamente, como quem acorda de um sonho distante, suas pálpebras se ergueram, revelando olhos azuis profundos, que cintilavam como um reflexo do próprio mar. Por um momento, ela ficou ali, deitada, sentindo a aspereza da areia sob a pele e tentando processar o que estava acontecendo.

Ela se ergueu devagar, os movimentos hesitantes, como se não soubesse se era seguro ou se ainda estava presa em um pesadelo. O ambiente ao seu redor era estranho e desconhecido: uma linha de árvores ao longe, altas e densas, marcava o limite da praia, enquanto o horizonte parecia infinito, tomado por um céu cinzento.

Ela tentou lembrar.

"Quem sou eu?" sua mente sussurrou. Mas não havia respostas. Apenas um vazio doloroso, como se sua própria identidade tivesse sido arrancada.

Seu nome era Tadoki. Uma garota não comum com um passado completamente esquecido. Tudo em volta na sua visão não parecia ser algo familiar do que ela via antes, é como se algo nesse lugar fosse bastante diferente, mas ela não consegue identificar no momento. Tudo aquilo para ela parecia tão novo por enquanto, como se tivesse acabado de nascer.

A garota ficou de pé, os movimentos trêmulos, enquanto o vento frio cortava seu rosto como lâminas invisíveis, esse frio parecia facilmente desconfortável se continuasse. Seus pés afundavam na areia áspera e irregular, mas ela não parecia notar a textura ou a temperatura. Seus olhos fixaram-se no buraco atrás dela, o ponto de onde havia emergido. Um leve calafrio percorreu sua espinha, não pelo frio, mas por algo inexplicável - uma sensação visceral de que aquele lugar estava errado. O silêncio ao seu redor parecia vivo, quase como um grito sufocado.

Ela franziu a testa, tentando processar as informações ao seu redor. O ar tinha um cheiro metálico estranho, misturado ao sal do mar. Tudo parecia... quebrado. Algo havia acontecido ali, algo grande. Mas o quê? Ela lutava para formar uma conexão lógica entre o que via e o que sentia, mas nada fazia sentido.

Seus lábios se moveram, hesitantes, enquanto ela verbalizava os pensamentos desconexos que surgiam como faíscas em sua mente.

Éter NegroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora